sexta-feira, 27 de março de 2020

O COMANDANTE


Na internet, chega a ser assustador as demonstrações de culto ao Jair Bolsonaro. Gente amiga e excelentes cidadãos. Continuarão amigos, sem dúvida. Não se trata de questionamento, mas de simples observação.

Falando de tempos modernos, admiração por pessoas públicas, daquelas de acompanhar com atenção e defender se preciso fosse, embora nenhum deles precisasse, tive por Elvis, Roy Orbison (a voz mais bonita que existiu), Pelé, Zico, George Harrison, Miró, Gandhi, Churchill, Mandela, Senna, Gustavo Kuerten, Sérgio Moro, Ulysses Guimarães, Paulinho da Viola, Madre Thereza de Calcutá, Martin Luther King, Sabin, Margaret Thatcher, Indira Gandhi, Golda Meir e alguns poucos que me fogem.

Políticos brasileiros, por mais que tente, não consigo. Claro, respeito por muitos, mas não tenho admiração cega.

O pessoal consegue descobrir, nas maiores abobrinhas ditas, uma revelação, uma constatação da verdade, uma previsão profética, nas falas do Capitão, que não consigo.

Foi eleito democraticamente, inclusive contando com o meu humilde voto no segundo turno, conseguiu montar um time de ministros de primeira linha, tirando um ou outro. Política econômica liberal e disposição para desmontar viciados agrupamentos recebidos de herança.

Bem situado por bater de frente com a quadrilha que infestou (e infesta) o País por quase 20 anos, por citar o Senhor Deus, cultuar a pátria e a família. Quem não quer e gosta ?

Pronuncia e adota posições, mesmo em questões complexas, por tentativas. Assopra e aguarda as manifestações pró e contra.

Um exército na retaguarda da internet.

Passa a ideia de ser tomado por um complexo de perseguição, de se achar cercado por traidores, denotando com isso, certa fragilidade emocional, que vem a ser de transcendental importância para uma liderança.

Esquece que o País é uma Federação. Trata agressivamente os governadores de Estado. Tosco no tratamento com a imprensa e aparentemente cercado por incentivadores do ódio, que alimentam constantemente as chamadas redes sociais.

O pior de tudo, que para os que acompanham razoavelmente a política, não se trata de nenhum surpresa. Há trinta anos na política, o Capitão criou fama pela falta de jeito. Não aconteceu o amadurecimento político e entender e praticar as liturgias do cargo. 

Mas é o nosso Presidente. Quem sabe não apareça alguém próximo que ele escute e lhe passe uma apostila, tipo "Como se tornar um Estadista".

Dirão : Ah! mas com aquele Congresso, com aquele STF, com a esquerda desmamada, com a mídia carente de agrados, ele está no caminho certo.

Duro é que no horizonte não se vê ninguém em melhores condições. 

Fica a certeza que os Bolsonaristas passarão a me ver com outros olhos. De desconfiados, é claro.

Mas isso passa.

Viver é Perigoso       

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