domingo, 19 de novembro de 2017

ESTE MUNDO É MUITO MISTURADO


Há 50 anos, no dia 19 de novembro de 1967, tomava o barco Guimarães Rosa. Também num dia 19 de novembro, só que de 1979, em Manaus, descobri e não esqueci mais, que viver é muito perigoso. Fui protagonista de um acidente de trânsito com perda total do carro. Saí arranhado, mas caminhando.
O nome do Blog foi tirado da admiração pelos escritos do grande escritor mineiro.

“Viver é muito perigoso: sempre acaba em morte”.

“O real não está no início nem no fim, ele se mostra pra gente é no meio da travessia”.

“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

“Apertou em mim aquela tristeza, da pior de todas, que é a sem razão de motivo”.

“Um dia ainda entra em desuso matar gente”.

“O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, sou nascido diferente. Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo o mundo”.

“A gente morre é para provar que viveu”.

“Tem horas em que penso que a gente carecia, de repente, de acordar de alguma espécie de encanto”.

“E a gente, isso sei, às vezes é só feito menino. Se tem alma, e tem, ele é de Deus”.

“E o chiim dos grilos ajuntava o campo”.

“Ah, a mangaba boa só se colhe já caída no chão, de baixo…”.

”A colheita é comum, mas o capinar é sozinho”.

“Viver é um descuido prosseguido”.

“O senhor ache e não ache. Tudo é e não é …”

“Passarinho que debruça – o voo já está pronto”.

“Sou só um sertanejo, nessas altas ideias navego mal. Sou muito pobre coitado. Inveja minha pura é de uns conforme o senhor, com toda leitura e suma doutoração”.

“Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”.

“Deus é paciência. O contrário é o diabo”.

“O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando”.

“A gente quer passar um rio a nado, e passa; mas vai dar na outra banda é num ponto muito mais embaixo, bem diverso do em que primeiro se pensou. Viver nem não é muito perigoso?”.

“Cavalo que ama o dono, até respira do mesmo jeito”.

“Quem desconfia fica sábio”.

“Ser ruim, sempre, às vezes é custoso, carece de perversos exercícios de experiência”.

“O espírito da gente é cavalo que escolhe estrada”.

“Medo, não, mas perdi a vontade de ter coragem”.

“Eu careço de que o bom seja bom e o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! (…) Este mundo é muito misturado …”.

"A gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar de ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente”.

“A morte é para os que morrem”.

“No centro do sertão, o que é doideira às vezes pode ser a razão mais certa e de mais juízo!”.

“Sertão é isto: o senhor empurra para trás, mas de repente ele volta a rodear o senhor dos lados. Sertão é quando menos se espera”.

“O bom da vida é para cavalo, que vê capim e come”.

“E sei que em cada virada de campo, e debaixo de sombra de cada árvore, está dia e noite um diabo, que não dá movimento, tomando conta.”

“Sertão: é dentro da gente”.

“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”.

“Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”.

“Um sentir é do sentente, mas o outro é o do sentidor”.

“Para o prazer e para ser feliz, é que é preciso a gente saber tudo, formar alma, na consciência; para penar, não se carece”.

“Obedecer é mais fácil do que entender”.

“Onde é que está a verdadeira lâmpada de Deus, a lisa e real verdade?”.

“Tive medo não. Só que abaixaram meus excessos de coragem”.

“Rir, antes da hora, engasga”.

“Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só fazer outras maiores perguntas”.

Guimarães Rosa 

Viver é Perigoso

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