quarta-feira, 9 de agosto de 2017

CARTAS NÃO ENVIADAS


Itajubá, agosto de 2017

Caro Amigo Dr. Aldo,

Muitas besteiras são ditas por gente que ouviu falar da Ditadura no Brasil. Muitos que viveram naqueles tempos, por interesses políticos, falam sobre aquele período de exceção, propositadamente com visões distorcidas.

Muitos viveram aquele tempo. A famosa revolução ou golpe, como queiram, acontecida em 1964, foi inevitável. O País foi tomado pela bagunça e outra alternativa não restava. Tirando os comunistas, ninguém lamentou.

Todos, de sã consciência, lamentaram a incrível demora para acontecer a redemocratização. Os militares gostaram e se apegaram ao poder.

Ouvimos pelo rádio, em 14 de dezembro de 1968, sentados em uma prancheta, preparando para o vestibular que aconteceria 3 semanas adiante, sobre o Ato Institucional nº 5. A partir daí que a revolução foi realmente sentida.

Suspensão de praticamente todos os direitos. Intervenções diretas, cassações de mandatos, ilegalidade de reuniões não autorizadas pela polícia, censura prévia de músicas, cinema, teatro e televisão. 

Escureceu.

Vivemos na Faculdade os mais cruentos anos do período militar. Mas vivemos. E não alheios e tão pouco calados.

A restrição as manifestações políticas despertou uma criatividade cultural, possivelmente, jamais vista no País. Despertaram a cultura de modo geral.

O dia a dia do Brasil seguiu adiante, com empregos, acesso a saúde, segurança impressionante, comedimento no tratamento das coisas públicas, investimentos.

Violência de ambos os lados aconteceu. Excessos ocorreram.

Não conheci um ativista de "esquerda", e olha que conheci pessoalmente muitos, que buscassem a simples substituição de uma ditadura por outra. Duas correntes digladiavam entre si e em confronto com os militares. Um grupo de Moscou, com passagem por Cuba, tentando a revolta urbana e um Grupo de Pequim buscando o poder pela guerrilha rural.

Papo furado, aliás, furadíssimo, de dizer que lutavam pela liberdade, pela democracia.

Felizmente, a grande maioria, almejava o retorno de todos os direitos usurpados. Reivindicações feitas, em princípio de forma sutil e avançado gradativamente. Conseguiu-se.

Mesmo inquietos, sabíamos que se tratava de tempos de transição. O caminho da redemocratização estava traçado. 

Mesmo ainda considerando a liberdade tão importante como o ar que respiramos, sinceramente, o Brasil viveu melhores tempos que os de hoje, quando nos levaram a não acreditar mais, praticamente, em nenhum político eleito e em outras autoridades constituídas.

Não creio em implantações de regimes duros. Não suportaria. Mas acredito em milagres. Só temos que nos comportar e agir, para fazer para os mereçamos.

Abraço,

Viver é Perigoso

2 comentários:

Paulo Noronha disse...

Muito bom, Riera . Ótima análise . Quem viveu aqueles tempos, como nós, sabe bem o que foram . Sua observação sobre os esquerdistas, grupos de Moscou/Cuba ou de Pequim foi direta no ponto, uma visão certeira, independente e realista .

Só os menos informados - povão, a base da pirâmide, infelizmente - ou os muito espertinhos defensores do comunismo, que pertencem a essa corja, acreditam por exemplo, que a nossa mui incompetentA ex-presidentA " lutou contra a ditadura,pela redemocratização " como ela se refere. Uma mentira deslavada, própria dela e de seus pares, lullarápio, Zé Dirceu, Rui Falcão " et caterva " . Queriam substituir a ditadura militar por uma pior, como a de Cuba, Coreia do Norte, agora na Nicarágua, Venezuela e outras mais que infelicitam populações inocentes por aí e desgraçam seus países. Por mim, partidos comunistas devem ser abolidos no nosso quadro partidário e só seriam permitidos no Brasil,quando todos os seus similares e assemelhados, mundo afora, admitirem a existência efetiva de outros partidos no seu país.

Grande Abraço. Paulo Noronha

Edson Riera disse...

Caro Paulo,

Um grande abraço.

Riera