quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

O COMUNISTA DE ITAJUBÁ


No início de abril de 1932, manifestos comunistas foram distribuídos pelas ruas de Itajubá.

No dia 16 de abril de 1932 foi nomeado o diretório comunista local, com o nome de Centro Trabalhista Itajubense. Um jornal foi fundado com o nome de "A Tribuna Proletária".

O líder comunista do município era o ex-sargento e fotógrafo, Francisco Gonçalves Moura, que ficou conhecido como Sargento Moura.

Sua vida não foi fácil, como de se esperar. Itajubá, cidade conservadora e religiosa, via com péssimos olhos a novidade. Pressão em cima.

A gráficas locais se recusaram a imprimir  "A Tribuna Proletária". O trabalho era feito em cidades vizinhas, despachados de trem e atirados pela janela antes de chegar na Estação. A polícia esperava.

No dia seguinte era distribuído clandestinamente pela cidade.

Aconteceu um comício liderado pelo Sargento Moura. O Cel Menezes, do Batalhão, mandou prender o comunista, que foi despachado para o Rio de Janeiro. Foi libertado logo e voltou para prosseguir com sua luta na cidade.

No dia 31 de dezembro de 1932 (imaginem, passagem do ano), num sábado animado, aconteceu, quando de uma panfletagem na Rua Nova, uma violenta briga entre os comunistas e seus adversários. A polícia interveio e prendeu todo mundo. Soltaram todos depois e antes não tivesse acontecido.

Na noite do mesmo dia 31/12/32, um grande comício foi promovido pelos não comunistas na Praça Wenceslau Braz. Protesto forte e discurso inflamado de políticos e de cidadãos ligados à Igreja.

De repente, tiros aconteceram, segundo informações da época, por iniciativa e provocação do Sargento Moura e seus parceiros.

Muitos foram feridos, inclusive o Sargento Moura, todos recolhidos e atendidos na Santa Casa de Misericórdia.

O saldo da confusão foi trágico. Foi morto com tiros o estudante de engenharia Joaquim Rodrigues Pinto Filho.

Triste começo comunista em Itajubá.

(dados Armelim Guimarães)

Viver é Perigoso  

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