segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

DEVAGAR COM O ANDOR


Muitos não cansam de repetir: 

- Não entendemos como os petistas não caem na real e apesar de tudo não dão o braço a torcer e seguem defendendo seus líderes. Será que não enxergam ?

Explicação : Pregaram tanto sobre as qualidades do partido, das pessoas e das suas administrações e se enterraram tanto nas propagandas e expuseram tanto as suas crenças, que não tem como sair sem admitir que foram enganados. Passam por fanáticos.

- Também não entenderemos como os Bolsonaristas extremos admitirão que foram com força demais no pote. Seguirão defendendo o Capitão Bolsonaro e sua família, contra tudo e contra todos, mesmo que aconteça um insucesso na Administração Federal.

Voz da Experiência : Melhor continuar apoiando, com otimismo controlado. Caso contrário, pela exposição entusiasmada, corre-se o risco, em caso de decepção, agir como os petistas de hoje, não admitir um indesejável óbvio. Podem passar por fanáticos.

Viver é Perigoso      

CUBA : AGONIA DE UMA REVOLUÇÃO


Pelo menos 30 movimentos guerrilheiros surgiram na Amérca Latina desde que triunfou a revolução cubana até o fim dos anos oitenta.
Hoje não resta nenhum, salvo o ELN da Colômbia, transformado em organização criminosa. 

A revolução − esse fantasma que hoje parece abandonar o continente − cativou os melhores políticos, artistas e intelectuais de sua época, e uma literatura esplendorosa brotou sob sua sombra. Até o cristianismo participou de seu feitiço justiceiro com a teologia da libertação. 

Mas essa fé hoje parece encerrar seu reinado. Dela restam, quando muito, discursos vazios, promessas e slogans que, de tanto ser repetidos sem nunca ser realizados, perderam seu sentido.

Para esses que sempre combateram a revolução, porque desde o início ela atentou contra seus interesses e os teve como inimigos declarados, sua morte é motivo de celebração. Mas lhes convém manter viva a ideia de sua ameaça, para que assim possam se apresentar como guardiães das maiorias e conservar o poder. 

Para aqueles que, por outro lado, acreditaram que outro mundo era possível e que a fraternidade poderia vencer o egoísmo, constatar que seus desejos alimentaram a intolerância, o abuso e a pobreza dói e tira a fala. Deve ser por isso que hoje a esquerda honesta está muda.

Com a queda da URSS veio o Período Especial, que os cubanos não esqueceram mais. Enormes dificuldades.

O petróleo e a comida voltaram a Cuba com a chegada de Hugo Chavez à presidência da Venezuela. 

Chávez viu em Fidel a figura de um pai, de um modelo, de um guia. Quis seguir seus passos e reviver à sua maneira o sonho de revolução que agonizava adicionando a ele o sobrenome “bolivariana”. Comprou Governos em toda a América Latina enquanto o preço do petróleo estava nas nuvens e os somou ao chamado socialismo do século XXI, quando o certo é que o capitalismo já tinha triunfado e o dele não era nada mais que a triste caricatura de um fato histórico que se apagava. A revolução já não tinha artistas, nem intelectuais, nem poesia, nem fé.

Fidel encontrou em Chávez um filho como o que muitos cubanos têm no exterior, de onde lhes mandam dinheiro para sobreviver. Por mais duro que seja reconhecer isso, o sonho de socialismo e de dignidade de Cuba sempre foi financiado por outros.

Com a Venezuela, todos sabem o que aconteceu.

A Igreja revolucionária cubana está repleta de sacerdotes profissionais que já perderam a fé e de gestos que, desprovidos de significado, hoje parecem momices. Ninguém vive lá nem do cartão de abastecimento mensal nem do salário que o Estado paga. Alguns resumem assim: “Aqui uns fingem que trabalham e outros fingem que lhes pagam”. 

O processo de degradação não é novo, mas agora está em uma fase terminal. Ninguém fala de socialismo. 

A esta altura, é um regime político em que ninguém acredita. Foi morto por seu orgulho, seu autoritarismo, sua burocracia. O iluminismo, a arrogância, o controle. Queria ser o mundo novo e se tornou um mundo velho. Faz tempo que seu objetivo não é a justiça, e sim a sobrevivência. Não saem em sua defesa os espíritos ousados e desrespeitosos. 

Apesar de tudo, em Cuba houve uma tentativa, uma atrevimento, uma esperança e uma pretensão que deve voltar a nos encarar mais cedo do que tarde, porque o ser humano pode renascer depois do fracasso, mas a renúncia a toda a ilusão o mata para sempre. 

