sábado, 11 de abril de 2020

PRÁ PENSAR


"Vivemos em um grande mercado planetário que não despertou sentimentos de fraternidade entre os países. De fato, criou um medo generalizado do futuro. E a pandemia de coronavírus iluminou essa contradição, tornando-a ainda mais evidente. 
Isso me faz pensar na grande crise econômica da década de 1930, na qual vários países europeus, Alemanha e Itália, acima de tudo, abraçaram o ultra-nacionalismo. 
E, apesar da falta de vontade hegemônica dos nazistas, hoje esse fechamento em si parece indiscutível. 
O desenvolvimento econômico-capitalista, portanto, desencadeou os grandes problemas que afetam nosso planeta: a deterioração da biosfera, a crise geral da democracia, o aumento das desigualdades e injustiças, a proliferação de armamentos, os novos autoritarismos demagógicos. 
Por esse motivo, hoje é necessário promover a construção de uma consciência planetária sob sua base humanitária: incentivar a cooperação entre países com o objetivo principal de aumentar os sentimentos de solidariedade e fraternidade entre os povos."

Edgar Morin

Como milhões de europeus, Edgar Morin está confinado em sua casa em Montpellier com sua esposa. Ele é considerado um dos filósofos contemporâneos mais brilhantes; Aos 98 anos (8 de julho terá 99 anos), Morin lê, escreve, ouve música e mantém contato com amigos e parentes. 
Seu desejo de viver demonstra fortemente o drama de um flagelo que está aniquilando milhares de idosos e doentes com patologias anteriores. 
"Eu sei muito bem", ele diz ironicamente, "que eu poderia ser a vítima por excelência do coronavírus. Na minha idade, no entanto, a morte está sempre à espreita. Portanto, é melhor pensar na vida e refletir sobre o que está acontecendo. ” - (El País)

Viver é Perigoso

CHORANDO BAIXINHO



Viver é Perigoso

ESPELHO DA ALMA


Pressionado pelas necessidades caseiras, hoje de manhãzinha fui até o Supermercado Alvorada, na Boa Vista, é claro. Registre-se aos policiais, que fui devidamente equipado para a guerra.

Tudo sob controle. Acesso controlado. Álcool borrifado em parcimoniosas gotas nas mãos dos clientes e até cinematográficos painéis transparentes de acrílico, nos caixas recebedores.

Ás vezes se faz necessário passar por uma situação difícil e até mesmo beirando o trágico, para percebermos preciosidades, até então, mais ou menos ocultas.

Como o pessoal tem os olhos expressivos. Cores variando do castanho ao azul, passando pelo verde em diversas tonalidades.

Ficam sem importância o estado físico e as vestimentas. São detalhes.

Todos de máscaras.

Viver é Perigoso   

CALAMIDADE


Cinco caminhões carregando equipamentos hospitalares chegaram na tarde de hoje (10/4) ao Hospital das Clínicas Samuel Libânio, em Pouso Alegre. 

Os equipamentos são do Hospital particular Maria Tereza Rennó, que está há 6 anos sem funcionar em Santa Rita do Sapucaí.

O uso pelo hospital de Pouso Alegre foi possível devido ao decreto de calamidade pública, que permitiu uma requisição administrativa desses equipamentos no combate a pandemia do Covid-19.

Uma parte dos equipamentos já havia sido levada anteriormente ao Hospital Antonio Moreira da Costa na cidade de Santa Rita do Sapucaí, e ao próprio Hospital Samuel Libânio, em Pouso Alegre, que é referência regional.

Pouso Alegre Net

Blog: Numa dessas aí...se cuida Santa Casa. Estamos em estado de calamidade pública.

Viver é Perigoso

JOGANDO FORA A OPORTUNIDADE


Não que iria interferir muito no custo geral, mas seria de razoável simbolismo e capaz de arrefecer o extraordinário desgaste que assola os políticos brasileiros, de vereadores a senadores.

Nem um pio se ouviu sobre a remotíssima possibilidade de redução de seus salários para ajudar na luta conta a pandemia.

