terça-feira, 4 de setembro de 2018

TOMOU O BARCO


Tomou o barco com muita antecedência o amigo e irmão Marcos Carvalho. Para nós, desde sempre, o Marquinhos de Santa Rita de Caldas.
Convivemos há 50 anos. Desde o vestibular na nossa Escola de Engenharia. Moço bonito, de vasta e ampla cultura. Dono de opinião sobre qualquer tema. Gosto inconfundível e apurado. 
Um ano atrás, exatamente, tomamos conhecimento do início de sua luta com o chamado "imperador de todos os males". No período mantivemos contato direto, via eletrônica ou pessoalmente em longas conversas que duravam horas. Confesso que muito aprendi. Caso você tenha perdido a oportunidade de conhecê-lo, aí segue um auto-retrato.

Santa Rita de Caldas

De: Marcos Carvalho
Para: Edson Riera

Eu, abaixo qualificado, admito que nunca li nenhum livro do Paulo Coelho, do Chico Buarque e do José Sarney. 
Tentei, três vezes, ler o Ulisses do James Joyce e nunca passei da segunda página mesmo após esforços brutais. Não tento mais...
A última novela que assisti, aos trancos e barrancos, foi "Roque Santeiro", com os Duartes, Lima e Regina.
Não conheço e não sei nenhuma música de sertanejos universitários. Não escuto pagode e tenho certa birra das cantoras Alcione e Beth Carvalho. Não aprecio nem música sertaneja de raiz, mas dou uma pala pros blues, pro jazz até final do anos 70 – de lá prá cá só Madeleine Peiroux, Diana Krall, Winton Marsalis, Harry Connick Jr. e aquele guitarrista que é Jr. também porque tem pai, de mesmo nome, que também entra na lista, cujos nomes dos dois meus neurônios em atividade nesse momento (cerca de 7 ou 8) se recusam a lembrar. Gosto (posso dizer amo?) Beatles e Rolling Stones (acabei aprendendo a gostar desses últimos depois de velho) e samba da velha guarda. Babo e tenho espasmos com Jacó do Bandolim tocando choro, e com Abel Ferreira e com tantos outros que ficam pra uma segunda rodada, sem qualquer pretensão de meritocracia. Segredo guardado a sete chaves até hoje: sou fã do Abba.
Gosto dos antigos Gil, Caetano, Chico, Elis, Gal, Rita Lee, Bethânia e Djavan (1ª. Fase).
Não tomo conhecimento do programa BBB e curto antipatia gratuita pela Xuxa.
Ah ! não escuto nada narrado pelo Galvão Bueno, nem pelos buenos jrs: Kleber Leite e Luiz Roberto. Sou macaca de auditório do Milton Leite e dos narradores da ESPN/ESPN Brasil.
Detesto comentários do Juquinha Kfouri e acho sou fã do João Canalha, do Rodrigo Rodrigues e do Pablo Sorin. Detesto os percentuais (estatística é a mãe!!) do PVC, embora lhe tenha certa simpatia. Zé Trajano ainda vem andando dos anos 70 (Opinião, Movimento, Bondinho, Ex, etc) – gosta mesmo é de fazer figura de polêmico.
Sinto uma saudade incurável das colunas, entrevistas e comentários na rede Globo feitos pelo imortal João Saldanha e das ironia e da non chalance irônica e bem humorada do Sandro Moreira.
Gosto de pizza, e pastéis, com ou sem arroz.
Tenho nojo de bife de fígado, acebolado ou não, de dobradinha, de miúdos de frango.
Gosto de água mineral com gás e de Fanta Uva.
Frequentam, com frequência, a  primeira fila, o arroz doce com canela, doce de abóbora com côco e aquele doce que tem doce de banana por baixo, creme de maizena no meio e suspiro por cima. Penso que chocolate com morango não tem a ver.
Uso a mesma marca de sapatos e chinelos há centenas de anos. Roupas tão somente de algodão e quanto mais velhas e usadas, melhor. Me apego. 
Nesse departamento, admito certas mudanças, mantendo minha machice intacta, porém...
Já passei pela emoção de um cateterismo e a a solidão de uma UTI. Não gostei, como também me é difícil encarar uma injeção.
Não passei, mas tenho uma asma de estimação, tratada como se trata uma gata, a pires de leite morno, há mais de 40 anos (malditos 30 anos de cigarro!!).
Não faço ultrapassagens em locais de risco e não ultrapasso os 120 kms/hora.
Já aceitei depósitos em minha conta bancária, sempre em contrapartida a serviços comprovadamente prestados. Acredito num ter sido corrupto, admito porém, em algum momento da vida, ter agido do lado oposto. Não deveria.
Me posiciono sempre na oposição, mesmo quando no governo que participei.
Considerando os benefícios da delação premiada, confesso que votei no Fernando Collor.
Creio que posso almejar a transformação da minha pena em prisão domiciliar, a qual, por minha inteira decisão, já cumpro. Certamente acompanhado por pessoas queridas.
Da parte que me toca, não tenho ex-amigos.
Tenho muitos amigos, por decisão solitária sentimental e unilateral minhas, com quem gostaria de poder conversar mais, falar mais bobagem, falar mais maldades, mas de quem respeito seu senso de privacidade, hoje tão extrovertida pelas chamadas redes sociais.

Marcos Carvalho

Viver é Perigoso

2 comentários:

Anônimo disse...

Nossos sentimentos aos familiares e amigos. Admirava seus comentários. Lembrando: a "vida" dos mortos é a memória dos vivos. cidadão preocupado

Edson Riera disse...

Cidadão Preocupado -

Um grande amigo. Teve uma participação ativa desde o início do Viver é Perigoso.

Zé lador (era como ele me tratava)