terça-feira, 16 de maio de 2017

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS

Imagino que os escritórios de advocacia no País nunca ganharam tanto dinheiro como na defesa desse pessoal envolvido em denúncias de corrupção. Devem cobrar honorários caríssimos.

Interessante o texto escrito pelo Senhor Manoel Hygino para o jornal mineiro Hoje em Dia. Fala sobre o livro “Pela Liberdade ainda que Tardia”, de Agildo Monteiro Cavalcanti, com o subtítulo “O trágico e o humor se unem nas páginas da Inconfidência Mineira”.

“Tiradentes e o poeta Tomás Antônio Gonzaga tiveram advogados? Qual era o nome? Quem pagou os honorários ao causídico que fez a defesa dos conjurados? Qual o valor que o advogado recebeu para fazer a defesa dos conjurados? O que dava para comprar,à época, como os referidos honorários? 

A publicação é dedicada ao causídico José de Oliveira Fagundes, advogado de Tiradentes e do poeta Gonzaga. 

Joaquim José, foi enforcado em 21 de abril de 1792, aos 44 anos de idade, faltavam poucos dias para completar três anos de prisão, sem tomar sol, em ambiente úmido, ignorando se era dia ou noite.

Caberia ainda especular quanto receberão, no século atual, os defensores dos denunciados ou acusados nos processos da ‘Lava Jato’. São profissionais da mais alta expressão no campo jurídico e no fórum.

E os réus de 1792 ? Tiradentes e demais conjurados poderiam pagar os honorários. Mas seus bens estavam confiscados, e eles tinham perdido ganhos e empregados. Então, a Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro assumiu o encargo e contratou Fagundes por 200 mil réis. 

Bom preço, justo? A vida em Vila Rica era muito cara. Uma galinha que custava 100 réis em São Paulo, chegava a 4 mil na antiga capital de Minas. Com o dinheiro dos honorários, o defensor dos conjurados poderia comprar cinquenta galinhas ou, se carne vermelha, adquiriria apena um boi de corte e metade de um outro.

Advirta-se: a Santa Casa do Rio de Janeiro só pagou o advogado um ano depois do enforcamento de Tiradentes: em 21 de abril de 1793, portanto. 

Extraído do texto do Senhor Manoel Higyno - Hoje em Dia

Viver é Perigoso