sábado, 7 de abril de 2018

GRAN CIRCO

Espetáculo transmitido ao vivo para todo o território nacional. Dois dias com direito a exibição de todas as características dos homens. Alegria, foguetes, bandas de ritmos desafinados, confusos e tristes. Lágrimas, fingidas, sinceras, medrosas, oportunistas e secas.

Profetas na mídia que se contradizem. Solidariedade de muletas e risos embutidos. Ministros, candidatos escapando pelo ladrão, sindicalistas sem carteira assinada. Fumaça colorida, pancadaria e gritos de guerra usado em antigas batalhas.

Informações sobre possíveis negociações esdrúxulas. E o tempo passa.
Helicópteros sob a Cavalgada das Valquírias, carros oficiais em disparada, fotógrafos sacando câmaras como pistolas.

Jaqueta bolivariana, acenos demorados e multidão de papagaios de pirata.
Padres, pastores, mães e pais de santo, cover do Bob Dylan e intervenções diretas de Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro e Recife. Maquiagens se desfazendo no ar, furos e barrigas.

Mensagens de solidariedade de ditadores denunciados e também cercados em seus palácios, aguardando a sua hora e vez.

Recursos para o ONU, para o Papa, palestinos, para opressores e oprimidos.   

Missas e cultos de corpo presente, mesmo ausente. Lembrança de outros mortos heróis ou não. Chega prá lá para aparecer nas fotos e nos filmes.

Habeas Corpus dando como chuchu na cerca. Liminares, embargos e desespero.
Jatinhos, helicópteros, sala do estado maior, advogados contando altas somadas recebidas. Pichações, ameaças, valentões de microfone, intrigas, tubaína e mortadela.

Atônitos, os palhaços nos sofás puídos da sala começam a dar conta que foram surripiados em tenebrosas transações.

Aconteça o que acontecer, depois de amanhã é segunda-feira. É a vida...

Viver é Perigoso     

Um comentário:

marcos antonio de carvalho disse...

Se me permite a ousadia de complementar teu texto, uma espécie de epifania (ôpa!!) paralela ao carrosel do prende-não-prende me ocorreu a propósito dos comentários de varios capa pretas do STF.

Quando falam de "direitos fundamentais dos cidadãos, presunção de inocência, liberdade de ir e vir, trânsito em julgado, etc", parecem umas fadinhas frágeis revoando há anos, dentro de uma bolha blindada (pelos valores dos contra cheques, de ouro...).

Velhinhas de Taubaté recicladas.
Cândidos de Voltaire.
Carneirinhos de presépio.

Agem, em sua hoje minoria - benza Deus!! - na base de "para os amigos, tudo; para os demais, a lei (que interpretamos e mudamos quando nos interessa)".

Procuram aliados com a sutileza de um macaco louco na loja de porcelana - ver caso Dra. Weber.
Primeiro paparicada, doutora prá lá, doutora prá cá.

Depois, firmada sua posição, atacada pela alcatéia.
Boa educação, zero, jagunçagem 1000.
Até meio cômica a disputa entre M. Aurélio e o Lewa, bocas babando saliva grossa e biliosa, disputando quem a interromperia mais tempo e primeiro a Dra.

Gilmar disse que esteve em Pedrinhas, em Bangu. Ah!, vá!!!
Tivesse ido lá, ficava na tranca.

Dois mundos - um de gente na estiva, carregando peso prá botar feijão no prato; outro, dos Marqueses do século XVI, bailando em Versalhes.
Nossa Ilha Fiscal 2.0 parece que vem aí.

Momento Zózimo: e a revolta do Lewa, hein??!!

Previnamo-nos para fogo cerrado contra a Lava Jato. Acho que ainda vem coisa por aí.
A liberdade é consequência da eterna vigilância...