sexta-feira, 7 de agosto de 2020

É A VIDA...


No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor lençóis.

-Deixa que eu ajudo.

Reuniu suas forças e pegou, pela primeira vez, seu pai no colo.

Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.

Ajeitou em seus ombros o pai consumido pela doença: pequeno, enrugado, frágil, trêmulo.

Fiou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.

Embalou o pai de um lado para o outro. Aninhou o pai. Acalmou o pai.

E apenas dizia, sussurrando:

- Estou aqui, estou aqui, pai.

O que um pai quer ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.

Carpinejar

Viver é Perigoso

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