segunda-feira, 30 de março de 2020

BRASIL - QUARENTENA BABEL

Viver é Perigoso

OPERAÇÃO DE GUERRA


Navio Hospital com mil leitos chega a Nova York. A embarcação militar USNS Comfort, a sexta maior do mundo, servirá para aliviar o iminente colapso provocado pelo coronavírus na cidade norte-americana.

Viver é Perigoso

IGNORAR, MITIGAR OU SUPRIMIR


Sinceramente ? não recomendaria a leitura do artigo publicado ontem no jornal "O Estado de São Paulo pelo biólogo Fernando Reinach. Li ontem, me tirou o sono e, criando coragem, li de novo. Foi baseado no já famoso estudo feito pelo Imperial College - Londres, sobre o Covid-19. Foi publicado recentemente (16/3) e feito para nortear as medidas de contenção do novo coronavírus. Agora, esse mesmo grupo refez o estudo para 202 países, sendo que o Brasil é um deles. Todos os aspectos e peculiares do País foram consideradas.

Segundo os autores existem três estratégias possíveis diante do novo vírus:

1 - Ignorar a existência do vírus - No primeiro ano, 7 bilhões dos 7,7 bilhões de pessoas do planeta seriam infectadas. Ocorreriam 40,6 milhões de mortes e o colapso total dos sistemas de saúde. O lado positivo, é que depois a população estaria imune e o problema desaparecia. Essa atitude não foi adotada por nenhum país.

2 -  Mitigação (diminuir, aliviar) - O objetivo é espalhar o número de casos ao longo do tempo de modo não sobrecarregar muito o sistema de saúde (o tal achatamento da curva) - Dois aspectos considerados: isolar somente os mais idosos ou isolar toda a população. O número de mortes no primeiro caso seria de 20 milhões de pessoas. O número projetado para o segundo caso é semelhante.

3 - Supressão - Ela pressupõe uma diminuição de 75% dos contatos interpessoais de toda a população. Foi a estratégia usada pela China. Quanto mais cedo ela é adotada é melhor. Nesse cenário nos primeiros 250 dias de pandemia, seriam infectadas 470 milhões de pessoas e teríamos 1,9 milhão de mortes. Se adotada mais tarde, essa estratégia levaria a 2,4 bilhões de pessoas afetadas e 10,5 milhões de mortes (foi o erro da Itália).  

Atentem para quadro abaixo e vejam os números para o Brasil. Hoje, muitos Estados estão tentando adotar a estratégia de Supressão, enquanto o governo federal propõe a mitigação, com isolamento dos idosos.

Perca o sono junto comigo.

Viver é Perigoso 

JUÍZO PESSOAL


O caso é sério. Vamos aguardar até o próximo domingo e um novo balanço da situação. Negócios, mesmo com todas as dificuldades do mundo, se resolvem. Vidas ? Definitivo. 

Coronavírus: Por recomendação do Ministério Público, comércio deve permanecer fechado em Itajubá

O Ministério Público do Estado de Minas Gerais emitiu nesta segunda-feira, 30 de março, uma Recomendação Ministerial, assinada pelo Promotor de Justiça, Leonardo de Faria Gignon, suspendendo o funcionamento do comércio em Itajubá. A decisão foi acatada pelo município e com isso, a partir desta terça-feira, 31 de março, só poderão funcionar na cidade os estabelecimentos comerciais essenciais à sobrevivência, saúde e segurança da população, conforme Art. 8º do decreto municipal nº 7881/2020.

Viver é Perigoso

MOÇO BONITO



Eric Clapton, completa hoje 75 anos de vida. O número 1, há séculos, da minha parada de sucessos. Já o curti, usando um termo atual, ao vivo e em cores. Maravilha inesquecível. 

Clapton, o Senhor Blues, viveu a loucura das drogas e foi dado muitas vezes como caso perdido.

