quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

OUTROS TEMPOS


Passagem da visita do presidente Getúlio Vargas a Belo Horizonte”. Eis o que se publica: 

“Quando Sara Kubtischek soube que a primeira dama Darcy Vargas gostava de ouvir anedotas, chamou o Cel. Afonso Heliodoro: “coronel, vou oferecer um chá às cinco horas lá no Palácio da Liberdade. Reunir senhoras da nata da sociedade em torno de dona Darcy. Quero muita alegria! Ela adora ouvir piadas. Você poderia trazer o Thales ? O Juscelino me disse que ele é o melhor contador de piadas que temos”.

Afonso: “tudo bem, dona Sarah. Mas se ele tiver bebido, acho melhor pensarmos em outra pessoa”. Ela, incisiva: “que nada, Afonso! Traga ele de qualquer jeito”!”.

O tempo era curto. Foi direto à casa do amigo Thales da Rocha Viana, sujeito bom e espirituoso, divertido e irreverente. Amava uísque e livros. De JK: “um boêmio adorável”. Ele tinha tomado todas. Não queria ir. Só consentiu depois de muita insistência.

Comprido, magro, meio desajeitado, conseguiu equilibrar-se para vestir um surrado terno cinza amarfanhado, cheiro de naftalina, de mangas muito curtas, os punhos da camisa branca para fora. Só precisou de ajuda para botar uma velha gravata vermelha. Chegaram exatamente às cinco.

Muita gente, muitas luzes, muita cor e movimento, discrição. Clima de respeito e reverência à primeira dama do Brasil. Formou-se uma roda. Sarah: “dona Darcy, amigas, este é o Thales, nosso maior contador de anedotas”. E ele: “só de bunda sei 59”.

Coluna Manoel Hygino 

Viver é Perigoso

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