quinta-feira, 9 de março de 2017

MULHERES NA LINHA DE FRENTE



Três mulheres fazem parte do mais famoso time de procuradores do Ministério Público Federal que tem provocado úlceras e calafrios na espinha de políticos e empresários no Brasil. 
Entre os 14 integrantes da força tarefa que formam a operação Lava Jato, há três representantes do sexo feminino. Laura Tessler, Isabel Cristina Vieira e Jerusa Burmann Viecili estão em Curitiba, sob a coordenação de Deltan Dallagnol, ajudando a destrinchar informações da maior investigação sobre corrupção já feita no país, que já ultrapassou as fronteiras do continente. 
Isso coloca o trio no olho do furacão de um projeto ousado e numa rotina intensa que tem forçado o país a se repensar. “A corrupção é sistêmica no Brasil e apartidária. Tornou-se tão estruturada no país que acontece em todos os órgãos da administração pública”, diz Jerusa Burmann Viecili.

O idealismo é um traço marcante entre os procuradores da Lava Jato que, goste-se ou não dos seus métodos, trouxe à tona o modus operandi dos esquemas nefastos de poder e colocou a elite brasileira em plano de desespero. 
“Corrupção não acontece à luz do dia sob holofotes. Acontece na sombra, em hotéis, linguagens cifradas, encontros secretos, pagamentos no exterior, por pessoas interpostas”, afirma Tessler. 

As procuradoras têm consciência do tamanho da expectativa que o Brasil, exausto das mazelas políticas, depositou em seus ombros. A operação em si não é a solução dos problemas do país, lembra Tessler, uma das responsáveis por desbaratar o departamento de propinas da Odebrecht. “A cultura arraigada é muito mais significativa do que o que revelamos”, avalia. Viecili reforça o argumento da colega. “Não tem como falar se o partido A ou B é maio ou menos corrupto. Todos os partidos se beneficiavam com isso”, diz ela. A procuradora gaúcha tem cabelos lisos negros, e uma tatuagem no pulso escrito “Faith”.

As mulheres da Lava Jato sabem que entraram numa guerra sem precedentes e que de certo mesmo elas só têm a seu favor o apoio da população à continuidade da operação. O movimento contrário de quem deseja vê-las pelas costas é feroz. 

O fato de ser uma profissão que exige deslocamentos geográficos grandes pode ser um fator de desestímulo para quem tem a maternidade no horizonte de curto prazo. Tessler e Viecili ainda não têm filhos. “Mas isso não é nem nunca foi impeditivo”, afirma Vieira. 

(extraído de El País)

Viver é Perigoso

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