domingo, 23 de fevereiro de 2020

ESTOU SÓ DE PASSAGEM


Mineiro adoece longe de sua terra. Adoece de saudade. De fatal saudade. 

Vai se sentindo esquisito, estranho, isolado quando é condicionado a morar em outro Estado. 

Sente falta da rua que ele passou a infância, do bairro cujas saídas ele memorizou, da cor do céu, das nuvens, das frutas e, em especial, do jeito afetuoso e protetor das pessoas. 

Até aguenta ficar um tempo afastado, para um trabalho, um curso, um romance, desde que seja com uma duração planejada e previsível. Nunca se desfaz de suas bagagens por dentro.

O maior patrimônio do mineiro é a família. Sem ela por perto, ele se desorienta. Nem cartas remediam, nem Face-Time diminui a angústia, nem telefonemas consertam a alma. 

Não é uma gripe, é saudade de doer o peito e encolher os ombros, de exigir uma cadeira para sentar tamanho o aperto no coração. Ele não anda fora dos trilhos de seu lar

Ao viajar, o mineiro ficará feliz ao comprar a passagem de volta. Só com a data garantida de retorno será capaz de aproveitar a estada. Não consegue permanecer muito tempo longe de casa. 

(Extraído de crônica do Fabrício Carpinejar)

Viver é Perigoso

2 comentários:

Maria Paula Feichas disse...

Estou vivendo isso. Realmente a saudade aperta, é grande e faz adoecer - sem sintomas ou reações.

E fica o registro: tenho constatado que somos mesmo especiais em terras 'esquisitas'. Mineiro é muito querido!

Posso levar alguns anos para o retorno, mas ele é certo!

Edson Riera disse...

Maria Paula,

Você faz falta. Sempre comento isso em casa e com amigos. Tenho comigo que não levará tanto tempo para viver e estar feliz na nossa terra.

Não temos condições de prescindir de pessoas como você.

Abraço

Zezinho