terça-feira, 31 de março de 2020

A REVOLUÇÃO


Publicado no "Viver é Perigoso" no dia 1º de abril de 2012

Tinha eu 16 anos mas lembro muito bem. Tirando o pessoal que cercava o Jango, todo o país ansiava pelo golpe militar. Não tinha outro modo de colocar a casa em ordem. O problema foi que depois do Marechal Castelo Branco, os militares pegaram gosto pelo poder. O regime durou muito mais do que o necessário.

A história conta: 

Na madrugada do dia 31 de março (1964), as forças do general Mourão Filho deixaram Juiz de Fora, sede da IV Região Militar, indo em direção ao Rio de Janeiro sem encontrar resistência.

A IV Divisão de Infantaria, reforçada por dois outros regimentos vindos de Belo Horizonte e São João del-Rei, terminaram por se confraternizar no meio do caminho com as guarnições do I Exército que haviam partido da ex-capital federal com a missão de confrontá-la.

Revolução, até então, sem tiros, feridos ou mortos.

O General Olympio Mourão Filho declarou certa vez: "Em matéria de política sou uma vaca fardada".

Ele escreveu no final dos anos 60 ou início dos anos 70, sem conhecer quase ninguém dos atuais homens públicos (exceto o eterno Sarney):

"Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso".


Olympio Mourão Filho - Livro " Memórias: a verdade de um revolucionário"

Viver é Perigoso

Um comentário:

Anônimo disse...

Verdade! Os idiotas e mediocres estao nos dominando em todos os seguimentos, sao como virus, criados no vinho e no blsblabla