A tarefa de manter vivo o espírito de uma comunidade, de fazer com que cada homem também seja responsável pelos outros e assegurar que a liberdade de cada indivíduo não seja inimiga da liberdade de outros, ainda está de pé. Para torná-la crível, é indispensável se atrever a pensar de novo. Deixae para trás sem complexos aquela esquerda fracassada e pervertida.

Acabar com esse matrimônio envenenado, para poder se apaixonar autenticamente outra vez.

Patricio Fernández

Viver é Perigoso

O PODER POR TRÁS DO TRONO


Muitos governantes têm à sua sombra um homem frio, discreto e leal que, por sua capacidade de observação e análise, os orienta sobre o que pensar, dizer ou fazer. É o poder por trás do trono. 

O cardeal Richelieu (1585-1642) foi esse homem para o rei Luís 13 na França do século 17. O chanceler Otto von Bismarck (1815-1898), para o imperador Guilherme 1º na Alemanha do século 19. E o folclórico Rasputin (1869-1916), para o czar Nicolau 2º na Rússia - nem sempre o trono se dá bem.

No Brasil, José Bonifácio (1763-1838) foi uma das forças por trás do príncipe d. Pedro no Fico e na Independência. 
O poeta Augusto Frederico Schmidt (1906-1965) soprou a Juscelino Kubitschek, entre outras, o “50 anos em 5”. 
Mas ninguém bate o advogado Jorge Serpa (1923-2019): pegava o telefone e falava diretamente com JK, Jango, Tancredo, Collor, Itamar, Sarney e FHC. Era um homem de grande influência. Mas apenas dez amigos o levaram ao túmulo outro dia.

Hoje, no Brasil, temos um candidato a esse posto. É o vereador Carlos Bolsonaro (PSC), atualmente em seu quinto mandato na Câmara Municipal do Rio - cidade que ele abandonou, e logo agora, em que ela passa por uma crise atrás da outra. 

Para que serve um vereador? Para legislar, fiscalizar e morder os calcanhares do prefeito ou, ao contrário, lhe fazer festinhas. Não lhe compete tapar buracos, mas pode obrigar o alcaide a tomar providências. Suas ocupações compreendem desde o Orçamento anual até a ocupação irregular das encostas e o esgoto entupido. Sua jurisdição é municipal. Só deveria ir a Brasília a passeio, e olhe lá.

Mas Carlos Bolsonaro, filho do presidente, não sai do Planalto e não larga o pai por um instante. Tuíta desaforos, demite ministros, desmoraliza generais. Deve julgar-se um Richelieu, um Bismarck mirim. Mas, pelo ritmo da tragédia, está fazendo lembrar Brutus, que César via como um filho.

Ruy Castro

Viver é Perigoso

domingo, 17 de fevereiro de 2019

SOB A LUZ DE VELAS



" O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele"

Immanuel Kant

Viver é Perigoso



FAHRENHEIT 451 - ESTAMOS CHEGANDO LÁ ?


Fahrenheit 451 é um romance escrito por Ray Bradbury e publicado, pela primeira vez, em 1953. O romance apresenta um futuro onde todos os livros são proibidos, opiniões próprias são consideradas antissociais e hedonistas, e o pensamento crítico é suprimido. 

O número 451 é a temperatura (em graus Fahrennheit da queima do papel, equivalente a 233 graus Celsius.

Em setembro de 1966 foi lançado o filme com o mesmo nome. Uma adaptação do livro de Ray Bradbury, com a direção de François Truffaut, com Oskar Werner e a belíssima Julie Christie. 

Impressionante a cena da mulher no meio dos livros que os bombeiros queimam e a pergunta da personagem (Julie Christie) ao queimador de livros:

– “Do you ever read the books you burn?”

“Você alguma vez lê os livros que queima ?”

Por causa dessa pergunta, o bombeiro vai passar a ler os livros que antes apenas queimava.

Viver é Perigoso

LIVRO, PRESENTE DE AMIGO


"Não esqueçamos jamais que as ideias são menos interessantes do que os seres humanos que as inventam, modificam, aperfeiçoam ou traem". François Truffaut

Gostando ou não, trata-se de uma parte da história. Eu sempre fui contra os pensamentos do Carlos Marighela e de seus métodos. Interessante ler (li em 2012) o livro Marighela - O guerrilheiro que incendiou o mundo, escrito pelo jornalista Mário Magalhães - 732 páginas.

Podem ler tranquilos. Ideologia não contagia.

