quinta-feira, 25 de junho de 2020

MOVIMENTOS DE RUA


Com os devidos reparos, as três situações vividas, em épocas e condições diferentes, me passaram pela memória.

Em 1968, assistindo de longe uma passeata estudantil contra a ditadura, na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, aconteceu uma delas. Uma correria, uma situação de pânico e um barulho inesquecivelmente amedrontador. Uma carga da cavalaria no asfalto. Terrível. Fui parar dentro da Igreja Candelária.

Em 1974, já formado e trabalhando no centro de São Paulo, solidário e curioso, assistia a uma manifestação dos estudantes de direito da Faculdade do Largo de São Francisco. De repente, surgido do nada, sob o comando pessoal do Coronel Erasmo Dias, a tropa de choque dispara bombas de efeito moral sobre os manifestantes. De paletó e gravata, correndo, fui me refugiar na Loja do Mappin.

Hoje aconteceu o terceiro episódio, tão aterrorizador como os anteriores. Foi num Supermercado, na Boa Vista, é claro. Mais precisamente na Avenida Capitão Gomes. Também do nada, uma senhora desferiu um espirro gigantesco, expulsando para longe a sua máscara estampada de vermelho. Correria geral, acontecendo inclusive, alguns abandonos das posições de funcionárias dos caixas de recebimento. A cliente espirrante foi imediatamente cercada por jatos de álcool 70. Refugiei-me dentro do carro.

Cada tempo com o seu perigo.

Viver é Perigoso    

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