domingo, 29 de outubro de 2017

A SERVIÇO DO SENHOR


O pastor André Assis, de 45 anos, leva a palavra de Deus aonde o Estado não leva nem água nem luz: no coração das favelas do Rio de Janeiro. Tem os sapatos gastos de esquivar buracos nas calçadas e perde a voz pregando para adolescentes armados com fuzis e os bolsos cheios de cocaína. E reza para que um dia um desses jovens que baixa a arma ao vê-lo passar abandone essa vida e o siga. Eles só têm dois caminhos à frente: morte ou cárcere. O pastor quer ser a terceira opção.

É madrugada de sexta-feira em Costa Barros, um dos complexos de favelas com mais manchetes policiais do Rio de Janeiro. O pastor estaciona seu Fiat Uno caindo aos pedaços no pátio de um conjunto habitacional com vista para um rio fétido de esgoto. Uma porca recém dada a luz arranca do chão, silenciosamente, o pouco de verde que existe no caminho. Assis é seguido por três irmãos, todos de paletó e uma flanela cor de laranja para limpar o pó dos sapatos. Por alguns minutos, atravessando vários becos, o que se vê é um bairro morto, sujo e escuro, até chegar a uma quadra de basquete, onde se prepara o baile dessa noite. Já se ouve o funk. Várias adolescentes aguardam nos bares mais próximos ensaiando poses sexys diante das câmeras de seus celulares.

Um homem troncudo com uma pistola e um radiotransmissor na cintura e um jovem de chinelo abraçado a um fuzil cortam a passagem. O pastor não os conhece, mas os saúda e os convida para fazer uma oração. O homem da pistola acena com a cabeça e olha para o outro lado, mas o jovem larga sua arma, fecha os olhos e se agacha para que Assis ponha a mão em sua cabeça. Juntos, eles rezam, enquanto os auxiliares do pastor distribuem folhetos com orações. Despedem-se sem cerimônias, e o rapaz pega de novo o seu fuzil. O ritual se repete naquele que parece ser o coração do tráfico de drogas da favela. Os grupos de adolescentes ameaçadores que vigiam as ruas se desarmam diante do chamamento do pastor. Ninguém questiona ou se incomoda com a sua presença, nem tampouco com a da reportagem. O pastor representa a única autoridade - além de seus chefes - que eles respeitam. E temem.

Faz dez anos que Assis se movimenta pelo submundo do crime do Rio de Janeiro, onde uma pessoa morre assassinada a cada 80 minutos. Seu propósito de salvar almas do tráfico e do consumo de drogas começou nas prisões e acabou levando sua Igreja Assembleia de Deus Tempo de Restauração a territórios infranqueáveis, ali onde as autoridades só entram com blindados e disparos.

O Instituto Revivendo com Cristo é um local humilde, com um refeitório comunitário e quartos onde mal cabe uma cama. Neles dormem até 55 homens que trocaram as drogas e o crime pela oração. Aqui ouvem-se tiros ao outro lado do muro, mas ninguém se espanta, muito menos o pastor. Faz parte da rotina de Antares, uma favela paupérrima, a três horas de distância da praia de Ipanema –depois de pegar uma van, dois ônibus e um metrô.

Os alunos, como Assis chama seus pupilos, fazem jejum de purificação e, ajoelhados em bancos de igreja de costas para o que seria o altar, rezam todos juntos em voz alta. Para ganhar algum trocado, fabricam desinfetante concentrado e o vendem nas ruas enquanto pregam o Evangelho. E na hora de comer fazem uma fila militar, levantando as mãos e agradecendo a Deus aos gritos. O ritual arrepia. “Criei este lugar porque percebi que meu trabalho estava incompleto. Uma vez, numa das situações mais chocantes da minha vida, um traficante me chamou. Chorava e implorava que o tirasse dali. Não pude ajudar, não tinha aonde levá-lo”, conta o pastor.

–Eu não me iludo, mas sei que cada uma dessas visitas servirá para alguma coisa. Me sinto como aquele beija-flor num incêndio, que faz milhares de viagens carregando apenas algumas gotas de água no bico. Os outros animais da florestas riem dele, mas o beija-flor está fazendo a sua parte.

Extraído do El País

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Todo os político, com mandato, merece um bom tempo afastado de compromissos públicos para organizar a sua defesa perante a justiça, negociar delação premiada, ajustar tornozeleira eletrônica, desfazer de bens para pagar advogados e mesmo cumprir uma peninha básica, recolhido ou domiciliar. 
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PORQUE HOJE É DOMINGO



Jesus respondeu: "Quem beber desta água terá sede outra vez,mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna".

João 4:13,14

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