segunda-feira, 12 de novembro de 2018

NÃO ESCAPA UM

"Mesmo com Lava Jato, corrupção ainda drena recursos de pequenas cidades" 

El País

Para receber um acréscimo salarial que pode chegar a 50% de seu rendimento, um grupo de 18 professores da rede municipal apresentou diplomas de conclusão de pós-graduação falsos na cidade de Niquelândia, no interior de Goiás. 

Já em Santa Isabel, na região metropolitana de São Paulo, 25 servidores e ex-funcionários municipais foram presos recentemente sob a suspeita de integrarem uma quadrilha que desviava recursos da saúde pública. 

À primeira vista, não há relação entre os casos. Mas, quando se analisa o momento histórico pelo qual passa o país, nota-se que, nem mesmo a grandiosidade da operação Lava Jato - que já dura quase cinco anos e na última sexta-feira prendeu o vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade, evitou que a corrupção continuasse a acontecer, especialmente a de pequena escala. 

Ao contrário, passou a ser melhor engendrada e acabou contaminando até mesmo os profissionais que, ao menos teoricamente, não teriam nenhum interesse em se envolver com qualquer tipo de crime ou que deveriam ensinar crianças e adolescentes a serem cidadãos honestos.

Dados insistentemente repetidos por antigos ministros da Controladoria Geral da União mostram que, boa parte dos recursos destinados aos municípios na área de educação são desviados. 

O último a trazer essa informação foi o atual ministro da Justiça e ex-ministro da Transparência, Torquato Jardim. Em evento no mês de março, ele disse dois terços dos valores destinados às merendas escolares eram desviados. Citou ainda que a Lava Jato representava apenas 10% da corrupção do Brasil e que a operação era pequena diante das fraudes que ocorrem nos municípios brasileiros. Em sua análise, o país tem uma corrupção estrutural. “Enquanto o Estado for do tamanho que é, teremos corrupção”.

E por qual razão esses esquemas ilícitos não são interrompidos, apesar das ações midiáticas em que políticos, empreiteiros e grandes doleiros são presos frequentemente? “As pessoas não conseguem compreender a real finalidade das instituições e tentam usá-las em benefício próprio”, opinou o promotor Souza.

A análise é corroborada pelo doutor em filosofia e professor de ética do Instituto Federal de Brasília, Luiz Diogo de Vasconcelos Júnior. “Nos voltamos para um discurso moralista, em que os cidadãos só apontam as faltas dos outros, dos políticos, das autoridades, mas não veem as suas próprias”, afirmou. Para ele, apesar de o Brasil concentrar uma das maiores massas carcerárias do mundo, todos os que cometem crimes ainda creem que podem ficar impunes.

Viver é Perigoso

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