sexta-feira, 18 de setembro de 2020

DANÇANDO NA CHUVA


Lá pelo final dos anos 70, mais precisamente, em 1978, lutava com muita dificuldade para instalar o escritório regional da Abinee - Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, na época, muito mal vista na Zona Franca de Manaus e tida, erroneamente, como contra ao Projeto da Zona Franca de Manaus.

Estava por lá sozinho e com dificuldades incríveis de toda a sorte.

Todos sabem que, em Manaus, a pancada forte de chuva vem forte todas às tardes. As reuniões eram marcadas para antes ou depois da chuva.

Um início de tarde, ali pelas 13 horas, deparei-me com uma dificuldade, aparentemente, insuperável. Deu um baixo astral e uma vontade de voltar para o sul. Estava de paletó e gravata, fantasia dispensada com o correr dos dias.

Deixei o escritório na Av. Eduardo Ribeiro e dei de encontro com o dilúvio da tarde. O carro estava estacionado longe. Sai caminhando, para surpresa das pessoas, caminhando lentamente pela calçada. A chuva lavava até a alma. Segui por uns mil metros ensopado. Deu para torcer a gravata.

Maravilha. No meu pensamento as coisas foram se ajeitando e me senti flutuando, como se todas as dificuldades estivessem sendo levadas pela enxurrada.

Fez um bem danado.

Hoje, ando sonhando com uma chuva daquelas. Sairei caminhando pela Boa Vista, é claro, deixando todas essas preocupações diferentes de 2020 serem levadas para a calha do Rio Sapucaí.

Viver é Perigoso     

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