terça-feira, 30 de janeiro de 2018

CARGA PESADA


Já falamos sobre o assunto. Por mais que se sinta o dono da cocada preta, os políticos, que ainda têm uma sobrinha de consciência, carregam um peso, quase que eterno, nas costas. São aqueles auxiliares que os acompanham desde o início da caminhada.

Por tempos, nas eras pré mensalão, lava-jato, e outros, assessores de total confiança se faziam necessários. 
Buscar uma doação para a campanha em dinheiro vivo, fazer um pagamento não convencional, ser portador de um recado mais duro, se apresentar como mediador de uma encrenca fora dos padrões, ceder o seu nome e de familiares para o cultivo de laranjas. No passado, nas épocas de eleição, deixar escapar aqui e ali uma anti-propaganda anônima e mais recentemente, atuar como fake na internet.

Deu ruim. A atuação de parte da imprensa, que mais do que nunca vem se tornando investigativa, a presença de rapaziada nova, idealista e bem preparada no judiciário, vem obrigando a velha guarda política a mudar drasticamente o "modus operandi", e tentar se afastar de velhos colaboradores.

O que fazer com a equipe de assessores, pau para toda obra, que não largam do pé ? Sabem demais para serem dispensados e espertamente, estão sempre lembrando o líder, fingindo-se saudosistas, dos momentos periclitantes vividos no passado.

Enquanto o chefe estiver ocupando cargo público, tudo bem. Um cargo ali, outro aqui, tudo sem muito trabalho, que fique claro. Especialidade ? nada tem a ver. O salário não precisa ser muito, mas precisa ser religioso.

O assessor perde a identidade. Passa a ser conhecido como o Vitinho do Dr. Almeida, o Silva, do Dr. Maia. E por aí afora.

E quando o chefe ficar afastado de um cargo público ? Não interessa. Os royalties devem ser acertados normalmente.

O pior de tudo é que o auxiliar vai ficando folgado, falastrão, impertinente e se tornando um incômodo. Fazer o quê ? A mala terá que ser carregada pelo resto da vida.

Claro, que existe o auxiliar de longa data, humilde e prestativo. Também é complicado. A aproximação leva o chefe a conhecer a sua família e as dificuldades domésticas. Afinal, quem não as tem ? Como abandonar quem o serviu por longos anos com tanta dedicação ? E mais, sem carteira assinada, sem registros e sem aposentadoria.

Agora é tarde. Vai que um fique chateado e resolva estender a conversa no botequim, supermercado e mesmo na igreja ? 

Trata-se de um tremendo passivo que em priscas eras foi tratado como patrimônio. E isso, deve tirar o sono.

Lógico que existe exceção. Gente da melhor qualidade.

Viver é Perigoso          

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