terça-feira, 23 de março de 2021

CONTRA - CULTURA


Piedade para a nação cujos homens são ovelhas e cujos pastores são guias ruins. 
Piedade para a nação cujos líderes são mentirosos e cujos sábios são silenciados. 
Piedade para a nação que não levanta a sua voz exceto para louvar os conquistadores e aclamar os prepotentes como heróis e que aspira a comandar o mundo com a força e a tortura. Piedade para a nação que não conhece nenhuma outra língua se não a sua própria nenhuma outra cultura a não ser a sua própria. 
Piedade para a nação cujo fôlego é dinheiro e que dorme o sono daqueles com a barriga muito cheia. 
Piedade para a nação - oh, piedade para os homens que permitem que os próprios direitos sejam corroídos e suas próprias liberdades levadas embora. 
Minha Pátria, lágrimas de ti doce terra de liberdade! 

Lawrence Ferlinghetti

Foi um poeta, editor e pintor americano da Geração Beat, mais conhecido pela sua obra poética e por ter sido o responsável pela divulgação em livro de todos os maiores expoentes daquele movimento e suas maiores obras.

Lawrence Ferlinghetti nasceu em Yonkers, Nova York, em 1919. Seu pai, o italiano Carlo Ferlinghetti, morreu antes de ele nascer, e sua mãe foi internada por problemas nervosos quando ele era muito pequeno. 

Ferlinghetti foi criado por uma tia materna e passou os cinco primeiros anos de vida na França. Após voltar para os Estados Unidos, passou por várias escolas até ingressar na University of North Carolina, na qual estudou jornalismo. Publicou suas primeiras histórias na Carolina Magazine.

Em 1941  entrou para a Marinha. Serviu durante a Segunda Guerra Mundial, participando, inclusive, da invasão da Normandia. Logo após a guerra trabalhou por um breve período na revista Time, antes de retomar os estudos e ir para a Columbia University, e nela o obter o grau de mestre em literatura inglesa, em 1947. Seguiu para a França e doutorou-se pela Sorbonne em 1950, com menção honrosa.

Ao voltar para os EUA em 1951, instalou-se em São Francisco e passou a dar aulas de francês, traduzir, pintar e fazer crítica de arte. As primeiras traduções foram publicadas em uma revista cultural por Peter D. Martin, que em 1953 se tornaria seu sócio na antológica livraria City Lights. 

Um ano depois da saída de Martin, Ferlinghetti fundou a editora City Lights, pela qual publicou seu primeiro livro, Pictures of the Gone World, primeiro volume da Pocket Poets Series. O quinto número dessa coleção foi o emblemático Uivo, de Allen Ginsberg. 

A partir de então a editora ficou conhecida por publicar os grandes autores beat, como Jack Kerouac, Gregory Corso e William Burroughs. 

Mesmo que o estilo literário, a temática e o modo de vida não façam de Ferlinghetti exatamente um beat, ele comumente é identificado como integrante dessa geração de escritores. Kerouac eternizou o amigo em Big Sur, romance autobiográfico no qual Ferlinghetti aparece com o nome de Lorenzo Monsanto, retratado como uma figura generosa e bem-humorada.

Ferlinghetti, tomou o barco com 101 anos, no dia 22/02/2021

Viver é Perigoso

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