sábado, 29 de fevereiro de 2020

CONCÍLIO DE TRENTO


Nestes tempos complicados, vez por outra, ou lemos ou ouvimos falar do Concílio de Trento. Resumindo de forma bem superficial, segundo dados da própria internet:

Foi convocado pelo Papa Paulo III para assegurar a unidade da fé e a disciplina eclesiástica, no contexto da Reforma da Igreja Católica e da reação à divisão então vivida na Europa devido à Reforma Protestante, razão pela qual é denominado também de Concílio da Contra-reforma. 

A Igreja Católica estabeleceu diretrizes para remediar os efeitos das reformas e precaver-se contra a iminência de outros programas reformistas.

O Concílio de Trento foi atrasado e interrompido várias vezes por divergências políticas ou religiosas.

Alguns dos resultados:

  • Reafirmou os princípios católicos, condenando o protestantismo. Entretanto, algumas medidas moralizadoras começaram a ser tomadas, como a proibição da venda de indulgências e a criação de escolas para a formação de eclesiásticos.
  • Foi instituído o " Index Librorum Prohibitorum" isto é, o livro com os livros proibidos pela Igreja. Obras como O Elogio da Loucura, de Erasmo de Rotterdam, e Decameron, de Boccaccio, foram inclusos no referido índice.
  • Definiu a criação, em 1540, da Companhia de Jesus, ordem religiosa fundada pelo espanhol Inácio de Loyola. A Companhia de Jesus transformou-se num verdadeiro "exército" em defesa da manutenção dos princípios católicos e da evangelização na Europa, na Ásia e nas Américas.
  • Foi reorganizada a Inquisição.
A Inquisição, também chamada de Santo Ofício, era formada pelos tribunais da Igreja Católica que perseguiam, julgavam e puniam pessoas acusadas de se desviar de suas normas de conduta. Surgiu com toda força na Espanha de 1478.

O alvo principal eram os judeus e os cristãos-novos, como eram chamados os recém-convertidos ao Catolicismo, acusados de continuarem praticando o Judaísmo secretamente. Passou a considerar como heresia qualquer ofensa “à fé e aos costumes”.  A lista de perseguidos também foi ampliada para incluir protestantes e iluministas, homossexuais e bígamos.

As punições tornaram-se bem mais pesadas com a instituição da morte na fogueira, da prisão perpétua e do confisco de bens – que transformou a Inquisição numa atividade altamente rentável para os cofres da Igreja. A crueldade dos inquisidores era tamanha que o próprio papa chegou a pedir aos espanhóis que contivessem o banho de sangue. A migração de judeus expulsos da Espanha para Portugal, em 1492, fez com que a perseguição se repetisse com a criação do Santo Ofício lusitano, em 1536. 

O Brasil nunca chegou a ter um tribunal desses, mas emissários da Inquisição aportaram por aqui entre 1591 e 1767. Calcula-se que 400 brasileiros foram condenados e 21 queimados em Lisboa, para onde eram mandados os casos mais graves. 

Os inquisidores portugueses fizeram 40 mil vítimas, das quais 2 mil foram mortas na fogueira. Na Espanha, até a extinção do Santo Ofício, em 1834, estima-se que quase 300 mil pessoas tenham sido condenadas e 30 mil executadas.

Viver é Perigoso

CARTA QUE NÃO RECEBI


Itajubá, 29 de fevereiro de 2020

Ref. Desabafo dum jovem que decidiu mexer com política em sua cidade

Há menos de 3 meses, resolvi me meter com a política itajubense. Estudei as pautas da cidade, circulei textos opinativos, fui em programas de rádio, participei de discussões, me propus a conhecer políticos e partidos das mais diferentes correntes para entender como as coisas andam por aqui. Conversei com muita gente.

Em pouco tempo, a experiência tem sido um aprendizado sem tamanho.

Descobri que para ser feito de fantoche nos grandes grupos políticos, basta um piscar de olhos. Eleições municipais, muitas vezes, são meras convenções primárias de deputados e senadores.

Descobri que pouco se fala de projetos e ideais no município. O que vale, em grande maioria, é quem tem o maior cacique para colocar dinheiro e popularidade como apoio.

