sábado, 24 de fevereiro de 2018

FASCINAÇÃO



Viver é Perigoso

CANTINHO DA SALA

Rufino Tamayo - Perro de Luna 1973
Rufino del Carmen Arellanes Tamayo, simplesmente, Rufino Tamayo, pintor mexicano nascido em Oaxaca, em 1899.

Considerado um dos pintores mexicanos de maior importância do século XX, ao lado de Rivera, Siqueiros e Orozco.

Tomou o barco em 1991, na Cidade do México.

Viver é Perigoso

ELOQUÊNCIA SINGULAR


Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:

— Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...

O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:

— Não sou daqueles que...

Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem — que recusa? — ele que tão facilmente caia nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar tempo:

— ...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...

Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.

— ...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...

Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:

— Não sou daqueles que...

Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente, no singular. Ou no plural:

— Não sou daqueles que, dizia eu — e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da confiança em nós depositada...

Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo:

— Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.

Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo quanto é gramaticóide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:

— ...não sou daqueles que, conforme afirmava...

Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa, daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:

— Senhor Presidente. Meus nobres colegas.

A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando não ser daqueles que...

— Como?

Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:

— Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.

Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.

— Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem — e apontava, agoniado, um dos deputados mais próximos.

— Eu? Mas eu não disse nada...

— Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.

O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.

— Que é que você acha? — cochichou um.

— Acho que vai para o singular.

— Pois eu não: para o plural, é lógico.

O orador seguia na sua luta:

— Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...

Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...

— Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.

— Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que, a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...

E entrava por novos desvios:

— Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro peremptoriamente... não sou daqueles que...

O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:

— Senhor Presidente, meus nobres colegas!

Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito de desfechou:

— Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.

Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente cumprimentado.

Fernando Sabino

Viver é Perigoso

ANIVERSÁRIO DO PT

Viver é Perigoso

E O JORNAL DO BRASIL, HEIN ?


Depois de oito anos sem edição impressa, amanhã, domingo, o “Jornal do Brasil” volta a circular.
No primeiro dia a tiragem será de 50 mil exemplares e, ao longo do mês seguinte, para testar a recepção dos leitores, de 20 mil exemplares diários, sete dias por semana. Os cadernos estão divididos da seguinte maneira: cabeça, com dois cadernos de 24 e 12 páginas; Caderno de Esportes, com oito páginas; e Caderno B, com oito páginas.
O preço de capa será de R$ 5,00.

Fundado em 1891, o “JB” marcou a modernização do jornalismo brasileiro a partir de 1959, quando Janio de Freitas, hoje colunista da Folha, comandou sua reforma gráfica.

Diz Omar Peres, empreendedor conhecido mais como do ramo de restaurantes e que decidiu lançar-se no setor de comunicação:

Mais do que na produção de conteúdo, o jornal vai economizar com impressão e distribuição, que ficarão a cargo da Infoglobo no Rio e do “Jornal de Brasília” para a pequena tiragem na capital federal (2.000). Em São Paulo, só estará disponível nos aeroportos.

Publicidade e assinaturas não serão prioridade. “O plano de negócios foi todo realizado para a venda de bancas”, citando uma pesquisa que levantou “um potencial de 50 mil a 100 mil leitores por dia” no Rio.

Assinaturas, inclusive para a versão digital, podem ser implementadas no futuro. E o jornal já tem um departamento de publicidade, com seis profissionais, mas o eventual retorno “será lucro”.

O que vai viabilizar o projeto é seu baixo custo operacional. A estrutura “é muito pequena”, inclusive Redação. Serão cerca de 30 jornalistas. Contando colunistas e outros, o “time total” chega a 50, “jornalistas muito experientes. Eles vão responder por reportagens especiais, artigos e colunas, que se somarão à edição, “para dar a cara do ‘Jornal do Brasil’”, do material fornecido por agências como Estado e France Presse e o jornal esportivo “Lance”.

Saudade.

Viver é Perigoso

AJEITANDO A CARGA


O pau quebrou feio em Brasília. O PP do Deputado Federal Dimas Fabiano, puxou o tapete do presidente do partido em Minas, Alberto Pinto Coelho, ex-deputado e até ex-governador, quando substituiu o Anastasia.

Numa mudança articulada pela bancada federal (com Dimas Fabiano), o deputado federal Renzo Braz assumiu na quarta-feira a presidência do partido no lugar de Alberto Pinto Coelho, aproximando o partido da possível pré-candidatura  para governador do Rodrigo Pacheco, do PMDB, que estaria indo para o DEM.

Contrariados, Alberto Pinto Coelho e Dinis Pinheiro, se desligaram do PP. Sempre foram muito próximos do PSDB e ensaiavam apoio para a chapa (para governo do Estado), composta pelo Marcio Lacerda (PSB) e o próprio Dinis Pinheiro.

A turma afastada saiu dando tiros. Declarou Dinis Pinheiro: 
" o partido segue como um balcão de negócios submetido aos interesses de Brasília"

Revidando, respondeu Renzo Braz :
 "O PP vai ser protagonista, não vai ser um amador, um puxadinho". 

Por sempre estar próximo dos tucanos, causou surpresa o  Deputado Dimas Fabiano estar ao lado dos que assumiram o poder.

É a vida...

Viver é Perigoso