quinta-feira, 9 de julho de 2020

LIVRO, PRESENTE DE AMIGO

 
No decorrer da vida muitos personagens chamaram a nossa atenção. Registramos o nome e um resumo dos fatos importantes que lhe deram destaque no ficheiro do cérebro. Estou usando a quarentena para conhecer melhor alguns desses protagonistas.

Maria Thereza Goulart, moça bonita, gaúcha, que viveu com extrema intensidade, a vida política do marido Jango Goulart, Presidente da República, derrubado pelo golpe militar de 1964, que implantou a ditadura no País.

A história de Maria Thereza ganha corpo e forma na obra de Wagner William, biografia que leva o título Uma mulher vestida de silêncio – A biografia de Maria Thereza Goulart, pela editora Record.

Dezoito anos mais nova do que Jango, Maria Thereza viveria discretamente dedicada aos filhos e ao marido, quando este exercia a vice-presidência no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) e nos quase sete meses da meteórica presidência de Jânio Quadros. 

Na montanha-russa que marcaria a sua vida, aos 26 anos a primeira-dama Maria Thereza salta subitamente ao centro da cena social, exercendo fascínio e marcando época por sua beleza. 

Orientada pelo costureiro Dener, que vai ensiná-la a descobrir o próprio estilo, era apontada pela mídia nacional e internacional como uma das primeiras-damas mais belas do mundo. 

Da revista O Cruzeiro às internacionais Time, Paris Match e Stern, o interesse por essa mulher rendeu inúmeras capas e manchetes. Rivalizava em elegância com Jacqueline Kennedy e Grace Kelly, de Mônaco.

Esteve no palanque, ao lado do marido, no famoso comício da Central do Brasil acontecido em 13/3/1964, com público estimado em 200 mil pessoas, para defender as chamadas reformas de base. Segundo o discurso de Jango, Não apenas pela reforma agrária, mas pela reforma tributária, pela reforma eleitoral ampla, pelo voto do analfabeto, pela elegibilidade de todos os brasileiros, pela pureza da vida democrática, pela emancipação, pela justiça social e pelo progresso do Brasil”.

Na madrugada de 2 de abril de 1964, o golpe militar já se consumara e Jango partira para o Rio Grande do Sul. Com os filhos pequenos, Maria Thereza deixaria a Granja do Torto de madrugada, com uma pequena valise. Deixou para trás todos os pertences pessoais, inclusive joias, que seriam saqueados até por aqueles que se diziam amigos e por outros oportunistas de plantão. Partia para o exílio no Uruguai.

Jango Goulart, tomou o barco (possível infarto) na madrugada de 6 de dezembro de 1976, aos 57 anos, em sua fazenda La Villa, no município argentino de Mercedes. 

O que pensa Dona Maria Thereza sobre as circunstâncias da morte de Jango?

"Para mim continua em aberto. Não posso dizer que foi assassinado pela Operação Condor, pois as investigações não são conclusivas. Sempre vai pairar essa dúvida. Até hoje achamos estranho. "

Viver é Perigoso

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