sexta-feira, 4 de junho de 2021

ENTRE ESTES TIPOS E EU HÁ ALGO PESSOAL



Joan Manuel Serrat. É um cantor, poeta, músico e compositor espanhol, um dos mais destacados exemplos da música espanhola e catalã. Nasceu em Barcelona em 1943.
Passou o último período da ditadura do general Franco no exílio e continua a estar proibido pela censura. Em 2007, recebe o título de cavaleiro da Legião de Honra, a mais alta distinção da República Francesa, por os seus contributos à criação cultural, promoção do catalão no mundo e pela sua defesa da liberdade de expressão.

ALGO PESSOAL

Homens de palha que usam a colônia e a honra
Para ocultar intenções obscuras
Têm dupla vida, são sicários do mal!
Entre estes indivíduos e eu há algo pessoal
Eles têm mais truques que os magos, verdadeiramente
Sem usar vareta mágica, desaparecem gente
Abracadabra, desapareceste - se seu cartaz diz algo que os ponha tristes
Odeiam os humanistas
Os estudantes de Filosofia são todos uns terroristas!
Geralmente não se dão bem com os pensadores
São como touros, não veem todas as cores
Chegaram para nos salvar nestes tempos trágicos
Juntos com suas promessas cheias de realismo mágico
E com sua linguagem de mentiras infinitas
Convencem até as flores de que não são bonitas
Te confundem até que tenham claridade mental
São dos tipos que vendem gelo
À um esquimó
Fazem armadilhas com os votos na escola eleitoral
Com estes tipos, também tenho algo pessoal
Rodeados de protocolos, comitivas e seguranças
Viajam à paisana em carros blindados
A semear calúnias, a mentir com naturalidade
A colocar nas escolas seu retrato
Gastam mais do que se têm para colecionar
Espiões, listas negras e arsenais
Dá agonia vê-los fanfarronear
A ver quem é que o tem o maior
Se armam até os dentes
Em nome da paz
Jogam com coisas que não tem reposição e a culpa é sempre do outro quando algo lhes sai mal
Entre estes tipos e eu há algo pessoal
Dos colégios militares são devotos
Porque pensam que, para defender-se
Têm que matar ao outro
Difícil de ajuizar frente aos tribunais
Mandam a terceiros para não deixar suas impressões digitais
Fogem em helicópteros da milícia e se fazem doentes para escapar da Justiça
Presenteiam futebol, cerveja e um pouco de dança também
Pra que você se esqueça de que eles não estão se comportando bem
Roubaram os sonhos de metade da humanidade
Não creem na Páscoa, tampouco em Natal
A estes tipos, quando pequenos, não os deram carinho
Por isso quando se atira neles, se protegem com as crianças
Frente às câmaras, para não pegar mal, desjejuam uma hóstia aos Domingos na catedral
São como sucos de frutas com sabor artificial
Entre estes tipos e eu, há algo pessoal
E como quem, na coisa, não tem nada a perder
Soam o alarme e rompem as promessas
E em nome de quem não têm o gosto de conhecer
Nos põem a pistola na cabeça
Agarram aos cabelos, mas para não se sujarem
E experimentam novos métodos de massacrar, Sofisticados e muitas vezes convincentes
Não reconhecem nem os seus pais quando perdem o controle
Nem se lembram que neste mundo há crianças
Nos negam a todos o pão e o sal
Entre estes tipos e eu há algo pessoal
Entre estes tipos e eu
(Com eles não me dou, com estes tipos não concordo!)
Entre estes tipos e eu
(Porque os loucos que esquecem não se dão com os registros)
Entre estes tipos e eu há algo pessoal.

(citado pelo economista Fábio Giambiagi)

Viver é Perigoso

Um comentário:

Anônimo disse...

cabe em muitos países, governos
aqui então.....
"dá agonia vê-los fanfarronear
a ver quem é que o tem o maior
se armam até os dentes
em nome da paz
jogam com coisas que não tem reposição
e a culpa é sempre do outro
quando algo lhes sai mal"
semelhanças que veem a cabeça
quando ouço descalabros
ditos em pronunciamentos
presidenciais