Sofreu enormes pancadas na vida, mas em um determinado dia, praticamente no fundo do poço aconteceu, conforme suas próprias palavras o milagre:

"...fiquei absolutamente aterrorizado, em completo desespero. Naquele momento, quase que por si mesmas, minhas pernas cederam, e cai de joelhos. Na privacidade de meu quarto, implorei por socorro. Eu não atinava com quem estava falando, sabia apenas que havia chegado ao meu limite, não me restava mais nada para lutar. Então lembrei do tinha ouvido falar sobre rendição, algo que jamais pensei que conseguiria fazer, que meu orgulho simplesmente não permitiria, mas entendi que sozinho eu não teria sucesso, e por isso pedi socorro e, caindo de joelhos me rendi. De algum jeito, de alguma forma, meu DEUS sempre esteve ali, mas agora eu havia aprendido a falar com ele."

Eric está curado das drogas e do alcoolismo. Ele conviveu e tocou com Buddy Guy, Stevie Ray Vaugham, B.B King, Muddy Waters, Beatles, Roling Stones, Dilan e lamenta jamais ter tocado com Ray Charles.

Dentre suas musicas de sucesso, encontra-se "Tears in Heaven", dedicada ao seu filhinho Conor, que morreu com cinco anos ao cair da janela do apartamento da mãe em Nova York.

Viver é Perigoso

MUITA CALMA NESSA HORA


O Conselho de Ministros da Espanha debaterá amanhã, terça-feira, o que fazer com os aluguéis diante da crise criada por Covid-19.

Uma questão urgente que deverá ser abordada no nosso País. Muitos vivem de aluguéis e muitos terão dificuldade para cumprir contratos.

O bom senso indica que todos os lacadores e locatários pensem e tomem a iniciativa de renegociar, valores, obrigações e duração.

A preocupação abrange imóveis comerciais e residenciais.

Imagina-se que a crise e seus reflexos se estenderão, no mínimo, até o final deste ano.

Existe uma tendência natural de cuidados para com os locatários.

Logicamente, a prefeitura municipal deverá olhar com cuidado a cobrança do IPTU.

Um bom entendimento.

Viver é Perigoso    

FALOU E DISSE



“O senhor tem todo o direito do mundo às suas próprias opiniões, mas não aos seus próprios fatos”.

Senador Americano Patrick Moynihan

Viver é Perigoso

AINDA NÃO CHEGAMOS NESSE ESTÁGIO


Pela primeira vez desde que temos memória, as vozes que prevalecem na vida pública espanhola são as de pessoas que sabem.

Pela primeira vez assistimos à aberta celebração do conhecimento e da experiência, e ao protagonismo merecido e até então inédito de profissionais de diversas áreas cuja mistura de máxima qualificação e coragem civil sustenta sempre o mecanismo complicado de toda a vida social. 

Nos programas de televisão em que, até recentemente, reinavam exclusivamente dissertadores especializados em opinar sobre qualquer coisa a qualquer momento, agora aparecem médicos de família, epidemiologistas, funcionários públicos que enfrentam diariamente uma doença que perturbou tudo e que a qualquer momento pode atacá-los.

Todas as noites, às oito, nas ruas vazias, eclodem aplausos como uma tempestade repentina, dirigidos não a demagogos embusteiros, mas a trabalhadores da saúde, que até ontem cumpriam sua tarefa acossados por cortes contínuos, pela falta de meios, pelo desdém às vezes agressivo de usuários caprichosos ou resmungões. 

Agora, exceto nos redutos habituais, não ouvimos slogans, nem lemas de campanha criados por publicitários, nem banalidades cunhadas por essa espécie de gurus ou de aprendizes de feiticeiro que inventam estratégias de “comunicação” e que aqui também, que remédio, já são chamados de spin doctors: charlatães, trapaceiros, vendedores de fumaça.

A realidade nos obrigou a nos colocarmos no terreno até agora muito negligenciados dos fatos: os fatos que podem e devem ser verificados e confirmados, para não serem confundidos com delírios ou mentiras; os fenômenos que podem ser medidos quantitativamente, com o mais alto grau de precisão possível. 