Marighela, um mulato, neto de escravos, nasceu na Bahia em 1911. Proclamado inimigo público número 1 pela diadura, foi metralhado em São Paulo, pela repressão, na noite de 4 de novembro de 1969, na Alameda Casa Branca. Militante comunista desde a juventude, deputado federal constituinte e fundador do maior grupo armado de oposição à ditadura militar - a Ação Libertadora Nacional.

Foi monitorado pela CIA e KGB. Viveu clandestino, articulou greves e conspirou revoluções. 

Marighela foi autor do "Minimanual do Guerrilheiro Urbano", guia que correu o mundo e foi cult nos anos 60 e 70. Traduzido para dezenas de idiomas e tido hoje como um clássico da literatura de de combate político.

Na vida do comunista Marighela aparecem coadjuvantes conhecidos no Brasil e no mundo: Fidel Castro, Getúlio Vargas, Che Guevara, Carlos Lacerda, Luiz Carlos Prestes, Carlos Lamarca, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Cândido Portinari, Joan Miró, Augusto Boal, Dias Gomes, Glauber Rocha, Jean-Luc-Godart e Luchino Visconti.

Como afirmou certa vez o temido Chefe de Polícia, Cecil Borer: "Cuidado, que o Marighela é valente".

Em tempo, não tenho a mínima vontade de assistir o filme, recentemente, lançado sobre ele. Aliás, em toda a vida, assisti pouquíssimos filmes que se igualaram aos livros que deram origem a eles. A série do "O Poderoso Chefão" e o "Tubarão", dirigidos pelo Copolla e pelo Spielberg, respectivamente. 

Viver é Perigoso

O ESTADO DAS MEDALHAS


"O governador Romeu Zema anunciou que vai acabar com as solenidades de entrega de medalhas. Das onze comendas atualmente distribuídas, apenas a da Inconfidência, que acontece em Ouro Preto no dia 21 de abril, será mantida. Em 2018, foram gastos mais de R$ 3 milhões com os eventos para a entrega de medalhas. Entre as solenidades que deixam de acontecer está o Dia de Minas, em Mariana e a entrega da Comenda da Paz Chico Xavier."

Deu no "Viver é Perigoso" em 2013 -

Já está estatisticamente confirmado que a coisa que o mineiro mais gosta, depois do queijo com goiabada, pastelzinho de milho e pão de queijo, é de medalhas. Receber ou entregar uma medalha, qualquer que seja, leva a mineirada às nuvens. Aquelas com fitinhas os fazem flutuar.

Impossível conseguir uma fotografia, tanto dos entregadores, quanto dos recebedores, no momento solene da entrega, com os olhinhos abertos. Os pensamentos vão longe.

Lembrando: Aécio Neves esbanjou homenagens a autoridades políticas quando governou Minas Gerais. Nos dois mandatos de Aécio Neves e durante a gestão de seu sucessor, o também tucano Antonio Anastasia, o governo mineiro desembolsou R$ 6,4 milhões com a concessão de 11 diferentes tipos de medalhas e comendas para autoridades.

Na primeira solenidade que presidiu, o mineiro agraciou, em Ouro Preto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o Grande Colar da Inconfidência, a maior honraria concedida pelo Estado.

Criada por Juscelino Kubitschek em 1952, essa é a principal comenda do Estado e, nos últimos onze anos, consumiu investimentos de R$ 3,9 milhões. 

Nos últimos dez anos, também receberam o Grande Colar o ex-vice-presidente José Alencar e a presidente Dilma Rousseff, oradora oficial do evento em 2011

A situação não foi muito diferente com a Grande Medalha da Inconfidência, segundo maior grau dos quatro que existem na comenda, e que já foi concedida a petistas como os ministros Alexandre Padilha (Saúde) e José Eduardo Cardozo (Justiça), o ex-ministro Antônio Palocci e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (RS). 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu a honraria, mas 1985, das mãos do ex-governador Hélio Garcia. José Serra também foi condecorado com a medalha, mas a homenagem foi feita em 1995, pelo ex-governador e atual deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB).

Blog: Sugestão para o Ministério Público e para a Polícia Federal seguirem mais rápido nas investigações: Procurar quem foi homenageado com medalhas pelo governo mineiro. Clara, existem exceções.

Viver é Perigoso  

DOM QUIXOTE


"A liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens. Nada a iguala, nem os tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos. Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a nossa vida."

Dom Quixote

Don Quixote de la Mancha, como todos devem saber, é um livro escrito pelo espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616) e teve a  sua primeira edição publicada em Madrid no ano de 1605.

Sabe-se que Albert Einstein lia Dom Quixote. Era o romance que levava em suas viagens e sempre o tinha em sua mesa de cabeceira.

Meu personagem favorito na literatura.

Viver é Perigoso