quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

LAMENTO, MAS 2020 NÃO SE ENCERRA HOJE



Senhores, lamento decepcioná-los mas, diante das circunstâncias, sou obrigado a informá-los que, a despeito da expectativa geral, 2020 não se encerra hoje. Nem acabará tão cedo.

Há indícios no calendário de que certo ciclo astronômico findaria hoje, mas é mera convenção para orientar balanços de empresas, planos plurianuais de governos e cobradores ávidos por nos encurralar.

Sabemos também que a ilusão do fim do ano é igualmente produto da angústia humana em crer que os fracassos foram temporários, e daqui pra frente tudo vai ser diferente.

Mas algo não depende de convenções nem de boas intenções: é a realidade nua e crua, que ignora desejos e impõe a crueza dos fatos. E 2020 não conseguiu concluir praticamente nenhuma das mazelas terríveis que protagonizou.

Ninguém avisou ao vírus que hoje é dia 31? Que amanhã é o novo dia de uma nova era? Que basta?

Mais realista que as vãs esperanças de bilhões, a Covid-19 não parece se importar com o calendário. E tudo indica que vai escorrendo como uma serpente sorrateira, atravessando impávida a passagem da década e inaugurando o pretenso novo ano com seu rastro de terror, liderando o cortejo de cúmplices.

O mundo enfrenta um colapso humano inédito nos últimos cem anos. E, se alguém espera que tudo mude num piscar da folhinha, melhor saber que as estranhas convenções de 2020 —distanciamento​ dos semelhantes, confinamentos, máscaras, álcool em gel, desemprego— ficarão por aí por um bom tempo, mesmo com as prometidas vacinas.

O ano de 2020 seguirá, impávido, pelo menos por um bom número de meses. 

Enquanto isso, no Brasil, o interminável 2020 parece fadado a durar pelo menos mais dois anos.

Não quero ser tão pessimista. Quem sabe restem solidariedade, higiene, aversão à tirania. E, sim, 2020 alguma hora vai acabar. Nem que demore anos.

Josimar Melo

Viver é Perigoso

QUE VENHA 2021


 Viver é Perigoso

AGORA VAI !




O Comando da Aeronáutica assinou ontem (30) um contrato sigiloso de US$ 33,8 milhões (cerca de R$ 175 milhões ao câmbio de ontem) com uma empresa da Finlândia para adquirir um satélite, sem licitação. O contrato foi assinado após a dispensa do processo de licitação ter sido autorizada pelo comandante da Aeronáutica, o brigadeiro do ar Carlos Moretti Bermudez.

A contratada pela Aeronáutica foi a Iceye, uma empresa finlandesa fundada em 2014 que trabalha com satélites do tipo SAR (do inglês, Radar de Abertura Sintética). Chamado de satélite-radar, é usado para observação da Terra. Ele emite pulsos que, em tese, permitem captar imagens mesmo em dias nublados.

Especialistas levantam dúvidas a respeito da necessidade e da eficácia do satélite adquirido.

O cientista Gilberto Câmara, que dirigiu o Inpe de 2005 a 2012 e é o atual diretor do GEO (em português, Grupo de Observação da Terra), uma parceria intergovernamental entre mais de cem países-membros, a Comissão Europeia e 115 organismos internacionais, disse que :

"esse tipo de satélite pode ser bom para "diferenciar gelo de água, como na Finlândia", mas é inadequado para observar a Amazônia, já que não consegue diferenciar, por exemplo, árvores de gramíneas. Ele considerou a decisão da compra "absurda e injustificável". O dado do desmatamento incomoda os militares, que querem ter o controle sobre ele."

Brazil...zil...zil...

Viver é Perigoso