terça-feira, 18 de junho de 2019

UM DIA QUE O BRASIL PAROU


Eu estava completando 5 anos de idade e morava na casa, até hoje existente, ao lado da Padaria Boa Vista.

Na manhã do dia 28 de setembro de 1952 o Brasil parou. Viria a parar novamente em agosto/1954 por ocasião da morte do Getúlio Vargas.

Estava dando no rádio (tv só em sonhos) que o cantor e maior ídolo nacional, Chico Alves, havia falecido na noite anterior num hospital de Taubaté.

Voltando de São Paulo para o Rio de Janeiro após um show, dirigindo o seu Buick e acompanhado pelo amigo Haroldo Alves, sofreu um acidente chocando-se de frente com um caminhão com placa do Rio Grande do Sul. O desastre aconteceu na Rod. Presidente Dutra, no km 102,5, na divisa de Taubaté com Pindamonhangaba, por volta das 18:00 horas.

Francisco de Morais Alves, nasceu no Rio de Janeiro em 19 de agosto de 1898. Tomou o barco aos 54 anos de idade. Considerado na época o maior astro do País e chamado de Chico Viola, o Rei da Voz. 

Começou a cantar profissionalmente em 1918 e deixou uma produção de mais de quinhentos discos.

Com 22 anos casou-se com Perpétua Guerra Tutoia, dançarina de um cabaré da Lapa, separando-se uma semana após. Nunca oficializou o desquite. Depois de uma batalha judicial, em 1957, o STF considerou Perpétua a sua única herdeira. 

Em 1939, Chico Viola fez a primeira gravação da antológica Aquarela do Brasil, do Ary Barroso.

Seguindo para o Rio, o corpo do artista foi velado na Câmara Municipal; uma multidão de fãs e curiosos acorreu ao lugar, para se despedir da celebridade desaparecida, além de artistas, autoridades e um representante do então presidente Getúlio Vargas; mesmo durante a madrugada do domingo para a segunda-feira as filas diante do legislativo municipal não deixavam de crescer.

No dia 29 de setembro, segunda-feira pouco após as 11 h da manhã, o cortejo seguiu rumo ao Cemitério de São João Batista, seguido por multidão estimada em mais de cem mil pessoas, num espetáculo comovente. Muito choro e emoção.

Lembro-me bem: era dia do meu aniversário e não teve clima para o tradicional bolo, parabéns e visita dos primos, tios e avós.

Viver é Perigoso

2 comentários:

Anônimo disse...

Falta de assunto Senhor Zela Dor?
Ou é melhor não ficar mexendo com os milicos??? kkkkkk

ANSELMO disse...

Belo texto.
Parabens