sexta-feira, 22 de novembro de 2019

OS TEMPOS ERAM OUTROS

Cerimônia na Sé - Memória do Vladimir Herzog (out/1975)
No dia 24/10/1975, o jornalista Vladimir Herzog, diretor da TV Cultura, de origem judaíca e com 38 anos se apresentou (voluntariamente) no Doi-Codi em São Paulo para "prestar esclarecimentos" 

No dia seguinte (25/10) o pessoal do exército comunicou que ele teria posto fim a vida na prisão.

Na verdade, conforme comprovado, Vlado, como era conhecido, faleceu devido a tortura, aos maus tratos.

A tradição judaica manda que suicidas sejam sepultados em local separado. Mas quando da preparação dos corpo segundo os preceitos do judaísmo o rabino Henry Sobel, líder da comunidade, viu as marcas da tortura. Assim, foi decidido que Vlado seria enterrado no centro do Cemitério Israelita do Butantã, o que significava desmentir publicamente a versão oficial de suicídio. 

Junto a D. Paulo Evaristo Arns e ao reverendo James Wright, Sobel celebrou um ofício inter-religioso em homenagem ao jornalista, de origem judia, em 31 de outubro de 1975, na Catedral da Sé. A celebração reuniu cerca de oito mil pessoas e foi considerada uma manifestação importante para a derrubada da ditadura.

Pois bem, importante personagem nessa etapa da vida brasileira, o rabino Henry Sobel, tomou o barco na manhã desta sexta-feira (22/11/2019), em Miami, no EUA.

Nascido em Portugal e criado em Nova York, Sobel chegou ao Brasil em 1970. Rabino emérito da Congregação Israelita Paulista, destacou-se como uma "voz firme em defesa dos direitos humanos no Brasil".

Em 2007, em Palm Beach, sob remédios psiquiátricos foi denunciado por ter levado algumas gravatas de uma loja sem o devido pagamento. Sobel, inclusive foi internado por transtornos.  Assunto superado.

Deixa uma filha brasileira, Sra. Alisha Sobel Szuster. 

Os tempos eram outros.

Viver é Perigoso

ENTÃO É NATAL !



Manchetes do jornais: Confiança em retomada da economia faz emprego reagir. País cria 70,8 vagas formais em outubro. Comércio lidera contratações.

Na terrinha, também já contando com as eleições municipais do próximo ano, o natal deve ser gordo. Aliás, gordíssimo. Firme sob o lema "festa é com nós mesmo", a prefeitura já assinou o contrato 086/2019  com a empresa Lumear Iluminação e Decoração Ltda, de São Bento do Sapucaí, para decorar o lago e a cidade.

R$ 350.000,00 - Isso mesmo ! Trezentos e Cinquenta Mil Reais. O que vai ter de bolas, botas, lampiões e estrela é uma grandeza.

Escondam os animaizinhos domésticos, pois a marca registrada da administração não deve faltar. Sonoros e abundantes foguetório.

Ah ! tudo começa com a Parada Natalina promovida pela CDL no 11 de dezembro.

Um prêmio para quem adivinhar os personagens que abrirão a tradicional Parada Natalina. Claro, sorrisinhos simpáticos e acenando para o público extasiado.

Assunto levado a sério. Funcionários de alto escalação, da Comunicação e Turismo, nomeados através de Portarias para gerenciar o detalhamento do festão. Afinal, como é natal, todos devemos nos desarmar e manter os espíritos elevados. Planejar 2020 não deve ser pecado.

Viver é Perigoso   

DE NOVO LAVRAS


O MEC está destinando R$ 8,6 mi para usinas solares em escolas federais de Minas.

Serão beneficiados os Cefets de Araxá (Alto Paranaíba), Divinópolis (Centro-Oeste), Leopoldina (Zona da Mata), Timóteo (Vale do Aço), Varginha e Nepomuceno (Sul do estado), Curvelo (Região Central) e Contagem (Região Metropolitana de BH).

Aliar economia de gastos públicos à sustentabilidade, mas sem perder de vista a receita tão cobrada pelo Ministério da Educação (MEC) cuja base é a eficiência. Essa equação vai garantir a instituições federais de educação profissional e tecnológica verba de R$ 60 milhões para aquisição e instalação de 852 usinas fotovoltaicas. A expectativa é gerar economia de R$ 17,7 milhões anualmente em contas de energia elétrica. Em Minas Gerais, seis instituições vão receber o recurso e abocanhar R$ 8,6 milhões (14,4% do total).

O ministério acredita que a economia será revertida ao ensino, pesquisa e extensão dos campus. Somente em 2018, as instituições gastaram R$ 168 milhões com energia elétrica. 

