sábado, 23 de fevereiro de 2019

CACHORRADA


Sempre gostei e sempre que moramos em casa (não apartamento) tivemos algum por perto. Como norma, nunca entravam dentro da residência. Tinham todo o carinho e conforto do lado de fora. Convivemos harmoniosamente durante todo o tempo. O último, ou melhor, a última, que tomou o barco quando tinha 14 anos de idade, uma labradora cor de mel chamada Sharon Stone.

Optamos por não tê-los mais. 

Não me incomodam e ao contrário do meu relacionamento difícil com os gatos, sempre nos demos muito bem.

Já há algum tempo, tenho a minha atenção chamada pela ascensão vertiginosa dos cães na sociedade. Estão ocupando de forma avassaladora (e talvez exagerada) um espaço nobre.

Surpreso, vi outro dia na Rodovia Castelo Branco, num engarrafamento de trânsito, um outdoor promovendo plano de saúde para o chamado melhor amigo do homem. Com detalhes impressionantes. Fiquei sabendo que já existem nas capitais, "personal training" para exercitar os animais. Hotéis caninos já sei que existem.

Semanalmente noticia-se a abertura de novas lojas. Comidas e petiscos especiais.

Fiquei sabendo que já funciona TV por assinatura com canal especial para os cães assistirem (não sei o quê).

Mas, sinceramente ? Caso eu fosse um cão, gostaria de ser um vira-lata. Ser adotado por uma família numerosa e sem a obrigação de morar fechado. Apreciaria vadiar pelas ruas, jamais ser castrado, namorar sem responsabilidade, atravessar o Rio Sapucaí a nado nos dias de calor. Dar um pega nos gatos vadios da rua, me alimentar também de outras coisas longe das rações. Tomar banho (uma vez por semana) com esguicho de água fria e sabonete de criança. Ter habilidade para atravessar ruas e, vez por outra, correr atrás de uma moto. Ah! gostaria de ter nome de gente.

Usar coleira e acompanhar alguém atado num pedaço de corda, nem pensar. E morreria de vergonha de ser tratado por Pet.    

A razão do escrito: Li no jornal que, em Belo Horizonte, um cidadão incomodado, utilizou o medidor de decibéis e auferiu 92 decibéis na janela do seu apto. O seu vizinho de frente tem um cachorro que faz tremer a janela do seu apartamento com seus latidos que começam às 6h em ponto todos os dias. 

O problema é que a falta de limite dos bichos é musica para os ouvidos dos seus donos, que fingem não perceber que incomodam. 

Reclamou e não adiantou. Com base no Decreto-Lei 3688 de 1941 e no Art. 1277 do Código Civil – Lei 10406/02, questionou na justiça

IV – Provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem a guarda: Pena – Prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa.

Latidos e algazarras de cães nunca me incomodaram e na Boa Vista, é claro, temos muitos e infelizmente não conheço nenhum vira-lata circulando pelas ruas.

Viver é Perigoso

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