Ganham muito bem e no caso de deputados e senadores, contam com uma polpuda "verba de gabinete".

Mas, pensando bem (ou mal) eles estão dando a sua parcela de contribuição. Não tendo reuniões, não propondo nada, não votando nada, besteiras são evitadas.

Passaria pela cabeça de um radical apolítico: uma pena que não esteja acontecendo aglomerações no legislativo.

Viver é Perigoso   

CARTA QUE GOSTARIA DE TER RECEBIDO


Carta-resposta que o escritor E.B.White enviou em março de 1973 a um certo sr. Nadeau, que queria saber a sua opinião sobre o que lhe parecia um futuro sombrio para a humanidade .

Caro sr. Nadeau :

Enquanto houver um homem íntegro, enquanto houver uma mulher compassiva, o contágio pode se alastrar e a perspectiva não é desoladora.

Esperança é o que nos resta em tempos difíceis. Vou me levantar no domingo de manhã e dar corda no relógio, contribuindo para a ordem e a estabilidade.

Os marinheiros têm uma expressão para definir o tempo : dizem que o tempo é um grande blefista. Acho que isso também é verdade em relação à nossa sociedade - tudo parece sombrio, e então as nuvens se abrem, e tudo muda, às vezes de repente.

É óbvio que a humanidade transformou num caos a vida neste planeta. Mas, como povo, provavelmente trazemos em nós sementes do bem que desde muito esperam pelas condições adequadas para brotar.

A curiosidade, a inflexibilidade, a inventividade, a engenhosidade do homem o levaram a sérias dificuldades. Só podemos esperar que o ajudem a sair delas.

Segure o chapéu. Agarre-se à esperança. E dê corda no relógio, pois amanhã é outro dia.

Cordialmente,

E. B. White

Humberto Chiaradia

Viver é Perigoso

DA BOA VISTA, É CLARO

Deu no "Estadão " de hoje 

Com o avanço da covid-19 e sem uma terapia comprovada cientificamente para combatê-la, médicos ao redor do mundo passaram a testar diversas drogas e associações entre elas, especialmente para os casos mais graves – e a cloroquina é uma delas.

Ao menos 65 estudos estão sendo realizados no mundo para investigar a eficácia da cloroquina e hidroxicloroquina contra a covid-19. Por enquanto, três foram finalizados, dois chineses e um francês, e os resultados são controversos. Mas, diante da falta de uma opção certeira e apesar de efeitos colaterais graves, como arritmia cardíaca e problema de visão, há médicos que vêm utilizando a droga, especialmente em pacientes em estado grave ou crítico. 

O que era mais um medicamento sendo receitado na luta contra a covid-19 ganhou destaque após ser citado pelos presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump, dos EUA, como possível solução para a pandemia.

Nas últimas semanas, governos, agências regulatórias e entidades médicas autorizaram o uso compassivo do remédio para pacientes internados (para quando não há outra opção de tratamento), mas ressaltaram que os estudos finalizados até agora não permitiam ampliar a recomendação para pacientes leves nem garantir a ausência de efeitos colaterais.

O Ministério da Saúde vem embasando suas diretrizes na revisão da literatura científica realizada por um grupo de cientistas brasileiros de instituições como os hospitais Sírio-Libanês e Oswaldo Cruz. É esse trabalho que afirma que 65 estudos estão em andamento e que 3 foram concluídos, com resultados controversos. 


Também integrante do grupo que colaborou com a relatório, a médica Rachel Riera, coordenadora do Núcleo de Avaliação de Tecnologia em Saúde do Hospital Sírio-Libanês, destaca que os três estudos tinham problemas nos grupos controle porque em alguns os pacientes não foram escolhidos aleatoriamente ou, quando foram, os grupos tinham perfis diferentes, o que também pode influenciar nos resultados. "Se a pesquisa não tem grupo controle ou os grupos são muito heterogêneos não dá para atribuir o resultado exclusivamente ao remédio", diz ela, que também é professora de medicina baseada em evidências da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Viver é Perigoso