quinta-feira, 10 de junho de 2021

PREZADO AMIGO AFONSINHO



Afonso Celso Garcia Reis, simplesmente, Afonsinho. Craque que mereceu de Gilberto Gil a música "Meio de Campo", cuja primeira frase diz:

"Prezado Amigo Afonsinho, eu continuo aqui mesmo"

Lembrança que vem a calhar neste momento de pandemia, torneios de futebol e participação nos debates dos atores principais. No caso, os craques de futebol.

Como Afonsinho, nunca tivemos mais. Algo próximo, com Sócrates e Rai.

Afonsinho é de 1947. Começou no futebol em 1962 no XV de Jaú. Em 65 foi para o Botafogo, no Rio de Janeiro, onde cansou-se de ser campeão. Jogava e dominava o meio-de-campo, com fina presença.

Em 1970, ficou oito meses "encostado" no Botafogo, com o contrato suspenso. A diretoria alvinegra decidira impedi-lo de treinar enquanto não retirasse a barba e os cabelos compridos que passara a usar.

Afonsinho resolveu, então, deixar o clube e pediu a liberação de seu "passe", mas os cartolas do Botafogo negaram, e o jogador recorreu ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Depois de muita luta conseguiu o passe livre no STJD.

Tornou-se o primeiro atleta do Brasil a ganhar o direito ao passe livre na justiça, em março de 1971. Esse direito só seria instituído exatamente 27 anos depois, pela Lei nº 9615, de março de 1998.

Também atuou pelo Vasco da Gama, Santos, Flamengo, América-MG, Madureira e Fluminense. Afonsinho encerrou sua carreira no futebol em 1981, aos 34 anos, no Fluminense.

O craque, enquanto jogava futebol, estudava medicina, participava do movimento estudantil, era politizado e combativo. Por sua atividade política dentro e fora do mundo do futebol, em pleno governo Médici, Afonsinho foi monitorado pelos órgãos de segurança do governo.

Formou-se em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da UERJ e trabalhou no Instituto Pinel durante cerca de trinta anos, até se aposentar. No Pinel, utilizou o esporte como complemento do tratamento psiquiátrico.

Viver é Perigoso

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