A Universidade Federal de Lavras (Ufla), no Sul de Minas, é citada como exemplo.

É considerada modelo de gestão, figurando no primeiro lugar, entre as universidades, no Índice Integrado de Governança e Gestão Públicas (IGG), levantamento feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para medir a capacidade das instituições públicas federais de gerir seus bens. O MEC avisou que essa pontuação será determinante na repartição de verbas. Ela está instalando uma usina fotovoltaica e, somente o primeiro módulo vai responder por 15% de toda a energia da Ufla, diminuindo os gastos. Com o tempo, a ideia é não apenas suprir os recursos do câmpus, mas também vender energia para a Cemig.

Viver é Perigoso

VISÃO DE FUTURO


Uma leve mensagem com o poder de crítica de uma bomba. Entendemos que o objetivo não é tornar a Universidade privada (êpa!), mas sim autossuficiente.

Viver é Perigoso

FAKE, MAS ENGRAÇADO

Blog : www.aleivosiascomlimao.blogspot.com  

É A VIDA...


E não é por falta de fé, muito pelo contrário. Mas a vida e o avanço da tecnologia tem levado a questionar, analisar e até decidir sobre momentos cruciais que nos cercam. Uma questão difícil de discutir.

Deu na Folha de São Paulo:

Algoritmos de inteligência artificial já são capazes de predizer a qualidade de vida futura de pacientes oncológicos graves, o que pode ajudar doentes, médicos e familiares a decidir por cuidados paliativos em vez de por terapias mais agressivas.

A conclusão é de um estudo inédito da Faculdade de Saúde Pública da USP realizado em dois hospitais oncológicos paulistas, com 777 pacientes com câncer avançado internados na UTI.

Os modelos acertaram em até 82% dos casos se o paciente vai viver mais ou menos de 30 dias com qualidade de vida —por exemplo, com dor e outros sintomas controlados.

Em dois anos do estudo, 66% dos doentes morreram, e 45% deles tiveram qualidade de vida de até 30 dias. A sobrevida média foi de 195 dias, dos quais 70 com qualidade de vida.

O trabalho científico, o primeiro sobre predição de qualidade de vida de doentes com câncer, foi publicado no periódico científico internacional Journal of Critical Care.

Hoje, há algoritmos que fazem boas previsões sobre as chances de mortalidade desses pacientes, mas não conseguem prever com precisão a qualidade de vida deles até o fim.

Essa informação, segundo os pesquisadores, é importante para se decidir se vale a pena insistir em mais tratamentos ou partir para os cuidados paliativos —atualmente recomendados para serem iniciados tão logo haja o diagnóstico de uma doença incurável.

“Os médicos ficam com um pé atrás se o melhor é investir na qualidade de vida ou continuar com tratamentos agressivos. É sobre essa decisão que a gente está tentando ajudar com inteligência artificial", diz Alexandre Chiavegatto Filho, professor da USP e coordenador da pesquisa.

O estudo foi feito em parceria com médicos intensivistas do HCor (Hospital do Coração) que já estudavam a sobrevida e o tempo de qualidade de vida dessa coorte de pacientes.

Segundo a pesquisadora Hellen Geremias dos Santos, autora principal do estudo, "hoje há uma discussão sobre até que ponto vale a pena admitir um paciente com câncer, gravemente enfermo, em uma UTI, o quanto isso vai trazer um benefício adicional a esse paciente, ou se vale a pena realizar o cuidado paliativo no domicílio”. 

Para a médica Maria Goretti Maciel, diretora do serviço de cuidados paliativos do Hospital do Servidor Público Estadual, preditores baseados em sinais físicos são importantes, mas é fundamental levar em conta questões subjetivas que envolvem a pessoa com um câncer avançado.

“Cadê a percepção do doente? Ou de alguém muito próximo dele, se ele não puder falar? Às vezes, o doente tem um estímulo a mais e isso muda a tua decisão. Quando você só usa isso [modelos matemáticos], você perde toda a subjetividade da decisão.”

Ela cita o psiquiatra espanhol Diego Gracia, uma dos maiores pensadores atuais na bioética, que diz que toda decisão implica naturalmente na observação dos fatos, mas ela jamais será prudente se, junto com isso, não forem observados os valores.

“Durante todo o processo de deliberação sobre cuidados paliativos, a gente se apoia também em dados clínicos, mas também em valores do paciente, da família, em intuição da equipe. Isso se chama arte médica. Se você usa somente fatos clínicos para te apoiar na decisão, você perde metade da sua capacidade de decisão.”

Viver é Perigoso

PERDIDO

Viver é Perigoso