segunda-feira, 23 de julho de 2018

MOÇA BONITA

Dira Paes
Viver é Perigoso

O DETETIVE


Sr. Lopes completou os seus bem vividos 95 anos, sendo que 55 deles foram vividos, entre idas e vindas, na Boa Vista é claro. Bem de saúde e vivendo solitariamente cuidando de sua horta e passarinhos.

Uma vida reservada. Simpático, frequentador das missas na Igreja São José, proprietário de um cobiçado e conservado fusquinha azul bebê 1964.

Passei para lhe cumprimentar e tentar arrancar um pouco da sua história de vida, missão tentada outras vezes sem sucesso. Desta vez, alguma coisa foi desvendada.

Reclamou levemente dos atraso e parcelamentos dos salários feito governo mineiro. Primeiro passo: era um ex-funcionário público. Nenhuma novidade, pois o pessoal desconfiava que ele tinha sido da Coletoria  Estadual. Um avanço: nascido em Belo Horizonte em 1923.

Numa licença prêmio no início dos anos 60, para conseguir um dinheirinho extra (origem do fusquinha), indicado por um colega de trabalho, pegou um serviço em Itajubá, cidade que até então não conhecia. Natureza do serviço: investigação.

O Sr. Lopes foi detetive da Polícia Cível em BH até conseguir sua aposentadoria aos 40 anos, acelerada por um ferimento á bala conseguido numa blitz policial. Surpresa.

O trabalho inicial em Itajubá lhe rendeu outros nos mesmos moldes. Especializou-se na área e por indicações dos contratantes e seu modo discretíssimo de agir, trabalhou com carteira de investigações lotada por diversos anos.

Na época, já existia o famoso IEI, hoje Unifei. Escola sonhada por uma multidão de jovens brasileiros. 60 vagas para futuros e invejados engenheiros eletro-mecânicos, das quais, pelo menos 90% delas eram ocupadas por estudantes vindos de outras regiões. 

Terra de moças bonitas e rapazes de jaquetas azuis com brilhante futuro pela frente. Cinco anos curso, moradia em lotadas "repúblicas" e refeições à base de PF em pensões de fino trato. Cinema Apollo, cachaça com groselha e quando dava, pizza do Nelson (dividida com outros 3 colegas) aos sábados.

Giro na praça e mãos dadas com a namorada. Felicidade da sogra e preocupação para o sogro. Tempos de cartas. Telefonemas raros. Informações zero.

O primeiro trabalho do Sr. Lopes foi verificar a história, a família e as intenções de um jovem estudante amazonense, já firme no namoro, braço no ombro no cinema e almoço nos domingos. Lá foi o Sr. Lopes para Manaus com a máquina fotográfica a tiracolo, com todas as despesas pagas, é claro. 

O relatório final foi favorável ao jovem manauara. Família séria, religiosa, dona de casa própria e o rapaz livre e desimpedido.

Outros casos não foram tão bem. Namoros firmes e até noivados foram revelados em suas averiguações. Choros, lamentações e desenlaces. Ainda bem, que em tempo.

Viagens internacionais aconteceram. Certa vez para o Peru e outra para o Panamá. Numa dessas conheceu não só a esposa, mas o bonito casal de filhos do estudante em vias de ficar noivo em Itajubá.

Incrível, que confessou o Sr. Lopes que foi contratado para analisar alguns poucos casos em que os "investigados" eram da própria cidade. Explica-se: na época, os bairros ficavam muito longe um do outro. Uma lonjura da Varginha até a Boa Vista. Da Avenida até o Morro Chic era uma aventura.

É a vida...

Viver é Perigoso  
    

CENTRÃO ???


Para entender o centrão, pense no seguinte: nas últimas décadas, houve alternância de quem ia no Congresso subornar deputados: às vezes era o PT, às vezes era o PSDB. Mas quem recebia o suborno era sempre a mesma turma, o centrão. Só o MDB, que está em um nível de profissionalismo muito acima dessa turma toda, é que já esteve dos dois lados.

Na semana passada aconteceu o leilão do centrão, bloco parlamentar que, em sua encarnação atual, compreende o DEM, o PP, o PRB, o Solidariedade e, dependendo do dia da semana, o PR.

Celso Rocha de Barros - Folha

Viver é Perigoso

RÁPIDO NO GATILHO

Viver é Perigoso

OS CARAS DE PAU


O tempo na TV destinado ao horário político definirá a eleição de outubro/2018.

Mais chances de eleição terão os candidatos com pouca ou nenhuma exposição no vídeo.

O povo está cansado do mesmo. Não acredita em promessas vãs. 

E pior, vai relembrar e ligar o figura do candidato exposto com parcerias e  malfeitos comprometedores. 

Melhor seria mostrar uma placa com o número e cargo, sem nomes e imagens com um fundo musical de uma música clássica.

Exceção aberta para aqueles que estarão se candidatando pela primeira vez. 

Viver é Perigoso