Tínhamos nos acostumado a viver na névoa da opinião, da diatribe sobre as palavras, do descrédito do concreto e do comprovável, inclusive do aberto desdém pelo conhecimento. 

Foi necessária uma calamidade como a que estamos sofrendo agora para que descobríssemos bruscamente o valor, a urgência, a importância suprema do conhecimento sólido e preciso, para nos esforçarmos em separar os fatos dos boatos e da fantasmagoria e distinguir com nitidez imediata as vozes das pessoas que sabem de verdade, aquelas que merecem nossa admiração e nossa gratidão por seu heroísmo de servidores públicos.

Agora ficamos com um pouco de vergonha de termos nos acostumado ou resignado durante tanto tempo ao descrédito do saber, à celebração da impostura e da ignorância.

Antonio Muñoz Molina é escritor.

Viver é Perigoso

TRISTE

Viver é Perigoso

A CALMA DEFINITIVA


Vendo todos desesperados, o líder acalmou o povo: 

"Todos iremos morrer um dia".

Ao perceber a beleza e objetividade das palavras, as pessoas aceitaram seu destino.

www.aleivosiascomlimao.blogspot.com

Viver é Perigoso

DISTÂNCIA PRESERVADA


Viver é Perigoso

NO VALE DA ELETRÔNICA


O Hospital Maria Thereza Rennó, em Santa Rita do Sapucaí, levou 14 anos pra ser construído. Foi inaugurado em 2013 e ficou apenas 8 meses em funcionamento. Acaba de completar 6 anos de portas fechadas. Trata-se de um empreendimento particular.

O hospital foi um projeto idealizado pelo fazendeiro Wagner Rennó. Ele decidiu construir o empreendimento depois que a mãe morreu em casa, sem conseguir atendimento médico. Tem capacidade para 125 leitos. O prédio, que tem quase oito mil m² de área construída e conta com 125 leitos, entre UTI, urgência, emergência e observação.

Era feito o atendimento através de planos de saúde particulares e do Ipsemg, plano médico dos servidores do estado. A unidade também estava em processo de credenciamento para atender pacientes pelo SUS. No entanto, com as dívidas, funcionários e médicos foram dispensados.

Desde então, os representantes buscam financiadores ou parceiros para que o hospital volte a funcionar. O Hospital pode ser alternativa para atendimentos da covid-19 no Sul de Minas. O governo federal foi procurado, mas não teria demonstrado interesse na reabertura. Prefeitos buscam outras alternativas para reabrir as instalações. 

Na última última terça-feira (24), foi realizada uma reunião por videoconferência para discutir o assunto com um membro da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde. Além do prefeito Wander Chaves, participaram da reunião o prefeito de Pouso Alegre, Rafael Simões, e o deputado federal, Bilac Pinto.

Enquanto o Maria Thereza Rennó continua fechado, o prefeito Wander Chaves busca equipar o hospital Antônio Moreira da Costa com uma nova ala para atender as possíveis vítimas do novo coronavírus na cidade.

Dados: Terra do Mandu

Viver é Perigoso

NA EXPECTATIVA


Didier Raoult é o diretor do Instituto Hospitalar Universitário (IHU) de Marselha e chefe da equipe que divulgou dados de uma pesquisa com 42 pacientes de covid-19 em que 75% deles, após seis dias de tratamento com a substância associada ao antibiótico azitromicina, livraram-se do vírus.

Com um passado de polêmicas, Raoult está no olho do furacão. Seu trabalho levou os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro a apostarem suas fichas de que a apostarem suas fichas de que a hidroxicloroquina pode ser a saída rápida e barata para combater a doença e acabar com a quarentena que paralisa a economia de seus países. Em 15 ou 20 dias o estudo de Raoul deve levá-lo ao prêmio Nobel ou ao ostracismo reservado aos que dão falsas esperanças às aflições humanas.

Estudo teve poucos pacientes.

O que detonou a polêmica na academia foi Raoult ter decidido publicar um estudo que, em condições normais, não seria aceito por nenhuma revista científica. Primeiro, pelo baixo número de pacientes envolvidos. Ele tinha 26 que receberam a hidroxicloroquina em Marselha e 16 no grupo de controle em duas outras cidades francesas – Nice e Avinhão.

