domingo, 19 de março de 2017

BOA VISTA DE ITAJUBÁ

Foto Saulo Caridade
O Bandeirante de Taubaté, Miguel Garcia Velho, em busca de riquezas veio parar no alto da serra da mantiqueira e fundou em 1703 a Vila de Soledade de Itajubá, onde está hoje o município de Delfim Moreira.

O Padre Francisco da Costa Moreira nasceu em Portugal, veio para o Brasil e foi vigário da Paróquia de Guaratinguetá de 1801 até 1817. Tinha 44 escravos e dois filhos. Um deles foi o também padre, Lourenço da Costa Moreira, nascido naquela cidade em 1778..

Em 19 de setembro de 1818, o Padre Lourenço assumiu a Paróquia da Vila de Soledade de Itajubá. Chegou na Vila com seus escravos, a mulher Inês de Castro Silva e os filhos Delminda e Domiciano. A padroeira da Vila era a N.S. da Soledade.

Com pouco tempo na Vila (hoje Delfim Moreira), o Padre Lourenço já concluiu que não dava. Difícil localização, muita chuva e muitos doentes.

Convenceu uma parte de seus fiéis a procurar um local mais ameno, serra abaixo, para implantar uma nova Vila. 80 pessoas resolveram acompanhá-lo.

Partiram na manhã do dia 18 de março de 1819. A partir da confluência do Rio Santo Antonio com o Rio Sapucaí, seguiram em balsas, chegando na manhã do dia seguinte, 19 de março, nas barrancas do Sapucaí onde fica hoje o Bairro do Porto Velho, atrás do Colégio de Itajubá.

Subiram até o alto do morro, hoje da matriz, roçaram uma clareira, construíram um altar improvisado onde foi rezada a primeira missa.  

Nada foi descoberto. Já existia um agrupamento de fazendas com o nome de Boa Vista do Sapucaí. Nos dias seguintes o Padre procurou os fazendeiros locais para se apresentar e pedir ajuda. Moravam na Boa Vista, entre outras, as famílias Almeida, Meneses, Rodrigues, Gonçalves, Gama e Camargo.

Encontrou receptividade. O fazendeiro Sr. Francisco Alves, morador da Boa Vista, doou as terras para construção da Igreja Matriz, que ficou conhecida como Capela Nova da Boa Vista, com imagem de São José, uma vez que a primeira foi realizada no dia dedicado ao Santo. 

O Padre foi morar num casarão da hoje, Rua Miguel Braga, onde está situado o Hotel Sion.

Em 1832, o Padre Lourenço convenceu um grupo de fiéis de Boa Vista do Sapucaí ir em comitiva até Vila Nova de Itajubá (Delfim Moreira), buscar a imagem de N.S. Soledade, livros e paramentos. O povo de lá não gostou. E num chamado até os dias de hoje de "encontro", o pau quebrou feio. Perdemos e voltamos para casa numa correria geral.

Somente em 1834, por ordem do Presidente da Província, foi que os bens, inclusive a imagem da Santa, foram transferidos para Boa Vista do Sapucaí. Também veio junto o nome de Itajubá. o lugarejo ficou sendo chamado de Boa Vista de Itajubá.

A imagem do São José foi deslocada para uma capela anexa a casa do Padre Lourenço, na Boa Vista, é claro. A matriz ficou sendo de N.S. da Soledade.

A emancipação política se deu em 1848, com a instalação da Vila de Itajubá em 28 de junho de 1849. Virou cidade de Itajubá em 4 de outubro de 1862.  


Itajubá era uma cidade com enorme área geográfica. 25 municípios, hoje somente vizinhos, pertenciam a Itajubá, que hoje tem uma das menores áreas. Apenas 281 quilômetros quadrados.

Em 1937, no Bairro da Boa Vista, na Rua Dona Maria Carneiro, foi erguida uma capela provisória de São José, em prédio cedido pela Fábrica de Tecidos Codorna. Em 1940 foi lançada a pedra fundamental da Igreja de São José. A planta foi feita pelo Dr. José Ernesto Coelho.
Em 1942 foi benta a capela de São José. Em 1947 foram inaugurados os sinos e em outubro de 1957 o órgão elétrico. Em 8 de dezembro de 1958 torna-se-ia a Matriz da Paróquia de São José.

Conclusão: Hoje, a cidade de Itajubá comemora 198 anos e a Boa Vista, origem de tudo, tem idade indefinida. 

Dados do historiador Armelim Guimarães    

Viver é Perigoso

2 comentários:

marcodelducca disse...

em 1947 foram inaugurados os sinos. epa... será que foi no dia 29 de setembro?

Edson Riera disse...

Caro Marco,

Nem eu e nem você fomos os homenageados. Aconteceu no dia 17 de agosto de 1947. Na certa te acordaram.

Abração