quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

A MARCHA DA INSENSATEZ


"A Marcha da Insensatez", da maior historiadora americana Barbara W. Tuchman, foi publicado em 1984. Para ler, reler e assustar-se. Em tempo, a autora foi laureada com o Prêmio Pulitzer por duas vezes.

Obra para ser lida e relida, dedicada aos que se interessam pelos caminhos da humanidade e procuram explicações para a insensata adoção, por muitos governantes, de políticas contrárias aos seus próprios interesses.

Como entender que, com poder de decisão política, alguns ajam tão frequentemente de forma contrária àquela apontada pela razão e pelos próprios interesses em jogo? Por que o processo mental dessas inteligências, também tão frequentemente, parece não funcionar ?

O último capítulo do livro oferece ao leitor conclusões bastante melancólicas sobre os relatos e feitos analisados. Uma dessas conclusões sustenta a tese de que, entre as causas que mais contribuem para a insensatez política, a principal é a ambição do poder.

A ambição do poder é definida por Tácito como sendo a "mais flagrante de todas as paixões". Ela só se satisfaz quando exerce o poder sobre os demais seres humanos. Governar acaba sendo a melhor forma de exercer o poder sobre as pessoas.

Ganhar muito dinheiro, ou conseguir muita fama, também oferece satisfação de poder.  Embora o dinheiro lhes propicie alta posição social e luzes de fama, fica faltando o domínio sobre os demais. O real domínio, que só o ato de governar lhes oferece! O domínio sobre os outros significa, para os governantes, o verdadeiro poder que ambicionavam. Por isso desejam-no ardentemente e conquistam-no a duras penas. Depois, lamentavelmente, se revelam incapazes de exercê-lo sobre si mesmos.

Nenhuma alma, segundo Platão, consegue resistir ao excesso de poder. Para livrá-la da insensatez, só a garantia das leis. Sem essas garantias, o excesso de poder conduz à desordem e à injustiça. Toda a insensatez começa assim...

No mundo de hoje, qualquer titular de governo enfrenta muitíssimos problemas. Às vezes, fica difícil a compreensão clara e sólida de muitos deles.  Além disso, o grupo que cerca o chefe só age em função de decisões que possam lhe garantir prestígio político e força eleitoral. E, dizia Maquiavel, "se ele fica à mercê do grupo que o cerca, ele abre caminho para uma situação que alguns estudiosos definem como "estupidez protetora".

A estupidez protetora é a responsável pelo fato do titular do governo não fazer muitas perguntas, não escutar pacientemente as respostas e não ficar irado quando verifica que lhe ocultaram a verdade.

Misteriosas e oportunas pesquisas de opinião dão a entender que o povo está feliz, achando que tudo vai bem. 

De onde vem, então, essa apregoada visão positiva de um governo tão vulnerável ?

Vem da força da propaganda. (e do silêncio imposto aos poucos questionadores)
 
(trechos de artigo da Sandra Cavalcanti)

Viver é Perigoso

Um comentário:

Anônimo disse...

Uma vez perguntaram ao Deputado Paulo Maluf o por que de sua contínua ambição por cargos políticos.Depois de tantos anos, idoso, rico, realizado, por que continuar na política e ser acusado de tudo e por todos. Passar por situações até vexatórias como prisão? Resposta: ' Nada, nada mesmo se iguala a sensação de poder" observador de Cena