segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

GESTÃO TEMERÁRIA - SINAL DOS TEMPOS


Passou um pouco desapercebida a denúncia oficializada no dia 29 de dezembro/2019 pelo Ministério Público. Um pouco diferente das denúncias habituais.

O força-tarefa da  Operação Greenfield no Ministério Público Federal (MPF) denunciou,  29 ex-gestores de fundos de pensão por gestão temerária. De acordo com a denúncia, os ex-gestores causaram prejuízo de R$ 5,5 bilhões aos fundos de pensão Petros, dos funcionários da Petrobras; Funcef, dos colaboradores da Caixa Econômica Federal; Previ, dos funcionários do Banco do Brasil; e Valia, dos trabalhadores da Vale.

Atenção: A ação apura apenas o crime de gestão temerária praticado pelos administradores dos fundos. Caso demonstrada a ocorrência de corrupção, novas denúncias poderão ser apresentadas.

Lembrando, a "Operação Greenfield" é uma operação deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, em setembro de 2016, que investiga um desvio dos fundos de pensão, bancos públicos e estatais.

Os procuradores denunciam que os ex-gestores ignoraram os riscos dos investimentos, as diretrizes do mercado financeiro, do Conselho Monetário Nacional, dos regimentos internos dos fundos, e não realizaram estudos de viabilidade sobre os aportes.

Os crimes foram praticados entre 2011 e 2012 e consumados até 2016, quando ocorreram os últimos aportes no Fundo de Investimentos e Participações (FIP) Sondas. O FIP Sondas é um veículo de investimento da empresa Sete Brasil Participações. A Sete seria responsável pela construção de sondas, unidades de perfuração, que viabilizariam a exploração do pré-sal.

A Sete Brasil, que surgiu após a descoberta do pré-sal, em 2006, acabou sendo contratada para a construção de 28 sondas.

Com a aprovação do Governo Federal, a Petrobrás foi quem procurou os fundos de pensão para que investissem no FIP Sondas (Fundo de Investimentos e Participações), um veículo de investimento da empresa Sete Brasil Participações.

Os aportes dos fundos de pensão na empresa deveriam acontecer de 2011 a 2019. Mas,  os investimentos foram antecipados, sendo integralmente aportados em 2016, sem a conclusão do projeto.

Pois bem: Em junho de 2016, a Sete Brasil entrou em recuperação judicial com endividamento de 19,3 bilhões de dólares.

Em dezembro/2019, a Petrobrás, decidiu pelo encerramento dos contratos relativos a construção de 24 das 28 sondas, bem como a saída da empresa e suas controladas do quadro societário das companhias do grupo Sete Brasil e do FIP Sondas. 

Viver é Perigoso

Um comentário:

Anônimo disse...

Megalomania petista com o pré sal e achar que podiam tudo. Desde 2017 os participantes desses fundos estão sendo chamados a pagar os déficits com contribuições que chegam a 25% das aposentadorias. Cadeia é pouco para essa turma. Tem, de novo, que chegar nas cúpulas dos (des) governos petistas.