terça-feira, 16 de outubro de 2018

LIVRO, PRESENTE DE AMIGO

Um livro que deverei ser lido por aqueles que tentam entender o que foi a Guerrilha do Araguaia. "Borboletas e Lobisomens" - Hugo Stuart - 658 páginas - Editora Francisco Alves.

Luta armada promovida pela PC do B na Região do Araguaia, no período de 1966 a 1974. Às vezes a gente se esquece, mas cinco pessoas, direta ou indiretamente ligadas a Itajubá, a Escola de Engenharia e a família importante e conhecida, estiveram presentes nos combates. Três deles, não voltaram nunca mais.

Lúcio Petit da Silva, nasceu em Piratinga-SP, em 1943. Veio para Itajubá onde se formou engenheiro. Se envolveu com política já no Diretório Acadêmico. Trabalhou na Light e na Nativa, em Campinas. Casou-se com a obstetra paulista, Lúcia Regina de Souza Martins. Em 1970, Lúcio foi para o Araguaia e passou a usar o codinome Beto. Três meses depois, Lucia Regina foi ao seu encontro. Usava o codinome Regina.

Jaime Petit da Silva, nasceu em Iacanga - SP. em 1945. Veio estudar em Itajubá e também lecionava matemática e física nos colégios da cidade e da região. Participação ativa no Diretório Acadêmico e
participante preso no famoso Congresso da UNE em Ibiúna, 1968. Casou-se com a itajubense, nascida em Pedralva, Regilena da Silva Carvalho. No início de 1971 foram para o Araguai. Jaime continuou sendo Jaime e Regilena, a Lena.

Maria Lucia Petit, irmã mais nova, nascida em 1950 em Agudos-SP. Formou-se professora primária em Duartina, indo trabalhar em São Paulo. Sempre militante do movimento estudantil. Acompanhou o irmão Lúcio e a cunhada Lúcia Regina, na ida para o Araguaia em 1970. O seu codinome era Maria.

Lúcia Regina grávida, no final de 1971, teve um aborto determinado pelo comandante do seu destacamento. Contraiu uma infecção e foi levada para um hospital em Anápolis, de onde fugiu para a casa dos pais em São Paulo. Vive hoje na capital paulista.em São Paulo. 

Maria Lúcia, a Maria, foi morta com tiro disparado por um soldado, no dia 16 de junho de 1972, quando se dirigia até a casa de um agricultor em busca de alimento. Seu corpo foi encontrado em 1991, sendo sepultado em Bauru. 

Em julho de 1972, Regilena, a Lena, se entregou ao exército. Foi levada para Brasília e interrogada, segundo ela mesmo, sem sofrer torturas. Tempos depois foi liberada para vir para Itajubá. Regilena faleceu em 2018 no Rio de Janeiro

Jaime Petit foi morto no Araguaia, no dia 22 de dezembro de 1973, em um tiroteio com o exército, quando encontrado muito abatido e sozinho em uma cabana de palha. Seu corpo nunca foi encontrado.   

Lúcio Petit, foi preso em 21 de abril de 1974. Foi executado e seu corpo nunca foi localizado.

Lúcio e sua mulher Lúcia Regina e sua irmã, Maria Lúcia, serviram no Acampamento A, próximo da Vila de São Domingos das Latas. Posteriormente, Maria Lucia foi transferida para o Acampamento C, o mesmo em que serviam o Jaime e Regilena, ao sul da cidade de São Geraldo. 

É a vida...

Viver é Perigoso
       

2 comentários:

Anônimo disse...

Agora são vistos como coitadinhos, idealistas, bonzinhos, etc..
Se tivessem conseguido o que queriam, hoje estaríamos num regime semelhante ao que existe na China. Afinal, eram do PCdoB.
Foram tarde!
E os que ainda querem implantar esse tipo de regime, também não merecem nenhum tapinha nas costas. Se é que me entende.
Antes eles, do que nós!

Edson Riera disse...

Antes eles do que nós -

Não devemos analisar o passado com os olhos de hoje. O pessoal que ficou lá até o fim, recusou qualquer acordo. Acreditavam que estavam mudando o País.
Moços bem preparados e induzidos pelos dirigentes do PC do B a uma guerra absurda. Sem ajuda, sem recursos, na selva, maltrapilhos e equivocados.

Zelador