quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

ATÉ TU GENERAL ELECTRIC !


"Acabaram-se as vacas sagradas em Wall Street. É necessária uma mudança de cultura em todos os níveis. Não é um investidor descontente quem diz isso.” Assim extravasa John Flannery, o novo executivo-chefe da General Electric (GE), depois de analisar a delicada situação da empresa, um dos símbolos tradicionais do poder industrial dos Estados Unidos. A crise que o grupo sofre é tão profunda que vai levá-la a se desfazer de seu produto mais icônico: as lâmpadas.

A reestruturação de Flannery acaba de iniciar vai levá-lo a vender a linha de negócio que foi o germe da gigante industrial. É como se o operador de telecomunicações AT&T renunciasse ao telefone ou a General Motors decidisse seguir em frente sem o Chevrolet. A origem da GE remonta a quando Thomas Edison inventou a primeira lâmpada incandescente para uso comercial, em 1879.

Um ano depois fundou a Edison Electric Illuminating Company e começou a fabricá-las. O inventor transformado em empresário consolidou os diferentes negócios e os fundiu com a Thomson-Houston Eletric Company, para formar a General Electric atual. O problema é que as novas lâmpadas LED não só consomem menos, também duram mais. Agora este produto representa só 2% da receita.

A ideia é concentrar-se nos negócios de aviação, saúde e energia para simplificar e concentrar sua estrutura. Isso a levará a sair de negócios como as locomotivas, como já fez com os eletrodomésticos e a produção de plásticos. Em paralelo deve fazer funcionar a maciça compra da Alstom, que rende abaixo do esperado.

O conglomerado continua com vendas que alcançaram 90,7 bilhões de dólares (294 bilhões de reais) nos primeiros nove meses de 2017. Mas depois de várias reestruturações e mudanças em sua cúpula executiva a empresa se mostra incapaz de restaurar a confiança dos investidores. É a que mais perde valor na Dow Jones neste ano, um dos principais indicadores do mercado financeiro norte-americano.

A GE é a única empresa que sobreviveu desde a fundação da Dow Jones, em 1907. É maior que a PepsiCo, Boeing, Disney, Merck e IBM, mas tem preço menor por ação. Os títulos da Boeing são os mais caros, a 270 dólares (875 reais) a unidade em comparação com os 18 dólares (58 reais) do grupo industrial. Também a Goldmad Sachs, UnitedHealth e 3M são negociados por valores mais de dez vezes acima.

El País

Viver é Perigoso

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