terça-feira, 17 de março de 2020

LENDO JORNAIS DE 1918


Interessante ler os jornais de 1918, mais diretamente, no período de setembro/dezembro. A imprensa, face a tragédia que assolou o país, descarregou críticas severas ao Diretor Geral da Saúde Pública, Carlos Seidel e ao Presidente da República Wenceslau Braz, que então estava encerrando o seu mandato iniciado em 1914.

Sobrou até para Itajubá;

História contada:
"A morosidade em estabelecer medidas profiláticas e as limitações estruturais que afetavam as instâncias de saúde durante o combate à epidemia de gripe despertaram a ira popular sobre diversos personagens do governo, e o próprio presidente Wenceslau Braz e o então diretor da Saúde Pública, Carlos Seidl, foram seus principais alvos. O presidente Braz fora acusado de incompetência administrativa e de não estabelecer estratégias para defender a população do mal que os ameaçava. 

No Correio da Manhã, a descrença no discurso oficial era cada vez mais explícita:
Nem precisava ser profeta. Bastava ter um pouco de bom senso e haver acompanhado a administração do sr. Carlos Seidl na Diretoria Geral de Saúde Pública, para concluir, desde logo, que, além dos males que já padecemos, outro ainda nos estava reservado: a epidemia espanhola. A primeira coisa que nos surpreendeu foi a incrível ignorância de nossa higiene a respeito dessa moléstia, que grassava com caráter francamente epidêmico na Europa. O sr. Carlos Seidl não sabia de nada! 

Em 16 de outubro de 1918, o diretor da Saúde Pública pedia em vão a censura dos jornais que acabavam por incutir crescente pânico na sociedade carioca e ameaçavam a preservação da ordem pública.

No dia 18 de outubro, o país tomava conhecimento do pedido de demissão de Seidl, que fora substituído por Theophilo Torres. 


A situação de Carlos Seidl passou a ser insustentável diante dos ataques maciços da imprensa e de vários representantes políticos da capital federal. 

Em seu discurso na Câmara Federal, o deputado Nicanor Nascimento tecia críticas a Wenceslau Braz, que, no momento crítico por que passava a capital federal, desviava fundos que poderiam ser usados no combate à moléstia para o financiamento de obras como a estrada de Itajubá. 

No dia 18 de outubro, o país tomava conhecimento do pedido de demissão de Seidl, que fora substituído por Theophilo Torres.

Em outro jornal:

Na verdade, a exoneração do ex-diretor foi resultado de fortes pressões da Presidência da República, que enviara o oficial de gabinete Elmano Cardim para cobrar contas sobre os trabalhos de combate à epidemia. Wenceslau Braz colocava a culpa da morosidade na organização dos socorros públicos e, conseqüentemente, da expansão da epidemia, nas costas de Seidl. 
Tal exoneração foi uma tentativa de dar uma resposta pública diante das críticas à impossibilidade de conter a expansão da moléstia e socorrer a população. Foi, conseqüentemente, uma forma que as elites dirigentes, mais diretamente Wenceslau Braz, encontraram para tentar diminuir suas perdas políticas diante do colapso social que se instaurara.

Viver é Perigoso

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