segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

MOMENTOS MÁGICOS



Viver é Perigoso

FORO ÍNTIMO


"Por questão de Foro Íntimo deixamos de comentar o assunto"

Viver é Perigoso

A cidade de Roma teve uma fase de desenvolvimento em que as praças localizadas fora da zona mais antiga foram integradas na zona urbana. Cada uma dessas praças tinha o nome latino de forum [fórum]. 

Nessas praças, realizavam-se os mercados e tinham lugar os julgamentos públicos. Os habitantes da cidade acorriam a essas praças para apreciarem as argumentações dos oradores intervenientes.

A palavra latina forum deu lugar à palavra foro, que se usa em relação à justiça e aos tribunais. Também se usa a forma divergente fórum, que evoluiu por via erudita

Na sequência da utilização da palavra foro, surgiu a expressão foro íntimo, que significa "julgamento da consciência acerca de coisas morais" e "a própria consciência" 

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Viver é Perigoso

VENTOS DE GUERRA


Assistindo pela TV um trecho da primeira reunião ordinária da Câmara Municipal, após a aprovação do reajuste salarial dos Senhores Vereadores.

Sobre o episódio, confesso que ainda não havia visto tamanha reação nas chamadas redes sociais. De uma agressividade impar, confirmando que o povo não aguenta mais, de uma forma geral, os políticos.

Comentou na reunião, com propriedade, o Vereador Joel da Guadalupe:

- Se acontecer uma votação na cidade para decidir se fecha a Câmara de Vereadores ou não, o "sim" terá quase 100% dos votos.

Creio, que exagerando, se acontecesse hoje uma consulta pública equivalente,  com relação ao Legislativo Estadual, ao Congresso e até mesmo ao STF, o resultado não seria diferente.

Mas, mesmo discretamente, o mais importante pronunciamento da noite foi feito pelo Vereador Cleber David, que inclusive votou contrário ao reajuste aprovado. 
Observou que não seria  justa a ligação entre o reajuste salarial dos vereadores e a situação difícil enfrentada pela saúde municipal. Citou o valor de R$ 2,6 milhões devolvidos no final do ano, pelo então Presidente Joel da Guadalupe à Prefeitura. Valor que entrou nos cofres da Administração e ninguém sabe exatamente onde foi aplicado.

Blog: Aí está um justo, correto e obrigatório questionamento que deveria ser feito ao Executivo, não por um operante vereador independente, mas em conjunto por toda a Câmara Municipal. 
Aceitável, caso tenha sido usado para reparar parcialmente a falta dos obrigatórios repasses do Governo do Estado. Inadmissível, neste momento complicado, ter sido utilizado para a festa de aniversário da cidade. Tomara que não.

Viver é Perigoso    

DEVAGAR COM O ANDOR


Muitos não cansam de repetir: 

- Não entendemos como os petistas não caem na real e apesar de tudo não dão o braço a torcer e seguem defendendo seus líderes. Será que não enxergam ?

Explicação : Pregaram tanto sobre as qualidades do partido, das pessoas e das suas administrações e se enterraram tanto nas propagandas e expuseram tanto as suas crenças, que não tem como sair sem admitir que foram enganados. Passam por fanáticos.

- Também não entenderemos como os Bolsonaristas extremos admitirão que foram com força demais no pote. Seguirão defendendo o Capitão Bolsonaro e sua família, contra tudo e contra todos, mesmo que aconteça um insucesso na Administração Federal.

Voz da Experiência : Melhor continuar apoiando, com otimismo controlado. Caso contrário, pela exposição entusiasmada, corre-se o risco, em caso de decepção, agir como os petistas de hoje, não admitir um indesejável óbvio. Podem passar por fanáticos.

Viver é Perigoso      

CUBA : AGONIA DE UMA REVOLUÇÃO


Pelo menos 30 movimentos guerrilheiros surgiram na Amérca Latina desde que triunfou a revolução cubana até o fim dos anos oitenta.
Hoje não resta nenhum, salvo o ELN da Colômbia, transformado em organização criminosa. 

A revolução − esse fantasma que hoje parece abandonar o continente − cativou os melhores políticos, artistas e intelectuais de sua época, e uma literatura esplendorosa brotou sob sua sombra. Até o cristianismo participou de seu feitiço justiceiro com a teologia da libertação. 

Mas essa fé hoje parece encerrar seu reinado. Dela restam, quando muito, discursos vazios, promessas e slogans que, de tanto ser repetidos sem nunca ser realizados, perderam seu sentido.

Para esses que sempre combateram a revolução, porque desde o início ela atentou contra seus interesses e os teve como inimigos declarados, sua morte é motivo de celebração. Mas lhes convém manter viva a ideia de sua ameaça, para que assim possam se apresentar como guardiães das maiorias e conservar o poder. 

Para aqueles que, por outro lado, acreditaram que outro mundo era possível e que a fraternidade poderia vencer o egoísmo, constatar que seus desejos alimentaram a intolerância, o abuso e a pobreza dói e tira a fala. Deve ser por isso que hoje a esquerda honesta está muda.

