quinta-feira, 24 de maio de 2018

FOTOGRAFIA DO MOMENTO


Opiniões diferentes sempre existirão. Cada pessoa tem sua leitura particular acerca do mundo, e, certamente, as inúmeras estruturas sociais não funcionariam se todos compartilhassem da mesma percepção. Lembrando que hoje, felizmente, pode-se discutir sobre qualquer assunto com liberdade – publicamente e em qualquer plataforma, inclusive a das ruas. 

O grande problema é que, para além da discussão e dos diferentes pontos de vista, a mensagem que vem chegando ao interlocutor está cada vez mais carregada de ódio e intolerância, indo exatamente na contramão do diálogo. 

Vivemos tempos em que as divergências estão por dividir forças que deveriam se fundir a favor do bem comum, a favor do avanço coletivo. Porque, ainda que as convicções se distanciem, não deveriam, de forma alguma, fazer ruir as pontes que nos levam ao entendimento. 

Por discordarem de ideias e conceitos, as pessoas estão se tornando oponentes. Com a tecnologia, isso ficou ainda mais visível. Notoriamente, amigos e famílias estão se convertendo em inimigos. Discordar virou sinônimo de execrar. 

No ambiente político, a situação torna-se ainda mais grave na medida em que muitos parecem ter abandonado o diálogo e optado pela postura do “nós contra eles”. 

Entendemos que a discordância está na alma da atividade política, proporcionando o debate, a busca pelo caminho possível, o exercício da arte do convencimento e da capacidade de ceder para avançar. Quantas conquistas foram obtidas assim, tendo pontos de vista diversos como motor?

Já a polarização pura e simples, a vontade de vencer o outro em vez de buscar o melhor caminho, tem o efeito contrário. Paralisa, estagna, impede que processos importantes avancem e tira do foco o principal objetivo que deveríamos ter: cuidar dos interesses da população. Importantes questões de interesse público, por força de desentendimentos e rixas, acabam se arrastando e, muitas vezes, ficando sem solução.

Não é possível que deixemos de fazer a coisa certa, de lutar o bom combate para simplesmente engajar em uma briga de torcidas infértil e custosa para todos, especialmente para aqueles que nos escolheram como representantes. 

Quem se beneficia quando os lados não conversam? Ninguém. Considerar a opinião do outro não significa, absolutamente, desconsiderar suas próprias convicções. Ao contrário, pode fortalecê-las ou, ainda, complementar suas ideias sob um outro prisma. 

Este é o momento de parar, refletir e recuperar a democrática arte de avançar ao lado de quem discorda de nós. É um exercício que venho tentando fazer ao longo de minha trajetória e que se vê fundamental nos tempos atuais.

É tempo de perceber as diferenças como a possibilidade de construir um novo caminho (ou muitos) em vez de criar abismos. Conciliar para avançar coletivamente. E se a discordância aparentemente insuperável surgir, que tenhamos a tranquilidade para escutar, dialogar e buscar o nem sempre óbvio ponto comum para, com respeito e espírito democrático, tomar as decisões que beneficiarão quem realmente precisa.

Adalclever Lopes

Presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

Viver é Perigoso

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