sexta-feira, 23 de junho de 2017

O PODER SOBE À CABEÇA


Nos últimos tempos quando, no Brasil e no mundo, tantos políticos se comportam de modo claramente ensandecido, volta à baila uma importante e muito antiga pergunta: o poder enlouquece as pessoas.

Para Dacher Keltner, psicólogo da Universidade da Califórnia-Berkley que há duas décadas pesquisa o tema, o poder pode exercer sobre o cérebro as mesmas consequências de uma lesão traumática: maior impulsividade, desprezo pelo perigo e incapacidade de se colocar na pele do outro. Keltner chama essa síndrome de “paradoxo do poder”: uma vez alcançado um alto posto, perdem-se as características que foram ativadas para conquistá-lo.

O fato que instintivamente tendamos a imitar as expressões dos nossos superiores não ajuda a resolver o dilema. Esse mecanismo, que ativamos inconscientemente, nos ajuda a nos metermos na pele dos outros e a entrar em sintonia com os seus sentimentos. Todavia, chegados a um certo grau de poder, corremos o risco de não termos mais ninguém acima de nós para imitar: isso pode levar a uma fatal ausência de empatia.

Sukhvinder Obhi, neuro-cientista da McMaster University, em Ontário (Canadá), pediu a alguns voluntários para que observassem um vídeo no qual uma pessoa apertava uma bolinha. Nos indivíduos não potentes, foram ativadas as mesmas áreas cerebrais indispensáveis para se executar a ação da pessoa no vídeo. Mas nos voluntários que desfrutavam de posições de poder, tais áreas apareceram praticamente anestesiadas. Esse efeito, geralmente, é reversível: mas quando se está cercado por conselheiros aduladores (ou em situações que sempre nos dão razão), podemos pensar que ele não seja.

Luis Pellegrini

Viver é Perigoso

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