sábado, 30 de maio de 2020

VENTOS DE GUERRA


Já foram diversas tentativas infrutíferas de diálogo. Já houve apelos em vão e oportunidades para tal desperdiçadas. Agora, parece cada vez mais claro que a solução para crise entre o governo do presidente Jair Bolsonaro, os demais Poderes e parte da sociedade caminha para uma conclusão drástica. E dramática, para um lado ou para o outro.

Muitos eram os que apostavam que a pandemia, com a trágica morte de milhares de pessoas, forçaria um entendimento ou ao menos uma trégua. Afinal, como brigar por poder enquanto famílias são arrasadas com a perda de entes queridos em uma velocidade nunca vista? Pois não foi o que se viu. Mesmo diante do cenário que choca o mundo inteiro, as tensões se acirraram. O presidente brigou com governadores e prefeitos, trava uma batalha com o Judiciário, dispara pelas costas do Congresso mesmo após a busca por um entendimento e se dissocia da parcela mais expressiva da sociedade. É fortemente criticado pela imprensa nacional e internacional e por boa parte das entidades da sociedade civil.

Embora não esteja na rua, a população já está se posicionando. Nos últimos dias as pesquisas demonstraram que os setores médios da sociedade abandonaram a posição dúbia e se enfileiraram contra o presidente. Por outro lado, sua base de apoio se solidificou. Hoje temos dois terços da população que reprovam fortemente o presidente, e um terço que o defende de forma incondicional. Isso pode variar um pouquinho para cima ou para baixo, mas não muito. O que indica que até mesmo no seio da sociedade o espaço para a ponderação se esgotou.

Esse clima de confronto, aliado ao avançar das investigações por um lado e à retórica belicista do grupo presidencial de outro, leva-nos à conclusão de que chegaremos, cedo ou tarde, ou ao afastamento do presidente, com a prisão de alguns dos que estão em seu entorno, ou viveremos de fato a situação de um golpe contra os demais Poderes.  A tormenta política vivida no Brasil parece ainda não ter chegado ao seu pico, o que é dramático.

Ricardo Corrêa - O Tempo

Viver é Perigoso

4 comentários:

Anônimo disse...

Zé viu o manifesto dos artistas, políticos de várias correntes e empresários sobre o momento?

Edson Riera disse...

Momento

Vi em uma página inteira de jornal. Interessante: O Tostão assinou.

Grato,

Zelador

Anônimo disse...

"Em 31 de maio de 2019, quando o mundo era outro, publiquei a primeira coluna em que perguntava se Bolsonaro era um sujeito inteligente, que se vale de estratégias mais ou menos elaboradas para alcançar seus objetivos, ou apenas um oportunista que teve duas ou três intuições corretas e muita sorte. À época, admitia que as duas leituras eram possíveis. Penso que hoje já é possível responder à questão de forma mais assertiva e concluir, quase definitivamente, que Bolsonaro é burro mesmo. Uma guerra ou pandemia (os efeitos políticos são parecidos) é o sonho de consumo de líderes em dificuldades. Elas oferecem o pretexto ideal para o governante evocar o discurso da união nacional e surfar na subsequente onda de popularidade. .....A menos que Bolsonaro tenha acesso a conhecimentos privilegiados sobre a Covid-19, ele está cavando sua própria sepultura política, atitude incompatível com inteligência. Hélio Schwartsman em 14/04

Anônimo disse...

Burra na verdade são os eleitores do Bozzo.

Ele é o que sempre foi. Não mudou, como dizia minha vó, "nadicadenada".

O sujeito cujo o único discurso é matar...matar...matar...

O sujeito que planeja atentados para conseguir aumento de salário...

O que fica 30 anos no congresso sem apresentar um único PL, só nas mordomias...

Bom, o que vocês achavam que ele apresentaria???