terça-feira, 17 de dezembro de 2019

ORDEM UNIDA

Paulo Freire
Apresentei-me no 4º Batalhão de Engª e Combate, dias após a tomada de barco de ex-presidente Wenceslau Braz (15/5/66). Como escrevem hoje nas redes sociais os cultos sinistros (de esquerda, canhotos), "tempo plúmbeo".

Por uns 30 dias sem sair do quartel o café da manhã, o almoço, jantar e café da noite, era ordem unida.

A ordem unida, segundo "o pai dos burros" é uma formação habitual de marcha, de parada ou de reunião dos componentes de uma tropa, que observa as distâncias e os intervalos estabelecidos. Ao conjunto harmonioso, cadenciado e equilibrado dos movimentos de marcha, dá-se o nome de ordem unida. 

Resumindo, marchar, passos firmes, esquerda, direita e alto (parar). Parece fácil mas não é. Alguns companheiros tinhas dificuldade para manter o passo certo, mormente, quando um espertalhão mudava propositalmente o passo e retornando de imediato ao passo correto. A turma de trás se perdia e era objeto de varadas nas pernas aplicadas pelo tenente. 

Não era um tenente vindo das Agulhas Negras. Era um militar que conseguiu subir na carreira por tempo de serviço. Uma eternidade em cada posto. Soldado raso, soldado engajado, curso de cabo, terceiro sargento, segundo sargento, primeiro sargento, subtenente e finalmente segundo tenente. O tempo o deixou cascudo. 

Foi de um deles que ouvi no primeiro dia de caserna, através de um berro, a palavra energúmeno. 

Todos se acostumaram, depois de meses ouvindo diariamente o insulto. Até deixou de ser insulto. 

Já lá vão mais de 50 anos e nunca mais ouvi a desagradável palavra. 

Li ontem dita pelo pelo amante da ordem unida, Jair Bolsonaro se referindo ao educador Paulo Freire. 

Viver é Perigoso

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