Descobri que, por aqui, ameaça-se adversários, fazem chantagem com familiares, compram votos e, na hora que o pau come, ter um “bom” sobrenome é um diferencial e tanto.

Descobri que disseminar notícias falsas, fazer ataques pessoais, espalhar mentiras, desinformar a comunidade e esconder dados é o método mais básico de manutenção no poder.

Descobri que ser jovem no meio político causa espanto (e talvez medo?). Falam que você é imaturo demais para aquilo, lhe repetem coisas óbvias como se você fosse um tapado, e chegam até a fazer piada de seus anseios.

Mas também descobri que a política lhe traz grandes parceiros. Pessoas que lhe abrem as portas, que dividem ideias e projetos, que estão dispostas a construir uma cidade mais acolhedora, e que sabem que o jovem faz parte desta luta. Não são ingênuos, mas sabem que omissão é sinônimo de status quo.

É com estas últimas pessoas que quero estar.

Pedro Gama

Blog: Uma fotografia bem atual da política cidade. E já faz tempo. 

Viver é Perigoso

SENTINDO-SE BEM


"Liberdade é não ter medo"

Nina Simone

Viver é Perigoso

...MAS ELE JÁ NÃO ESTÁ ?


Quem consegue conversar com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, sai convencido de que ele não disputará qualquer cargo público em 2022, como aliás esta coluna antecipou em 2019. Certamente ele pode estar escondendo o jogo, como é do seu feitio, mas diz que planeja sair da política para entrar no mercado financeiro. Teria inclusive convites de um importante banco de investimento para o qual tem feito palestras. (Diário do Poder)

Viver é Perigoso

COMPONENTES ELETRÔNICOS E O CORONAVÍRUS


Sondagem da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) verificou que 57% do setor eletroeletrônico já lida com a falta de peças importadas da China. Segundo a entidade, os fabricantes de celulares, computadores e demais produtos de tecnologia da informação são os que mais têm tido dificuldades para encontrar materiais, insumos e componentes.

O presidente Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto, disse que a situação é bem preocupante e que março será decisivo quanto à continuidade da produção ou ao início de um colapso de grandes consequências no polo localizado em Santa Rita do Sapucaí, no Sul do Estado.

“Empresas do mundo inteiro estão com problemas de abastecimento de componentes eletrônicos. No nosso caso, março será o mês de referência, pois as matérias primas em estoque estão chegando ao fim. Depois disso, se não tivermos uma normalização no abastecimento, vai ser um caos”, argumentou.

Isso porque, conforme o dirigente, as empresas vão ter que suspender as linhas de produção, conceder novas férias coletivas e até mesmo reivindicar subsídios do governo com relação ao pagamento de impostos, para amenizar as perdas diante da falta de produção. Uma vez acontecendo, segundo Souza Pinto, as consequências poderão ser ainda mais graves, já que outros setores possivelmente também serão afetados por não receberem seus insumos eletrônicos e igualmente precisarão suspender a produção.

“Vai ser um efeito em cascata. Vai parar tudo. Há componentes eletrônicos na mecânica, na indústria, na prestação de serviços. E as pessoas também poderão ficar sem dinheiro, pois não vão ter emprego e não vão receber. Poderemos ter um colapso na economia geral”, completou.

(Diário do Comércio)

Viver é Perigoso

POR QUE CHORAM OS BRASILEIROS


Interessante de ler. Muito do sentimento que envolve os brasileiros com relação ao Congresso Nacional. Escrito pelo Juan Arias - El País 

O deputado Eduardo Bolsonaro perguntava irônico se os brasileiros chorariam no caso de “uma bomba H cair no Congresso”.

A verdade é que o pranto dos brasileiros seria outro diferente do sonho dos bolsonaristas mais radicais que prefeririam a volta da ditadura militar ao Brasil. Tanto é assim que uma pesquisa internacional acaba de revelar que entre os brasileiros está crescendo o amor pelos valores da democracia, talvez porque os vejam ameaçados.

Os brasileiros choram sim, em relação ao Congresso e há tempos, não porque prefeririam fechá-lo como gostaria esse punhado de bolsonaristas, e sim porque os que o ocupam, que deveriam responder somente e com o exemplo dos que os elegeram, se mostram tantas vezes indignos do cargo.

