quinta-feira, 2 de julho de 2020

UM NÓ NA GARGANTA


Deu no Jornal O Tempo

Ana Carla, de 10 anos, não encontrando comida na geladeira ou na despensa, pegou  escondido o celular da mãe para ligar para a Polícia Militar e pedir alimentos. A menina   contou que ela, as irmãs e os pais estavam passando fome.

Sustentadas com um salário mínimo recebido pelo pai e cuidadas pela mãe, que é dona de casa, ela e as irmãs, de 9 e 7 anos, descobriram-se sem comida nos últimos dias, e, no aperto da fome, Ana Carla decidiu pedir ajuda para o pelotão de Alpinópolis (próximo de Passos), cidade no Sul de Minas, onde mora com a família.

Os pais surpreenderam-se quando os militares chegaram à casa alugada, com uma cesta básica que garantiria os suprimentos mais urgentes pelos próximos dias. Entretanto, a ajuda não acabou por aí: policiais se juntaram com repórteres do município da cidade vizinha de Passos, também na região Sul, e arrecadaram doações para realizar o sonho de aniversário de Ana Carla, que completará 11 anos no próximo dia 31.

No último domingo, ela recebeu o presente: chocolates, sapatos e a certeza de que a família não ficará sem comida outra vez. Um morador de uma cidade vizinha, com o intuito de aliviar a situação financeira dos pais da menina, entrou em contato com a Polícia Militar e se comprometeu a pagar o aluguel deles até o fim do ano.

O policial militar (Juliano Pereira) que levou a cesta básica até a casa da criança, no bairro Rosário, em Alpinópolis disse: 

“A família é muito humilde, e, quando entregamos a cesta básica, os pais da Ana Carla ficaram até com vergonha, eles estão numa situação complicada até mesmo para pedir ajuda. A situação da família começou a se complicar logo no início da pandemia, quando uma das irmãs precisou ser submetida a uma cirurgia de emergência por causa de um problema de saúde que causa baixa imunidade. Os pais das três garotas acabaram se endividando em função do custo da operação. “O pai é assalariado e recebe apenas um salário mínimo. A mãe é dona de casa e cuida das crianças. Eles pagam aluguel e tentam tocar a vida com o que têm…”, 

Ainda no começo da pandemia, um comerciante do município de Alpinópolis promoveu uma live solidária, que terminou com a arrecadação de 21 toneladas de alimentos entregues à Polícia Militar para que fosse feita uma distribuição mais equitativa das doações.

Completou o Policial Militar Juliano:

“Foi muito triste quando recebi a ligação, me senti comovido pela atitude dela, principalmente pela idade e por ter feito a ligação escondido. Às vezes a gente acha que os problemas estão longe, mas na verdade estão do nosso lado. "

Viver é Perigoso

Nenhum comentário: