sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

BRASILEIROS !

O manifesto de fundação do PT foi lançado no dia 10 de fevereiro de 1980, em encontro realizado no Colégio Nossa Senhora do Sion, tradicional instituição de ensino básico localizada no bairro de Higienópolis, na região central da cidade de São Paulo. 

A ficha de filiação número um foi assinada por Apolônio de Carvalho.

Não se trata de concordância com ideologia. Trata-se da citação de um brasileiro que teve uma participação importante na história.

Apolônio de Carvalho, nasceu em Corumbá em 1912, filho de um soldado sergipano e de mãe gaúcha.

Em 1933 já era oficial do Exército. Dois anos depois ajudou a criar a ANL - Aliança Nacional Libertadora. Frente de esquerda composta por setores de diversas organizações de caráter anti-imperialista, antifascista e e antiintegralista (congregando comunistas, alguns tenentes, operários e intelectuais de esquerda).

Preso em 1936 pelo governo de Getúlio Vargas, teve sua patente militar destituída e é expulso do Exército. Com a saída da prisão em junho de 1937, Apolônio ingressa no Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Sob orientação do Partido embarcou para a Espanha onde, combateu nas Brigadas Internacionais ao lado das forças Republicanas contra os fascistas liderados pelo general Francisco Franco.

Apolônio deixa a Espanha juntamente com as Brigadas Internacionais em fevereiro de 1939 e parte para a França, onde permanece em campos de refugiados até maio de 1940, quando consegue fugir do Campo de Gurs, dirigindo-se a Marselha.

É nesta cidade portuária que ele ingressa na Resistência Francesa, em 1942, da qual se torna comandante da guerrilha dos partisans para a região sul, com sede em Lyon. 

Também em 1942 que conhece Renée France Laugery, uma jovem de 17 anos, militante comunista da Resistência, que se tornaria sua companheira para o resto da vida. Em 1944,
nasce o primeiro filho do casal, René-Louis.
Por sua coragem, Apolônio é considerado um herói na França, onde foi condecorado com a Legião de Honra.

O fim da guerra encontra a família em Paris, de onde embarcam no ano seguinte para o Rio de Janeiro. Em 1947 nasce o segundo filho do casal, Raul. 

Apolônio, Renée e as duas crianças passam a viver na clandestinidade, militando entre Rio e São Paulo até 1953, quando ele parte para um curso na União Soviética que dura cerca de quatro anos. Em 1955, Renée o encontra em Moscou e, em 1957, a família está de volta ao Brasil, vivendo na semi-legalidade, situação que se estende até o golpe militar de 1964.

Logo após a Revolução de 1964, Apolônio passa a viver em profunda clandestinidade no estado do Rio de Janeiro, longe da família. 

Em conseqüência das divergências com o Comitê Central do Partido Comunista (do qual era membro) Apolônio deixa o PCB, em 1967. Em 1968, Apolônio e outros dissidentes, fundam PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário).

Em janeiro de 1970, Apolônio foi preso no Rio de Janeiro. Em fevereiro, os filhos Raul e René-Louis também são presos.

Em junho, Apolônio e outros 39 presos políticos brasileiros chegam a Argel, trocados pelo embaixador da Alemanha Ocidental, sequestrado no Rio de Janeiro. 

Seu filho René-Louis será libertado em 1971, trocado (juntamente com 69 outros presos políticos) pelo embaixador da Suíça. Em 1972, Raul sai da prisão, quando a família se reúne em Paris.

A volta ao Brasil será em outubro de 1979, depois da Anistia de agosto daquele ano.

Em fevereiro de 1980, participa da fundação do PT, permanecendo ma direção do Partido até 1987, quando se afasta por orientação médica.

Apolônio, tomou o barco em setembro de 2005, no Rio de Janeiro.

Viver é Perigoso

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