quarta-feira, 10 de outubro de 2018

VENTOS DE GUERRA


Intervenção Militar - Nem tanto revolução, nem tanto golpe militar. 

A intervenção militar em 1964, face a monumental bagunça deixada acontecer pelo governo Jango Goulart, foi um movimento pleiteado e esperado pela maioria da sociedade brasileira.

Não começou com a imposição de uma ditadura, mas de uma necessária intervenção para impedir uma ação comunista internacional. Tentar ver os acontecimentos com os olhos de hoje, fugindo do contexto da época, induz ao erro.

Numa maneira simplista de ver, acontecia um fortíssimo e financiado movimento ideológico comunista bancado pela Russia e China, em contraponto aos interesses americanos.

Desde a sua fundação em 1962, o partido PC do B (sob influência direta chinesa) preconizava uma linha política de tomada do poder por meio da luta armada. 
Em fevereiro de 1964, antes portando da intervenção militar de 31 de março, o PC do B enviou o primeiro grupo de militantes para o treinamento em estratégias e táticas de guerrilhas na Academia Militar de Pequim. 
Desse grupo fazia parte o Oswaldo Orlando da Costa, conhecido como Oswaldão, nascido em Passa Quatro. 
Lá fizeram cursos intensivos de cinco meses, com uniforme da milícia comunista, em companhia de futuros guerrilheiros de outros países do terceiro mundo.

Em 1965 e 1966, outros militantes do PC do B seguiram para treinamento militar na China. Cerca de 41 militantes do PC do B fizeram o curso. Desses, 14 foram deslocados para o Araguaia, inclusive o conhecido Oswaldão.

Alguns militantes da AP - Ação Popular, nascida em 1963 dentro da igreja católica, estiveram na China, mesmo com os membros da AP professando uma pacífica. Uma dissidência da AP, a Ação Popular Marxista Leninista - APML, viria a ser absorvida pelo PC do B.

Como curiosidade, no final dos anos 70, antigos militantes da AP buscariam uma aliança com o movimento sindical em ascensão para fundar o Partido dos Trabalhadores (PT).

A partir de 1966, o PC do B começou a deslocar quadros para as margens do Rio Araguaia. Resumindo, de 1966 a 1974, quando a guerrilha foi extinta, 79 membros do partido estiveram na região.

Pesquisas indicam que 51 guerrilheiros, 10 militares e 15 civis, tombaram no Araguaia.

Estávamos diante de uma guerra, pouquíssimo divulgada na época.

Sobre a guerrilha urbana, seguiremos conversando nos próximos dias.

Ditadura mesmo, que mexeu com todos os brasileiros, aconteceu para valer a partir de 14 de dezembro de 1968, com a edição do Ato Institucional Nº 5, cassando direitos e cerceando a liberdade.

(dados do historiador Hugo Stuart)

Viver é Perigoso   

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