sexta-feira, 2 de junho de 2017

PENTIMENTO


Uma das palavras mais bonitas da língua portuguesa é "pentimento".

Lembrando, significa uma alteração em uma pintura, evidenciada por vestígios de trabalho anterior, mostrando que o artista mudou de ideia quanto à composição durante o processo de pintura. 

A palavra deriva do italiano pentirsi , ou seja, de se arrepender. 

Localizei dentro de um caderno um escrito do Contardo Calligaris, recortado em 2011 de um jornal. Interessante e indagador, do qual tomei a liberdade de resumir:

"Pentimento é a palavra italiana para arrependimento, mas designa (em muitas línguas) uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro.
Às vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão.
Outras vezes, os raios-x dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.
Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história.

Reflexões de Contardo Calligaris

1) Nossas vidas são abarrotadas de caminhos que deixamos de pegar; são todos pentimentos, mais ou menos encobertos: histórias que não se realizaram. Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou a coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.

2) O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa". Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente?

3) Nem sempre os pentimentos são bons conselheiros - até porque, às vezes, eles são falsos. Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Graças às redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado.
No reencontro, um namorico da adolescência, insignificante e esquecido, transforma-se em (falso) pentimento, ou seja, numa aventura que poderia ter aberto para nós as portas do paraíso (onde ainda estaríamos agora, se tivéssemos ousado trilhar esse caminho).

Quando examino as fotos de minhas turmas do colégio, sempre fico com a impressão de que deixei amizades e amores inacabados ou nem começados, mas que teriam revolucionado meu futuro. Como fantasiando pentimentos de relações que nunca existiram.

Somos perigosamente nostálgicos de escolhas passadas alternativas, que teriam nos levado a um presente diferente. Se essas escolhas não existiram, somos capazes de inventá-las - e de vivê-las como pentimentos.

Avisos: os pentimentos não são necessariamente recíprocos, e os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre. " 

Viver é Perigoso 

A ABRIL FAZ PARTE DA SUA VIDA


Não se trata de um romance, mas de uma coleção de importantes informações sobre as revistas brasileiras nos últimos 70 anos. A Editora Abril, da família Civita vem desde 1947. A sua primeira revista foi um Pato Donald, de 12/6/1950.
Para ler com cuidado o livro "Roberto Civita - O dono da banca ", escrito pelo competente e isento Carlos Maranhão. Companhia das Letras, 534 Páginas.
A revista mais importante do Grupo, "Veja", cujo primeiro número circulou em 11/9/1968, tem marcado a história do País. Para o bem e também para nem tanto. Diferente das outras revistas da empresa, a Veja sempre esteve sob a orientação direta do seu criador Robert Civita.
Pela sua redação passaram grandes jornalistas que fizeram e ainda fazem a história. Teve como primeiro responsável o jornalista Mino Carta, hoje na Carta Capital. Mino Carta, como outros, por exemplo, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Paulo Nogueira e Mário Sérgio Conti, que se tornaram inimigos extremados da Abril.
Por lá passaram, Eurípedes Alcântara, Eugenio Bucci, Jorge Caldeira, Thomas Souto Corrêa, Millor Fernandes, Elio Gaspari, Fernando Gentil, Marcos Sá Correia, Roberto Pompeu Toledo, Jacob Gorender, Flávio Pinheiro, José Roberto Guzzo, Lauro Jardim, Demétrio Magnoli, Diogo Mainardi, Tão Gomes Pinto, Policarpo Junior, Alessandro Porro, José Hamilton Ribeiro, Ricardo Setti, Matinas Suzuki e tantos outros.
Anotação feita pelo Sr. Roberto Civita no livro Meditações - Imperador Marco Aurélio:
" Se não é certo, não faça. Se não é verdade, não diga. " 
Escreveu, Carlos Maranhão, sobre Robert Civita: 
"Ele carregava convicções inabaláveis. Era um defensor da livre-iniciativa, da democracia representativa, da liberdade de expressão, do livre-comércio e do liberalismo econômico. Combatia a presença do Estado na economia e na vida dos cidadãos, a burocracia, os excessos na regulamentação, qualquer tipo de censura, os regimes autoritários, o socialismo, o comunismo, a esquerda e o Partido dos Trabalhadores. Mas não gostava de julgamentos e procurava evitar o confronto."
Robert Civita tomou o barco em 26/5/2013, aos 76 anos, quando a sua Veja, circulou com 1.201.631 exemplares. 

Viver é Perigoso

TOMOU O BARCO


Tomou o barco hoje em Maria da Fé, o grande amigo Geraldo Canha. Político com recordes de mandatos com vereador em Itajubá, atencioso, participativo e sempre presente nas entidades de benemerência da cidade. Geraldo e seu eterno carro branco.

Nos fez em 2004 uma visita marcante. Na manhã seguinte das eleições municipais de 2004, quando participamos e não conseguimos sucesso, recebemos o Geraldo que nos foi levar solidariedade e um abraço. Foi o único. Minha família jamais esqueceu o seu gesto.

Estivemos defendendo as mesmas bandeiras e bandeiras diferentes durante os últimos quarenta anos. Sempre com respeito, sinceridade e harmonia.

Itajubá ficou mais pobre.

Viver é Perigoso 

É TRISTE, MAS É VERDADE

Viver é Perigoso

UM CIDADÃO !


Um abraço Dr. Ricardo Mello. Todos os dias fico conhecendo um itajubense que o Caro Doutor atendeu, ajudou e continua cuidando. Grato por ter-se colocado á disposição de nossa cidade. Parabéns.


Viver é Perigoso