terça-feira, 27 de outubro de 2020

COMBATE NAS TREVAS

De 1968 a 1973, um cidadão poderia ser fichado e intimado a depor se descobrissem que tinha em seu poder algum livro considerado subversivo. Sem exagero, até livros com capas vermelhas eram considerados suspeitos.

Caso acontecesse hoje, e se numa busca colocassem os meus livros numa balança, pesando os de direita e os de esquerda, a balança ficaria equilibrada. O importante é ter conhecimento de visões diferentes da história.

Não aprecio extremos. Nem de direita e tão pouco de esquerda.

Combate nas Trevas - Jacob Gorender. Publicado pela primeira vez em 1987. Consegui um exemplar da 5ª edição, publicada em 1999. Livro difícil de se achar.

Uma leitura imprescindível para entender sem paixão os marcantes e dramáticos vividos no período pré-1964, até 1973.

Para quem está chegando agora, Jacob Gorender foi um historiador e cientista social brasileiro, nascido em Salvador em 1923. Tomou o barco em São Paulo em 2013. 

Em 1941 entrou para a Faculdade de Direito de Salvador, época em que se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Interrompeu os estudos em 1943 quando, aos 20 anos, se alistou na Força Expedicionária Brasileira. Lutou na Europa em batalhas como a de Monte Castelo, na Itália. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, mudou-se para o Rio, onde trabalhou em jornais de esquerda e, em 1953, para São Paulo. 

"Entendo por esquerda o conceito referencial de movimentos e ideias endereçados ao projeto de transformação social em benefício das classes oprimidas e exploradas. Os diferentes graus, caminhos e formas dessa transformação social pluralizam a esquerda e fazem dela um espectro de cores e matizes".

"Este livro não apresenta a esquerda no papel de vítima passiva. Toda a esquerda se opôs à ditadura militar e a maior parte dela adotou a linha da luta armada."

"Do ponto de vista pessoal, não tomei parte em nenhuma ação armada. Na incerteza da clandestinidade, sobrevivi penosamente com o trabalho de tradutor. Recebia encomendas de editoras por intermédio de amigos, aos quais aqui expresso gratidão".

"Fui preso no dia 20/01/1969, no dia que completava 47 anos. Começaram com choques elétricos (no Deops - Largo General Osório), seguido de pontapés e "telefones" - tapas atordoantes e simultâneos nos dois ouvidos - Em seguida, pau-de-arara, com pés e mãos atados por cordas, seguro á trave de face para cima, com choques elétricos em várias partes do corpo e queimadura nas solas dos pés. Introdução de água pelas narinas por meio de um funil"

" Acho que a tortura em certos casos torna-se necessária, para obter confissões - General Ernesto Geisel -

Viver é Perigoso

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