Dos 26 pacientes que receberam a medicação, seis abandonaram a pesquisa. Um porque morreu; três porque foram entubados, outro por deixar o hospital e um por ter náuseas. Nenhum deles foi incluído no resultado final, pois a pesquisa pressupunha testar todos os dias os pacientes para medir a carga viral. 

Era 25 de fevereiro quando Raoult entrou em campo na luta contra a covid-19. 

Defendeu que a solução para a doença seria mais barata do que se imagina, com base no uso da hidroxicloroquina, uma molécula antiga usada contra a malária e o lúpus. Menos de um mês depois, seu trabalho estava publicado. Segundo o jornal Le Monde, no mesmo dia da publicação do artigo – 20 de março – Phillipe Ravaud, diretor do Centro de Pesquisas Epidemiológicas e Estatística Sorbonne Paris Cité, pediu ao colega os dados brutos da pesquisa, mas não os recebeu.

Dia 23, foi a vez da professora e infectologista Karine Lacombe, do departamento de doenças tropicais infecciosa do Hospital Saint-Antoine, em Paris, dizer que estava “enojada” com o que estava acontecendo. “Com base em um estudo absolutamente questionável do ponto de vista científico, expõem-se pessoas à falsa esperança de cura de uma doença que se sabe que, em 80% dos casos, ao cabo de alguns dias, não haverá mais vírus. O que está acontecendo em Marselha é absolutamente escandaloso”, afirmou à TV France 2.
Raoult deixa claro as inconsistências em seu trabalho. 

"Do ponto de vista ético, seria, portanto, justificável publicá-lo em razão da situação mundial.  “por razões éticas em razão de resultado tão significativo e evidentes” é que ele e seus pares decidiram publicá-lo para que fosse avaliado pelo comunidade médica, dado a urgente necessidade de achar uma droga efetiva contra o Sars-Cov-2. - Nosso estudo tem limitações.

Questionado sobre as reações dos colegas, Raoult foi seco. “Eu faço ciência, não política.” O pesquisador é próximo de políticos de direita e de extrema-direita.

Raoult possui trabalhos importantes publicados. Mas, em 2006, ele e sua equipe foram suspensos por um ano pela American Society for Microbiology, nas revistas editadas pela sociedade, por suspeita de fraude. O caso foi revelado pela revista Science, em 2012.

Um ano depois, Raoult resolveu se envolver em uma encrenca científica ao expor seu ceticismo sobre as mudanças climáticas. Disse então que as previsões sobre o aquecimento global eram absurdas. Também afirmou que o buraco na camada de ozônio estaria resfriando o globo.

Em 2018, publicou o livro La Vérité sur les vaccins (A Verdade Sobre as Vacinas) e voltou a causar polêmica. Na obra, ele critica a política de vacinação obrigatória da França. Diz ter pouca valia vacinar contra sarampo e poliomielite, pois a primeira é uma doença rara no país e outra, erradicada. Advoga, em vez disso, que o governo desenvolva vacinas para a gripe, a catapora e o rotavírus.

Na semana passada conseguiu que o ministro da Saúde, Olivier Véran, permitisse que a hidroxicloroquina fosse dada a pacientes de hospitais. E para conduzir os trabalhos científicos sobre a doença, nomeou uma comissão liderada por Françoise Barré-Sinoussi, Nobel de Medicina em 2008. Ao assumir, ela pediu “prudência” com a hidroxicloroquina.

Raoult, que era da comissão, afastou-se. Em artigo no Le Monde, denunciou conflitos de interesses entre cientistas e a indústria farmacêutica e criticou quem viu inconsistências em seu estudo: “Ninguém testa paraquedas dando a um grupo de controle sacos vazios para pular. Não se dá placebo a pacientes de uma doença que mata 30%.” 

Extraído do O Estado de São Paulo

Blog: Torcemos para que o Dr. Raoult ganhe o Prêmio Nobel.

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