sábado, 13 de fevereiro de 2021

UM HOMEM SEM NENHUM HORIZONTE

Sem ser chato, mas novamente cito o livro "A Organização" - da Malu Gaspar, que li recentemente e comentei. Hoje o Ignácio de Loyola Brandão escreveu na sua coluna no Estadão. Oportuno ler neste momento em que ministros do STF, acusam, insultam e tentam anular a Operação Lava Jato.

Quando me perguntam: o que você leu nesta pandemia?

A Malu Gaspar por um bom tempo não me deixou ler nada. Não teve jeito. Fiquei encerrado, dia e noite, noite e dia em um livro-reportagem intitulado A Organização. Vocês se lembram da frase que acompanhava o chocolatinho Bis? É impossível comer um só? Você não para de comer. Assim acontece com o livro de Malu.

Bom, estou lendo A Organização. É a mais longa e contundente reportagem que já li. "A Organização" poderia ter o título "O Chefão".

Porque se encaixa. Assim como A Organização, poderia ser Chefão, 1, 2, 3, 4, 5, 6.... No filme, baseado em Mario Puzo, trata-se da máfia em forma de ficção. Aqui, mergulhamos na realidade brasileira. A Odebrecht montou um esquema de corrupção que chocou o mundo.

Nenhum de nós podia imaginar como a maior empreiteira do Brasil montou um esquema em que o dinheiro ilícito jorrou, sem parar, a todo instante para deputados (ninguém assina uma emenda sem colocar algum no bolso), ministros, governadores, judiciário, presidentes, presidentes de outros países, diretores de estatais, o que você pensar de quem decide grande.

Decide com o dinheiro entregue em caixas de sapatos, escondido em cuecas, calcinhas, malas que surgem misteriosamente em apartamentos vazios, em contas ilegais espalhadas pelo mundo. Dá para acreditar que a empresa chegou a comprar um banco para efetuar transações sub-reptícias?

O livro é fascinante, anima, deprime, enoja, distrai, alegra, provoca ânsias, comichões. Impressiona ver a facilidade com que se fala em um milhão, 50 milhões, 100 milhões, 500 milhões. Um bilhão. De reais? De dólares. Que escoam ocultos por meio de uma rede de doleiros, trapaceiros, velhacos, biltres de todos os tipos, finórios, pulhas. Um bilhão, meus leitores. Para os bolsos de gente como o Cunha, Aécio, Cabral, Pimentel, Jucá, Calheiros, Delcídio, Paulo Preto, PT, PSDB - e muitos outros.

Preto no branco, os nomes estão todos nesse livro corajoso, com uma intensidade louca de pesquisas, entrevistas, exemplo para ser adotado em faculdades de jornalismo.

Tem hora que você para e grita: não é possível !! De modo algum !!

Uma rede dessas com nomes tidos como respeitáveis, honrados, afundados em falcatruas.

Rios de dinheiro correndo subterraneamente. O dinheiro com que a Odebrecht alimentou a ilegalidade resolveria os problemas de sanitarismo, habitação popular, água, fome deste Brasil. Desapareceu no bolso dos que mandavam. Ou dos que ainda mandam.

Pensar que havia executivo da organização que tungava a própria organização. Este é um livro trágico.

Pode ser shakespeariano ou nelsonrodriguiano. Marcelo Odebrecht, o príncipe, herdeiro da maior empreiteira do Brasil, o homem que queria ser rei, queria ser imperador, monarca, czar, potentado, termina sozinho, brigado com o pai, com a família, amigos, sem ter uma empresa, sem ter nada.

Triste é sua última declaração. Quando Malu Gaspar pergunta:

“E agora, qual o horizonte?”.

Ele diz: “Não há nenhum”.

Viver é Perigoso

2 comentários:

Anônimo disse...

Excelente texto que todos devemos conhecer e divulgar.
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*Histórico Florestal da Terra*
Por Evaristo Miranda

Há 8 mil anos, o Brasil possuía 9,8% das florestas mundiais. Hoje, o País detém 28,3%. Dos 64 milhões de km2 de florestas existentes antes da expansão demográfica e tecnológica dos humanos, restam menos de 15,5 milhões, cerca de 24%. Mais de 75% das florestas primárias já desapareceram. Com exceção de parte das Américas, todos os continentes desmataram, e muito, segundo estudo da Embrapa Monitoramento por Satélite sobre a evolução das florestas mundiais.

A Europa, sem a Rússia, detinha mais de 7% das florestas do planeta e hoje tem apenas 0,1%. A África possuía quase 11% e agora tem 3,4%. A Ásia já deteve quase um quarto das florestas mundiais, 23,6%, agora possui 5,5% e segue desmatando. No sentido inverso, a América do Sul, que detinha 18,2% das florestas, agora detém 41,4%, e o grande responsável por esses remanescentes, cuja representatividade cresce ano a ano, é o Brasil.

Se o desflorestamento mundial prosseguir no ritmo atual, o Brasil - por ser um dos que menos desmatou - deverá deter, em breve, quase metade das florestas primárias do planeta.

O paradoxo é que, ao invés de ser reconhecido pelo seu histórico de manutenção da cobertura florestal, o País é severamente criticado pelos campeões do desmatamento e alijado da própria memória."

*Evaristo Miranda* Diretor
EMBRAPA TERRITORIAL

Anônimo disse...

O DINHEIRO TIRA A PESSOA DA MERDA MAS NÃO TIRA A MERDA DA PESSOA.