Com a queda da URSS veio o Período Especial, que os cubanos não esqueceram mais. Enormes dificuldades.

O petróleo e a comida voltaram a Cuba com a chegada de Hugo Chavez à presidência da Venezuela. 

Chávez viu em Fidel a figura de um pai, de um modelo, de um guia. Quis seguir seus passos e reviver à sua maneira o sonho de revolução que agonizava adicionando a ele o sobrenome “bolivariana”. Comprou Governos em toda a América Latina enquanto o preço do petróleo estava nas nuvens e os somou ao chamado socialismo do século XXI, quando o certo é que o capitalismo já tinha triunfado e o dele não era nada mais que a triste caricatura de um fato histórico que se apagava. A revolução já não tinha artistas, nem intelectuais, nem poesia, nem fé.

Fidel encontrou em Chávez um filho como o que muitos cubanos têm no exterior, de onde lhes mandam dinheiro para sobreviver. Por mais duro que seja reconhecer isso, o sonho de socialismo e de dignidade de Cuba sempre foi financiado por outros.

Com a Venezuela, todos sabem o que aconteceu.

A Igreja revolucionária cubana está repleta de sacerdotes profissionais que já perderam a fé e de gestos que, desprovidos de significado, hoje parecem momices. Ninguém vive lá nem do cartão de abastecimento mensal nem do salário que o Estado paga. Alguns resumem assim: “Aqui uns fingem que trabalham e outros fingem que lhes pagam”. 

O processo de degradação não é novo, mas agora está em uma fase terminal. Ninguém fala de socialismo. 

A esta altura, é um regime político em que ninguém acredita. Foi morto por seu orgulho, seu autoritarismo, sua burocracia. O iluminismo, a arrogância, o controle. Queria ser o mundo novo e se tornou um mundo velho. Faz tempo que seu objetivo não é a justiça, e sim a sobrevivência. Não saem em sua defesa os espíritos ousados e desrespeitosos. 

Apesar de tudo, em Cuba houve uma tentativa, uma atrevimento, uma esperança e uma pretensão que deve voltar a nos encarar mais cedo do que tarde, porque o ser humano pode renascer depois do fracasso, mas a renúncia a toda a ilusão o mata para sempre. 

A tarefa de manter vivo o espírito de uma comunidade, de fazer com que cada homem também seja responsável pelos outros e assegurar que a liberdade de cada indivíduo não seja inimiga da liberdade de outros, ainda está de pé. Para torná-la crível, é indispensável se atrever a pensar de novo. Deixae para trás sem complexos aquela esquerda fracassada e pervertida.

Acabar com esse matrimônio envenenado, para poder se apaixonar autenticamente outra vez.

Patricio Fernández

Viver é Perigoso

O PODER POR TRÁS DO TRONO


Muitos governantes têm à sua sombra um homem frio, discreto e leal que, por sua capacidade de observação e análise, os orienta sobre o que pensar, dizer ou fazer. É o poder por trás do trono. 

O cardeal Richelieu (1585-1642) foi esse homem para o rei Luís 13 na França do século 17. O chanceler Otto von Bismarck (1815-1898), para o imperador Guilherme 1º na Alemanha do século 19. E o folclórico Rasputin (1869-1916), para o czar Nicolau 2º na Rússia - nem sempre o trono se dá bem.

No Brasil, José Bonifácio (1763-1838) foi uma das forças por trás do príncipe d. Pedro no Fico e na Independência. 
O poeta Augusto Frederico Schmidt (1906-1965) soprou a Juscelino Kubitschek, entre outras, o “50 anos em 5”. 
Mas ninguém bate o advogado Jorge Serpa (1923-2019): pegava o telefone e falava diretamente com JK, Jango, Tancredo, Collor, Itamar, Sarney e FHC. Era um homem de grande influência. Mas apenas dez amigos o levaram ao túmulo outro dia.

Hoje, no Brasil, temos um candidato a esse posto. É o vereador Carlos Bolsonaro (PSC), atualmente em seu quinto mandato na Câmara Municipal do Rio - cidade que ele abandonou, e logo agora, em que ela passa por uma crise atrás da outra. 

Para que serve um vereador? Para legislar, fiscalizar e morder os calcanhares do prefeito ou, ao contrário, lhe fazer festinhas. Não lhe compete tapar buracos, mas pode obrigar o alcaide a tomar providências. Suas ocupações compreendem desde o Orçamento anual até a ocupação irregular das encostas e o esgoto entupido. Sua jurisdição é municipal. Só deveria ir a Brasília a passeio, e olhe lá.

Mas Carlos Bolsonaro, filho do presidente, não sai do Planalto e não larga o pai por um instante. Tuíta desaforos, demite ministros, desmoraliza generais. Deve julgar-se um Richelieu, um Bismarck mirim. Mas, pelo ritmo da tragédia, está fazendo lembrar Brutus, que César via como um filho.

Ruy Castro

Viver é Perigoso