Choram os brasileiros não porque gostariam de ver o Congresso fechado, mas porque gostariam que fosse o que deveria ser pela Constituição, a casa do povo, com todos os sentidos abertos para ouvir os desejos e as dores das pessoas.

Choram porque em vez de oferecer um serviço à população dando exemplo de austeridade, porque o dinheiro gasto é das pessoas, fruto de seu trabalho às vezes pesado e mal remunerado, utilizam o cargo para aumentar seus privilégios, para enriquecer e enriquecer os seus. Choram porque parecem estar lá para pensar mais nos interesses pessoais e partidários do que nos problemas reais da nação.

Choram porque o que custam ao Estado, entre salário e privilégios, a maioria desnecessária e injustificável, acaba escandalizando os que precisam trabalhar duro para quase não chegar ao final do mês. 

Choram porque se perguntam se é necessário um Congresso com gastos bilionários com mais de 500 deputados quando na realidade os que estão verdadeiramente preparados à delicada tarefa de legislar à sociedade são uma pequena minoria. O restante passa anos sem produzir uma só lei importante, como foi o caso dos quase 30 anos como deputado do hoje presidente da República, Jair Bolsonaro, que já peregrinou por nove partidos menores e que sempre fez parte desse baixo clero que desprestigia a função sagrada do Congresso com suas maracutaias.

Choram porque gostariam que algum Governo tivesse a coragem de fazer uma profunda reforma da instituição sagrada do Congresso que representa os anseios de toda a sociedade. Uma reforma política séria, discutida com a nação, que reduzisse, por exemplo, a uma dezena os partidos políticos e não essa loucura de partidos sem identidade.

Choram os brasileiros porque gostariam de poder elegê-los com outro sistema eleitoral para que não chegassem ao Congresso candidatos que eles nunca teriam escolhido.

Querem um Congresso que seja capaz de escutar os gritos das ruas, os anseios mais verdadeiros das pessoas, de todos, não só de uma minoria de privilegiados.

Sim, choram os brasileiros porque gostariam de um Congresso mais sintonizado com os que mais sofrem, os sem trabalho, os das filas de espera da Bolsa Família, nos corredores dos hospitais, os que voltaram a cair na pobreza e até na miséria.

Choram os brasileiros das comunidades periféricas das cidades, carne de canhão de todas as violências juntas, a da pobreza e a do Estado incapaz de tirá-los de seu inferno e do da polícia, cada vez mais com carta branca para matar impunemente.

Choram os heroicos professores com salários de fome e seu assédio para que ensinem de acordo com as ordens do Governo e não com os critérios da moderna pedagogia para formar homens livres, capazes de se defender na vida contra a tirania das ideologias totalizantes.

Choram os trabalhadores que veem impotentes como perdem direitos conseguidos com tanta dor e tantas lutas ao longo de sua vida.

Choram os aposentados que precisarão trabalhar mais anos para compensar as aposentadorias dos privilegiados que continuarão aproveitando-as.

Choram os indígenas aos que pretendem expulsar de suas terras sagradas, de suas tradições, de sua sabedoria milenar para lançá-los ao inferno da alienação das periferias modernas.

Choram os artistas, os pensadores, os que fazem cultura, a quem desejariam castrar e domesticar sua criatividade que é o coração da democracia.

Choram as mulheres e todos os diferentes que não se encaixam nos modelos pré-fabricados pelo poder. Por que costumam ser eles os mais desprezados por todos os ditadores da história? Não será pelo medo que causam ao deixar a descoberto suas frustrações e misérias ocultas e inconfessáveis?

Esse é o pranto dos brasileiros que, apesar de ser vítimas de tantas injustiças, continuam confiando nas instituições e nos valores da democracia porque, os pobres, melhor do que ninguém, sabem que têm pouco a esperar da tirania dos ditadores.

Que não se iluda essa minoria de exaltados e saudosos do autoritarismo barato com vontade de voltar aos tempos das trevas que o Brasil já sofreu e condenou.

Não, os brasileiros não querem uma bomba H contra o Congresso como ironiza o  deputado.  Querem, pelo contrário, que alguém tenha a coragem de devolver a essa casa do povo sua verdadeira sacralidade para que deixe de ser, em expressão dura do evangelho, um “covil de ladrões”.

Juan Arias - El Pais

Viver é Perigoso