sexta-feira, 4 de agosto de 2017

UM HOMEM ATUANTE

Reli nos últimos dias, com real interesse, o livro "Minha Memórias - Hélio Bicudo". Originalmente foi lido em 2006, quando da sua publicação. Faz-se atual.
Todos devem conhecer a vida do Advogado Dr. Hélio Bicudo, formado pela Universidade de São Paulo em 1946.
Sobre ele, escreveu o Cardeal Paulo Evaristo Arns :

"De sua qualidades, ainda quero destacar a Fidelidade. O Dr. Hélio Bicudo sempre se mostrou de uma fidelidade marcante a Deus, à Igreja e à pessoa humana. Mais do que uma virtude, que o é, esta fidelidade é também uma graça de Deus. Louvemos e agradecemos ao Senhor por uma vida tão profícua"

O PT fundado em 10 de fevereiro de 1980. O eminente Dr. Hélio Bicudo filiou-se ao partido no mesmo ano. Em 1982 foi candidato a Vice-Governador de São Paulo na chapa de Lula da Silva. Ficaram em terceiro lugar. Franco Montoro foi eleito e Jânio Quadros em segundo. Foi candidato derrotado ao senado em 1986, também pelo PT.  Em 1990, o Dr. Hélio Bicudo, também pelo PT, foi candidato a deputado federal. Foi eleito e reeleito em 1994. Foi vice-prefeito de Marta Suplicy em São Paulo.
Esteve no PT desde 1980, ano de sua fundação. Foram 25 anos de militância. Foi membro da direção nacional do Partido 18 anos. 
Descobriu, segundo suas próprias palavras, que sonhar ficou impossível dentro do PT. Em setembro de 2005, deixou o Partido. 
Dr. Hélio Bicudo, nas suas memórias, faz sua "Mea-culpa", ainda que tardio.

Registra, o eminente Cidadão:

1 - Em 1988 fui convidado pela Prefeita eleita em São Paulo, Luíza Erundina, para ocupar a Secretaria de Negócios Jurídicos. Nessa ocasião foi afastado pelo partido, da presidência do Diretório Municipal.
Princípio das dificuldades com o PT. O partido queria interferir nas licitações para obras e serviços, na nomeação de servidores e até de secretários.
Veio à tona o caso Lubeca em 1989.
Luiz Eduardo Greenhalgh, vice-prefeito que atuava como secretário sem pasta, participara das negociações para desapropriação de uma área que se destinava à implantação de um centro empresarial nas margens do rio Pinheiros. A negociação não teria sido "ortodoxa". O vice-prefeito foi afastado de suas funções de secretário. As investigações instauradas foram arquivadas por falta de provas conclusivas. A suposta propina serviria para financiar a campanha presidencial do Lula da Silva. O partido ficou devendo uma resposta esclarecedora à população.

2 - Em 1997, José Dirceu, na qualidade de presidente do PT, convidou-me, juntamente com o então vereador José Eduardo Cardozo e o economista Paul Singer, para, sob minha coordenação fazermos uma sindicância sobre denúncias feitas pelo economista Paulo de Tarso Venceslau a respeito da atuação de uma empresa denominada Consultoria para Empresas e Municípios (CPEM), ligada ao empresário Roberto Teixeira, compadre de Lula da Silva. Paulo de Tarso - exilado político no governo militar e petista histórico - dizia que membros do PT propiciavam a abertura de prefeituras do partido para atuação da CPEM. A consultoria se propunha ajudar as administrações a receber um montante maior de ICMS com uma revisão do cálculo do valor adicionado pelas empresas sediadas no município. Não havia nenhum problema com o trabalho em si, mas com o fato de a CPEM ser contratada sem licitação e receber um percentual de remuneração considerado alto - os valores a serem pagos chegavam a milhões de dólares. Um negócio da China, sem dúvida.
Na sindicância, ficou claro que Roberto Teixeira usava o nome de Lula da Silva para obter contratos com as prefeituras, mas persistia a dúvida do alegado envolvimento do presidente de honra do PT, Lula da Silva.
Face as evidências, a comissão decidiu não aprofundar a investigação em razão do contexto político.
Paulo Okamoto também era um dos acusados de participar do esquema CPEM.
A comissão decidiu submeter Roberto Teixeira e Paulo de Tarso ao Tribunal de Ética do partido para, após o contraditório e o amplo direito de defesa, serem julgados. Pois bem, o Diretório Nacional atropelou o processo por orientação de Lula da Silva. No final, Paulo de Tarso, curiosamente conhecido entre os amigos como PT, foi o único punido, sendo expulso do partido. Roberto Teixeira ficou impune.

O Sr. Roberto Teixeira, compadre e advogado do Sr. Lula da Silva, é sogro do atual advogado Zanin. Teixeira também está sendo investigado na Operação Lava-Jato. 

Curiosidade importante: O Sr. Paulo de Tarso Venceslau, tem familiares em Itajubá. Pessoas da mais alta consideração.

Viver é Perigoso 

2 comentários:

Alaor Vieira disse...

Riera

Uma pequena correção , Paulo de Tarso não foi exilado político , foi sim preso politico na ditadura .
Abraços

Alaor

Edson Riera disse...

Alaor,

Valeu. Ando estudando esses assuntos e sua participação é fundamental.

Abraço

Riera