segunda-feira, 2 de novembro de 2020

DIALOGO KAFKANIANO - I

 

Então, o Senhor está pregando a continuidade. Afirma que o que está dando certo não se deve mudar. Como explicaria não ter conseguido promover a geração de empregos nesse longo tempo ? 

- Prezado Senhor, como foi afirmado, geração de empregos nunca foi e não é de nossa responsabilidade

- Mas as cidades vizinhas conseguiram sucesso e muitos dos meus conterrâneos estão se deslocando diariamente para as cidades vizinhas para trabalhar.

- Pois é, a nossa meta é reivindicar das autoridades melhores condições nas estradas para os trabalhadores se deslocarem. Temos a promessa de privatização e duplicação da rodovia BR-459, até a Fernão Dias. O tempo de viagem será próximo de 40 minutos. A metade do tempo que um trabalhador de São Paulo leva da sua casa ao seu emprego.

- Mais e o icms que as empresas pagam e o respectivo retorno para o município gerador ?

- Balela. Quase todas as empresas tem redução de impostos como incentivo. O que fica mesmo é o salário do trabalhador, que vai ser gasto onde ? com a família aqui na nossa cidade. Escola para os filhos, alimentação, vestimentas e tudo gera impostos. O nosso comércio, que é o verdadeiro gerador de impostos, continuará ativo. 

- Mas os comerciantes lamentam estar perdendo a guerra para o comércio online.

- Pelamor ! Você já viu comprar carne, frutas, legumes, pão, no Submarino, Amazon, Mercado Livre ? Vão comprar é aqui mesmo. Agora, eletrônicos, livros, etc, vindos de fora, geram intensa mão de obra na entrega. 

- Mas voltando ao tema, a cidade nunca esteve tão parada. O senhor acha correto que os empregos só continuem sendo gerados fora ?

- Empresas aqui é fria. Não param de pedir e imagine, questionam até coisas de meio ambiente, aterros, enchentes, greves e, nem gostaria de citar: demissões. Já parou para pensar como evitamos a ocorrência de demissões nesta crise, não promovendo nos últimos anos as admissões ? A isso se chama de visão. 

- Então Senhor, o que estão fazendo estaria certo e vão continuar ?

- Claro. A nossa cidade tem a vocação para o sossego. Boas escolas, lazer no parque, cinema, teatro, farmácias e atacadões. Fábricas ? serão bem vindas após um raio de 60 kms. Essa estratégia vem dando certo e não vamos mudar. No máximo, a gente aceita uma ou outra startup, que tem pouca gente e não afeta o nosso jeito de ser. Seremos, mais ou menos, um grande condomínio residencial, com atendimentos de necessidades.  Atente para o nosso lema desenvolvimentista: "Ganhe fora e gaste aqui"

- Ah ! então tá.

Viver é Perigoso      

3 comentários:

Anônimo disse...

Alias o Presídio ta muito longe do centro kkkk

Anônimo disse...

O diálogo pode ser kafkaniano mas a realidade é determinante. Existem até definições para essas cidades. Cidade Dormitórios.É uma designação usada para se referir a aglomerados urbanos surgidos nos arredores de uma grande cidade tipicamente para servir de moradia a trabalhadores da cidade-núcleo da região.O termo naturalmente mostrando que aquela cidade está sendo usado apenas para as pessoas dormirem, mas o seu trabalho e suas atividades econômicas estão sendo desenvolvidas em outra cidade, geralmente uma cidade vizinha com melhores condições de trabalho e mais promissora economicamente que uma pequena comunidade que não tem grandes indústrias. (Google) Caso continuemos nessa marcha iniciada há 8 anos seremos a cidade dormitório de PA e Sta. Rita. temos a oportunidade eleitoral de mudar.

Anônimo disse...

Como contribuição ao post e olhando mais detalhadamente sobre a arrecadação financeira de tributos, os administradores das cidades dormitórios reclamam que as pessoas moram lá e praticamente só contribuem com o iptu que não tem muito significado na arrecadação. Geram riquezas na cidade polo, mas exigem investimentos em obras publicas, educação, saúde p. ex. onde moram. Nesse modelo meio perverso quer dizer que contribuem muito pouco e exigem muito.Ainda estamos meio longe disso mas persistir nessa toada......